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sexta-feira, 1 de março de 2013

O CONSTRUTIVISMO DE PIAGET E A "REFORMA" DA SOCIEDADE



Por:

Gerson Nei Lemos Schulz

Gisele Bartz de Mendonça

Paulo Geovane Callegaro Sanes

Roger Garcia Rojas



Piaget
1896-1980
Este artigo reflete sobre a teoria educacional construtivista de Jean Piaget e a reforma da sociedade. A ideia construtivista de Piaget tem por base duas teorias clássicas de dois filósofos gregos, o Inatismo de Platão e o Empirismo de Aristóteles.
Para Platão o saber é congênito, ou seja, as pessoas nascem com saberes adormecidos que precisam ser organizados para se tornar conhecimentos verdadeiros. Para ele o educador deve inferir o mínimo possível, apenas ajudando a trazer a tona esses saberes e organizando-os. Aristóteles, contrapondo Platão, diz que mesmo que as pessoas nasçam com essa capacidade de aprender, precisam de experiências ao longo de sua vida. Para ele a fonte do conhecimento são as informações captadas do exterior.


Assim, com essas duas teorias apontando para lados opostos, Piaget formula sua epistemologia, tentando ser um meio-termo entre elas. Piaget diz que o sujeito tem potencialidades e características próprias, mas se o meio não o favorece ele não desenvolve suas aptidões. É necessário agir sobre o educando, incitando-o a desenvolver os saberes já existentes.
Entretanto, acreditamos que para ocorrer o máximo aproveitamento dessa teoria, seriam necessárias varias mudanças de caráter social, educacional, político e, principalmente, econômico no Brasil.
Platão
Uma dessas mudanças seria um melhor ambiente familiar, um local propício ao desenvolvimento das capacidades sociais, com melhores condições, tanto financeiras como sociais, para os responsáveis pela criança poderem auxiliar em seu desenvolvimento, ou seja, uma reforma no sistema de Previdência Social, podendo assim ajudar na formação de novos membros produtivos da sociedade.
Outra dessas mudanças seria a reestruturação do ambiente escolar para outro com maior desenvolvimento das características e aptidões do educando, propiciando assim melhor local de estudos e aprendizagem.


Acreditamos que melhores condições físicas da escola auxiliam no interesse do educando pela vida escolar, ou seja, uma criança que vem para a escola com fome, que passa frio ou calor em sala de aula, não está em condições de compreender o conteúdo explanado, porque situações adversas geram certos desconfortos que acabam prejudicando as capacidades cognitivas de aprendizado da criança.


Também no âmbito educacional sugerimos uma melhor formação de educadores, para que estejam aptos a atender as necessidades dos alunos e permitam um desenvolvimento crítico por parte da criança. Um professor que gera situações-problema em sala de aula incita um pensamento crítico por parte da criança na busca de soluções.


Aristóteles
Em suma, para o construtivismo de Jean Piaget atingir sua plenitude seria necessária uma completa reforma, se não uma total revolução nos sistemas educacional e social do país, o que até hoje não ocorreu.
Portanto, como Marx disse em "O Capital", melhores condições de ensino serão alcançadas quando a Revolução Social atingir o nível em que todos recebam boas condições salariais, sem distinções de classe social, recebendo assim o mesmo ensino, pois os direitos básicos de todo cidadão moderno estariam ao alcance de todos. Mas não basta estarmos conscientes dessas necessidades, a começar pela pergunta: o que fazer para iniciar uma "revolução" se a própria escola/educação está nas mãos do Estado aburguesado e outra parte nas mãos da iniciativa privada?


O que fazer se em cada sala de aula, até mesmo na universidade, os professores nos incitam à concorrência, ao preparo para o mercado de trabalho e eles mesmos são condicionados pelo recebimento do salário a isso?
O mesmo se dá com a educação filantrópica das universidades religiosas que também visam ao lucro capitalista, explorando os espaços onde o Estado não chega, e mais: doutrinando desde a instituição do cristianismo à produção. Como escapar daquilo que Marx chama de "alienação" se os sistemas econômicos, político, educacional nos esmagam na direção do abismo do mercado de trabalho, abismo porque sabe-se que com o neoliberalismo vigente há um desemprego estrutural no sistema, um vício que se aproveita do próprio espírito de necessidade de todo universitário quando, ao mesmo tempo que prepara para o trabalho, também aumenta a reserva de mão de obra qualificada que colaborará para achatar o salários daqueles que estão nos empregos oficiais?


Fecha-se o círculo? As coisas ficam como estão?
Karl Marx
1818-1883
Para concluir, Piaget não pensou jamais em reforma do sistema, sua epistemologia era quanto ao indivíduo e, de certa forma, fomentava o sistema capitalista vigente, mas mesmo que se quisesse aplicar Piaget nas escolas, como fazê-lo se os dirigentes do próprio sistema educacional parecem querer a produção em massa de "alienados" altamente qualificados. Alienados porque não sabem criar, não sabem criticar com profundidade, idetificar as meras contradições do sistema, apenas usar tecnologias complexas, ganhar seu salário e poder desfrutar do mercado do consumo?