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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

NATAL, CULPA E LIBERTAÇÃO

OPINIÃO



Gerson Nei Lemos Schulz





Atualmente a vida está difícil para todas as pessoas. Sofrem-se violências: reais ou simbólicas. Explorações de todo tipo. Há carências em tudo: afeto, alimento, de ter alguém que console. E muitas são as possibilidades que se apresentam para remediar estas coisas. E nesse tempo de Natal, o que mais se vê são as lojas cheias. O consumo, a circulação do dinheiro. Outro fato é a busca de consolo para as mazelas humanas nas igrejas. Mas será que nestes lugares se encontra "libertação", consolo?

Parece que o Natal - hoje - é um comércio! Talvez só os gerontocratas das igrejas mais conservadores ainda saibam o que é o Natal, porque a maioria acha que se trata de "dar presentes", e ai daquele que não abrir a mão... é execrado como "pão-duro" pelos parentes ou "amigos". 

Outro grande cinismo (na concepção moderna do termo e não na filosófica) é o "amigo secreto". Algumas pessoas passam o ano inteiro cochichando aos outros que o(a) colega ou o chefe não valem o que comem, mas não hora do 'amigo secreto' saem os sorrisos amarelos, os tapinhas nas costas" que, talvez na fantasia de alguns, pudesse vir acompanhado de uma boa punhalada!

E os padres e pastores? Muitos agem com a desculpa de pregar a paz e o amor, mas o que fazem é adestrar moralmente as pessoas que os procuram com suas doutrinas anti-dialéticas explorando as tristes realidades pessoais e mazelas sociais dos fiéis: alcoolismo, pobreza, degradação. E o que eles (sacerdotes) fazem? No máximo um discurso moralista e por isso hipócrita que nada muda a não ser para eles quando enchem seus bolsos com o dízimo gordo.

Natal? Diziam, grosso modo, Marx, Nietzsche e Freud que a religião é o mecanismo perfeito para dominar os outros e, ainda hoje, vejo práticas religiosas que confirmam isso: a catequese – na verdade – ideologia barata que ainda hoje acontece; a cobrança de grandes fatias de dinheiro dos sectários a título de engrandecer a obra de "deus" e as sessões sentimentalóides promovidas por "shows de fé".

Ao cobrar dinheiro por seus ritos as igrejas angariam sustento para sua casta sacerdotal manter o poder sobre os fiéis com aval monetário. Em relação a isso, lembro que o próprio personagem Jesus, em sua doutrina "teológico-filosófica", queria abolir certas práticas do Templo Judaico como as relações comerciais mantidas pelos fariseus com seu deus. Mas e a igreja cristã dos sectários tardios de Jesus não caiu também nas mesmas contradições dos antigos judeus que Jesus (se é que existiu porque não há provas até hoje) condenou?

Finalmente, o assunto é longo, mas gostaria de ressaltar que até para quem acredita em "deus" a culpa, a meu ver, é a pior das atitudes. Passar a vida inteira acreditando que é portador de um "pecado original"! Temer um suposto castigo divino caso não pague o dízimo, caso não se vá à igreja é uma postura inteligente? Mas "tudo bem!" Vive-se em uma sociedade plural, então, para aqueles que querem acreditar em tais idéias: gnomos, fadas, deuses e papai Noel, bom proveito! É claro, cada um sabe de si e caso não seja o suficiente encher a cara na noite de Natal para esquecer o tédio, os stress, ainda se tem o Réveillon.