Google+ Badge

COMPARTILHE

quinta-feira, 9 de junho de 2011

VESTIDA PARA CASAR


Por: Gerson Nei Lemos Schulz

Publicado originalmente no jornal
Tribuna Amapaense
na cidade de Macapá - Amapá
em 2010, com o título:
"Casamento: uma instituição falida?"




O artigo de hoje faz uma reflexão sobre algo que, grosso modo, dizem que está em crise na sociedade: o casamento.

Já ouvi comentários a respeito, mas nunca tinha parado para pensar sobre o assunto. Certa vez - em 2003 - escutei um reverendo anglicano, na pequena cidade do interior gaúcho chamada Canguçu, contando que um casal o procurou pedindo para marcar a data do casório, ao que ele, quase gritando, disse: "vocês estão batendo bem da cabeça? Casar? Hoje em dia o casamento é uma instituição falida!"

O casal ficou espantado com o reverendo e foi embora, mas depois de uma semana retornaram à igreja e marcaram a data, decididos.

Fonte da foto:
http://cidaderiodejaneiro.olx.com.br/aluguel-de-vestido-de-noiva
Mas o que me levou a escrever hoje sobre o casamento foi um fato estranho que presenciei de dentro de um ônibus em que estava outro dia quando passava férias na interiorana cidade de Pelotas, no RS. Em uma esquina, ao por do Sol, o ônibus urbano parou para aguardar sua vez de atravessar o trânsito quando apareceu na calçada uma noiva acompanhada de um senhor que deveria ser seu pai. Fiquei espantado de ver que alguém dentro do ônibus disse alto: "olha a noiva!"

O tom era de galhofa. Imediatamente todos os passageiros olharam a cena: a "mulher cruzando a rua" como se ela estivesse fantasiada para o carnaval. Como se a roupa dela representasse mesmo algo obsoleto. O cobrador do ônibus olhou para alguns passageiros sorrindo como se estivesse com pena da "noiva". Várias pessoas riram da mulher vestida de noiva.

Bem, o fato é que hoje em dia, com a mudança dos costumes tradicionais e a crise das igrejas cristãs (seu enfraquecimento), se têm os prazeres do casamento sem se ter seus compromissos (isto é, é fácil, muito fácil, conseguir sexo casual sem ter que se casar com alguém), por outro lado o sabor deste tipo de relação está em saber-se que no dia seguinte segue cada um para sua casa. Homem e mulher ficam "livres" para procurar em outra noite mais uma "transa". Alguns pensam que isso é um "pecado", uma involução dos costumes, mas penso que não. O casamento é uma instituição, um contrato que foi legitimado por um discurso dominante na Idade Média (no Ocidente), o discurso católico. Segundo Freud, as primeiras civilizações proibiram o incesto e estabeleceram a "troca" de mulheres com outras tribos ou grupos para estreitar laços de parentesco, isso é uma possibilidade... não uma verdade!

Mas na idade mais primitiva da humanidade um homem tinha relações com o maior número possível de mulheres e não só para procriar, mas para ter prazer. Sexo era uma necessidade como qualquer outra. A mesma coisa as mulheres (assistam ao filme 'Guerra do Fogo').

Nesse sentido o homem (e mulher) não é um ser monogâmico, ele é polígamo, e arrisco dizer "por natureza". Então por que se espantar se hoje em dia sexo (muitas vezes promíscuo) é algo tão popular? Apenas o que acontece é que deixamos de lado o superego da moral cristã para nos dedicarmos a libertar aquilo que estava recalcado: o Id (instintos mais primordiais). Conceitos como "fidelidade", "até que a morte os separe" e etc. são invenções da moral racionalista e cristã (já dizia Nietzsche).

Nessa perspectiva um homem ter mais de uma mulher, e vice-versa, é o "normal". Há várias sociedades na África (que são muito mais antigas que a Europa) em que as mulheres têm vários maridos. Em contrapartida, em alguns países árabes, os homens têm mais de uma esposa. Quem disse que ter apenas um marido ou esposa é o correto? Essa idéia é bem burguesa, faz entender que o outro é uma "coisa" que pode ser possuída. "Meu marido", "minha esposa". Quem pertence a quem? Que autoridade tem uma igreja, um "livro sagrado", para dizer o que as pessoas devem ser ou fazer na vida privada? Acredita nisso quem quer...

Mesmo assim meus parabéns à noiva, embarcou no sonho medieval e moderno, também judaico-cristão que acredita que o mundo deveria ser perfeito como é o "céu" das igrejas.