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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nossas crianças

Gerson N. L. Schulz



Na semana retrasada o Brasil praticamente parou para assistir à condenação do casal Nardoni em São Paulo, acusados do assassinato covarde de uma menina de apenas cinco anos de idade.

A Record News TV foi, dos canais abertos, a que transmitiu quase ininterruptamente o julgamento por cinco dias. No fim o que era para ser a execução racional da Justiça por meio das leis, virou um espetáculo com gosto de porre catártico ante-vivendo a Páscoa laica/cristã que se aproximava.

A revista Veja de 31 de março trouxe esse tema em sua reportagem de capa e não houve meio de comunicação de massa que não o comentasse. Além do batalhão de especialistas especialmente contratados para comentar o caso, nos jornais e telejornais adotou-se claramente a postura maniqueísta de fazer notícia, um grande defeito da imprensa descompromissada com a verdade e mais comprometida em promover "show" para vender revistas e comerciais.

De fato, até mesmo o pior criminoso tem direito à defesa. Mas aquele casal já estava condenado pelas provas irrefutáveis contra si e pela opinião pública em geral. Não se encontrou evidencia da presença de um terceiro adulto no apartamento da família e constatou-se que a menina chegou sangrando em casa. A madrasta foi quem a esganou e, ao que ficou provado, o pai, conivente, jogou a própria filha ainda viva pela janela para encobrir a verdade.

Esse caso não é o único, por exemplo, recentemente em Macapá um pai foi preso, acusado de estuprar o próprio filho de três anos. Um crime absurdo, imoral, antiético e gravíssimo, entretanto poucos noticiaram. Isso não é revoltante? Não mereceria que a população em peso exigisse Justiça? Não é comovente como o caso Isabella? Também é sabido que no entorno da praça Zagury é comum meninas (menores de idade) se prostituindo e só não vê quem não quer! Segundo a Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância (Sipani) em média, 18 mil crianças são vítimas de violência doméstica por dia no Brasil. Isso representa 12% das 55,6 milhões de crianças menores de 14 anos existentes em nosso país.

Isso não é só alarmante, é um pedido de socorro de nossas crianças e nos leva à reflexão e à pergunta: o que houve com a família? É claro que não se pode fazer como muitos que superficialmente acorrem a moralismos combatendo o divórcio (que é necessário em muitos casos) ou à falta de "religião" (outro falso moralismo, pois se fosse isso não se teria o número hediondo de padres e pastores pedófilos). Provavelmente falta é senso de responsabilidade às pessoas que juridicamente falando é a capacidade de entendimento ético-jurídico de determinação volitiva adequada que constitui pressuposto penal necessário da punibilidade. Portanto, o pai/mãe que não planeja, não tem amor às crianças ou quem não gosta de crianças e sabe que não poderá cuidar delas não deve ser pai/mãe nunca!

Enfim, nenhuma criança merece ser punida pela pobreza, fome ou violência. E de que mundo provém tudo isso? Do mundo dos adultos, certamente! Está a família falindo como a escola, a política, a ética e a moral? Ao que parece a infância já decretou concordata!

O poder da imprensa

Gerson N. L. Schulz




O que a imprensa tem que ver com a filosofia? Muita coisa, principalmente o fato de divulgar o pensamento laico. Segundo o site da Associação Nacional de Jornais (ANJ), a "Acta Diurna", surgida em 59 a.C. em Roma é o mais antigo jornal do mundo e foi criado por César para divulgar os atos de seu governo. As notícias eram escritas em grandes placas brancas e expostas em lugares públicos bastante populares, tais como as salas de banho e os mercados. As "Acta" mantinham os cidadãos informados sobre escândalos no governo, campanhas militares, julgamentos e execuções. Também na China do século VIII (em 713) surgiram os primeiros jornais de Beijing escritos à mão. lá também inventou-se (em 1040) os blocos móveis de madeira que na Europa de 1447 Gutenberg iria aperfeiçoar para os tipos de chumbo (reutilizáveis) causando a "revolução" da leitura e da escrita no mundo Ocidental e difundindo o conhecimento até então sob a égide da igreja Católica Romana.

Uma rápida história da imprensa mostra que em 1501 o Papa Alexandre VI decretou que qualquer impresso deveria ser censurado pelas autoridades do clero e quem cometesse heresias ao escrever publicamente seria punido. Algo que foi definitivamente ineficaz durante o período dos filósofos iluministas na França com a publicação da Enciclopédia (periódico) que causou, definitivamente, a laicização do pensamento Ocidental e o triunfo da "palavra livre" do obscurantismo sectário da religião dogmática e dos governos tirânicos.

Segundo a "World Association of Newspaper", por volta de 1556 o governo de Veneza (Itália) publicou o "Notizie scritte", pelo qual os leitores pagavam com uma pequena moeda conhecida como "gazetta", desde então muitos foram os jornais que adotaram esse nome como título oficial.

Mas foi somente em 1812 que os jornais ganharam um cunho fortemente industrial tanto quanto as grandes empresas manufatureiras, quando na Inglaterra Friedrich Koenig inventou a prensa de cilindros a vapor que imprimia 1100 folhas por hora. Nos anos 1960 popularizou-se a impressão em offset e mundialmente o jornal se tornou amplamente comercial como mais um instrumento industrial para a divulgação de idéias, conforme apontam os estudos do filósofo Teodor Adorno em sua "Indústria Cultural e Sociedade".

Enfim, assim como a filosofia a imprensa trabalha com idéias e fatos e ao longo de sua história ela cobriu de guerras a olimpíadas, criou celebridades e derrubou ou ergueu governos.