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sábado, 5 de fevereiro de 2011

A MAÇONARIA HOJE

Por Gerson Nei Lemos Schulz
com colaboração do entrevistado



Segundo o professor e historiador Matias Ferreira do Nascimento, quando se fala de Maçonaria em qualquer ambiente, o tema desperta imediatamente a curiosidade das pessoas e logo uma infinidade de perguntas surge, numa demonstração de que, realmente, os rituais maçônicos, mesmo nos dias de hoje, ainda constituem verdadeiros enigmas. Para ele, entre as perguntas mais comuns, tem-se: A Maçonaria é uma religião? É uma seita? Todos os maçons são ricos? Quem revelar o segredo da Maçonaria morre? Os maçons tem pacto com o demônio? Os maçons pisam na imagem de Cristo antes de entrar no templo? Por que as mulheres não podem ser maçons?

Professor e Historiador Paraense
Matias Ferreira do Nascimento
Para o professor não há respostas prontas para todas as perguntas, mas pode-se afirmar com segurança que a Maçonaria não é uma religião, embora seja possível dizer que ela é uma organização de homens religiosos já que a Maçonaria exige, entre outras, como condição indispensável para ingressar na Ordem que o proposto acredite num Princípio Criador, na imortalidade da alma, no transcendente, enfim, embora não exija que o candidato à iniciação seja vinculado a uma ou a outra igreja, ele deve ter fé em algo além da própria materialidade corporal. O costume de perguntar a religião do candidato quando este ingressa na Maçonaria é apenas uma questão estatística, diz o professor.

Para Nascimento a riqueza não é uma característica própria dos maçons, mas os pobres, economicamente falando, não têm acesso à iniciação maçônica porque se exige que os candidatos tenham condições financeiras mínimas para arcar com certas despesas, como jóias (taxas de iniciação e promoção), mensalidades e gastos eventuais com festas e com ações filantrópicas. É claro que estas despesas não podem prejudicar a manutenção de suas famílias.

Os "oficiais maçons" (aqueles que desempenham cargos) não ganham para isso. Isso significa que a Maçonaria não tem uma "casta" que viva, sozinha e/ou com sua família, à custa das contribuições que os irmãos maçons prestam à instituição. Em outras palavras, os "chefes" maçons não ganham salários, diz Matias Ferreira do Nascimento.

Nascimento diz que na verdade a Maçonaria, no seu formato atual, surgiu no seio da classe burguesa que se constituía na grande novidade social e ideológica que contestava a ordem vigente, especialmente, aquelas referentes aos estados nacionais da idade Moderna. Essa burguesia lançou-se em defesa das liberdades humanas cerceadas por aquele modelo de organização resultante da conciliação de grupos sociais e políticos para se consolidarem na modernidade (idade Moderna) a fim de monopolizar os privilégios. Então, se a burguesia naquele contexto era uma camada revolucionária, a Maçonaria não poderia desempenhar um papel diferente.

Inspirada em organizações secretas ou reservadas que se constituíram desde os tempos imemoriais, com o objetivo de se preservar das perseguições de entidades dominantes e de se autovalorizar, a Maçonaria foi logo estigmatizada como um elemento ameaçador, subversivo e, como não poderia deixar de ser, "satânico", pelo fato de a igreja católica ser, naquele momento, a instituição dominante. Então, a Maçonaria tornou-se "inimiga" da igreja, em função de contestar as "suas verdades".

Mas, a Maçonaria não precisava se preservar somente da igreja, em função de contestar o clericalismo (poder do clero), tinha que se preservar também do teocentrismo (cultura essencialmente religiosa), e defender o racionalismo, o humanismo, enfim, de manifestar a posição de contestação à ordem vigente. Por isso os sistemas políticos marcados pelo arbítrio, pelo autoritarismo, pela intolerância, sempre tomaram a Maçonaria como inimiga, que na realidade o era, mas somente em relação a esses sistemas.

Nos dias atuais a Maçonaria, aparentemente, perdeu aquele caráter revolucionário, principalmente em países como o Brasil, em função do processo democrático que se evidencia na participação ativa da sociedade em questões sociais, econômicas e políticas, mantendo-se, entretanto, vigilante quanto à preservação dos direitos humanos já consagrados na legislação bem como em defesa de novos avanços éticos e morais.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O QUE É ROMANTISMO?

Gerson Nei Lemos Schulz





Reale, Giovanni. 
História da filosofia: do humanism a Descartes. 
São Paulo: Paulus, 2004.
Você sabe do que se trata o Romantismo? Muitos pensam que ser romântico é ser "meloso" com o ser amado ou agir de forma sempre dócil e idealista com o mundo. Mas o movimento romântico alemão, interpretado de forma distorcida pelo grande público, não tem nada que ver com isso.


Albert Croll Baugh (estudioso da literatura inglesa) diz que o adjetivo "romântico" aparece pela primeira vez na Inglaterra por volta de meados do séc. XVII como termo usado para indicar o fabuloso, o fantástico, o irreal. Assim, foi resgatado dessa conotação negativa, que passou a ser usado para indicar cenas e situações agradáveis. Gradativamente o termo romantismo passou a indicar o renascimento do instinto e da emoção que o racionalismo do século XVIII quis suprimir.


Mas foi F. Schlegel quem relacionou o movimento Romântico ao romance. O fascínio pelo misterioso e sobrenatural e pela atmosfera de fantasia e heroísmo que dominavam o mundo medieval, ampliaram o sentido do qualificativo que, símbolo de uma nova estética, encontrou suas primeiras manifestações na literatura alemã. Pouco a pouco, o termo passou a significar as expressões épicas e líricas medievais e associar-se ao romance psicológico autobiográfico.



F. Schlegel
1772-1829
O Romantismo é também o movimento espiritual que envolveu a poesia, a filosofia e as artes. Ser romântico se caracteriza também por um comportamento psicológico e moral. Isso exige uma condição de conflito interior radical, uma dilaceração de si mesmo, provocando a tendência ao sentimento de insatisfação consigo mesmo, levando-se à busca de algo mais que, no entanto, escapa continuamente. Assim, Impetuoso e vital, o romantismo surgiu como um movimento que privilegiava a subjetividade individual, em oposição à estética racionalista clássica do Iluminismo representando a exaltação do homem, da natureza e do belo.

Como expressão do espírito de rebeldia, liberdade e independência, o Romantismo propôs-se a trabalhar com a perspectiva do misterioso, do irracional e do imaginativo na vida humana, assim como explorar domínios desconhecidos para libertar a fantasia e a emoção, e reencontrar a natureza humana primordial. A comprovação científica dos fatos substituiu o estabelecimento dogmático das verdades e o culto à arte tornou-se uma das principais alternativas de expressão da espiritualidade entre os intelectuais ocidentais. Filósofos e artistas como Hegel e Berlioz afirmaram que, para eles, a arte era uma religião.

Então, ser romântico, na origem da palavra, não tem o mesmo significado que o senso-comum dá hoje em dia. O Movimento Romântico elevou a figura do poeta a um papel central de profeta e visionário. A apreensão da verdade deveria se dar diretamente a partir da experiência sensorial e emocional do escritor. Os mitos do artista e do amante incompreendidos e rejeitados pela sociedade ou pela amada são criações originais do Romantismo. Nesse contexto J. W. Goethe escreveu Die Leiden des jungen Werthers em 1774 (Os sofrimentos do Jovem Werther), livro que foi acusado, na época, de induzir vários jovens ao suicídio. Logo, ser romântico é não se conformar nunca com o que se tem, mas também se ter consciência que nunca se atingirá o que se quer.