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segunda-feira, 3 de março de 2014

UMA ANÁLISE SOBRE A UNIVERSIDADE BRASILEIRA

Antônio A. de Barros
Adriano Cantuária
Daniela Santos
Mariane Ramos
Maciel C. Branco
Rui R. Albuquerque

Alunos do Curso de Especialização em 
Docência do Ensino Superior do 
Instituto de Ensino Superior do Amapá – IESAP

Orientadora:

Profa. Dra. Maria Aparecida Nascimento da Silva

Editor

Gerson N. L. Schulz



Este artigo trata de uma análise sobre o trabalho "A Universidade no Brasil: das origens à reforma universitária de 1968" de Maria de Lourdes Fávero. Percebe-se, após a análise, que a autora defende a tese de que histórica e politicamente a universidade no Brasil vive uma profunda crise e um grave atraso em relação aos outros países.

O maior desafio que o texto apresenta é o da autonomia administrativa, financeira e didática que sempre foi uma propaganda política que nunca foi totalmente cumprida. E foi a partir dos anos 1950, com a rápida modernização e o crescimento industrial e econômico do país, bem como das transformações socioculturais que a situação precária das universidades foi levada a sério.

Foi preciso que o ensino superior passasse por uma modernização urgente em todos os seus aspectos administrativos. O primeiro passo havia sido dado com a criação da Universidade Nacional de Brasília – UNB. Outro avanço ocorreu com o surgimento da UNE (União Nacional dos Estudantes) que colaborou na tentativa de superar os paradigmas elitistas e ultrapassados que regiam as universidades até então. No início aconteceram inúmeras mobilizações estudantis caracterizadas por intensos debates dentro das universidades, bem como manifestações de rua constantemente reprimidas, exigindo do governo medidas para buscar soluções para os problemas educacionais. Com isso foi criado o decreto nº 62.937 em Julho de 1968, onde se observou o surgimento do Grupo de Estudo. Este se encarregou de estudar as medidas necessárias a fim de resolver as crises na universidade.

As manifestações sensibilizaram inúmeros setores da sociedade, não deixando de exigir do governo uma ação eficaz para esta solução que foi considerada de urgência nacional. O objetivo do Grupo de Estudo seria pesquisar os principais problemas das universidades, prezando por sua eficiência, modernização, flexibilidade administrativa e formação de recursos humanos de alto nível. Outro ponto importante é que essa falta de autonomia não se restringe às universidades, mas na identidade nacional e na mentalidade da nação como um todo. A partir do século XVI até o final do XIX Portugal interferiu na maneira de pensar e fazer a política nacional bem como das preferências ideológicas da elite que usufruía destes rumos. Porém, no período da reforma de 1968 por meio da USAID e do Plano Atcon, se pode dizer que os Estados Unidos viraram uma espécie de "mentor intelectual" da educação brasileira. Isso se acentuou com a criação do Conselho de Reitores e de muitas outras universidades por todo o país, da necessidade de renovação das técnicas didáticas e de pesquisa. Dos estudos abrangentes do Grupo de Trabalho, subsiste o que Florestan Fernandes considerou como o predomínio de uma elite conservadora que se diz liberal e que não quer que as reformas escapem de seu controle e se democratizem, perpetuando, portanto, os problemas políticos da universidade e do ensino.

Por fim, pensamos que a única solução ainda para essa "crise" são os debates críticos e as constantes revisões históricas desse processo que iniciou com o programa português colonial e no Império, depois com o Positivismo que predominou na República Velha e sua política de descentralização; a volta da centralização e do controle estatal na Era Vargas e no Estado Novo e, principalmente, os anos 1964-5 com a interferência dos Estados Unidos da América no modelo educacional brasileiro.