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terça-feira, 5 de março de 2013

OPRESSOR E OPRIMIDO NA PERSPECTIVA DE PAULO FREIRE



Autores:

Prof. Gerson Nei Lemos Schulz
Altamira Oliveira da Silveira
Ana Elisa Bandeira Teixeira Azambuja
Ana Virginia Escobar da Silveira
Giselda da Rocha Dutra
Lisne da Silva
Neusa Pureza
Taiane Oliveira

Artigo produzido na disciplina de
Estudos Filosóficos em Educação
na Universidade Federal do Pampa



Paulo Freire
1921-1997
Este artigo trata de discutir dois conceitos freireanos que são o conceito de "opressor" e o conceito de "oprimido" e sua relação com a educação. A primeira significa: o opressor é todo aquele que detém o poder sobre o meio de produção e explora o trabalho assalariado.

A ideia de "opressor" para Paulo Freire pode ser também o sistema político e escolar porque, especialmente no tempo da "Ditadura Militar", o ensino era pautado naquilo que os militares queriam que fosse ensinado aos alunos. Essa pauta limitava o papel da escola à educação tecnicista, isso tornava o ensino precário porque não permitia o desenvolvimento do pensamento crítico, já que houve um "abafamento" das disciplinas como filosofia, sociologia e psicologia. 

Nas universidades, muitas vezes, os professores tinham que tomar cuidados ao ministrar suas aulas porque era comum que um soldado fosse "plantado" dentro da sala de aula de um professor cujo Comando Militar queria monitorar. Tanto no segmento superior quanto no básico as aulas não podiam fomentar o questionamento, o pensamento crítico e por isso, também, não se buscava novas concepção de pedagogia.

Fonte: www.grupoescolar.com
Por outro lado, o "oprimido" é aquele que é explorado. É aquele que não detém os meios de produção. Pode ser tanto o operariado, que é mão-de-obra assalariada, quanto no caso da escola, o aluno. Tratando-se do aluno, esse pode ser oprimido pelo sistema escolar (currículo, conteúdo, avaliação e frequência) quando privilegia o quantitativo e não o qualitativo. Nesse sentido, Paulo Freire critica a "educação tradicional" que chama de "educação bancária".

A "educação bancária", segundo Freire, vê o aluno como mero depósito de saberes. Logo, o papel do professor é apenas "depositar" conhecimentos nas mentes dos alunos como se estas fossem tabulas rasas.

Freire não responsabiliza o professor como agente absoluto dessa forma de educar, mais que isso, ele, com sua concepção de educação para a liberdade ou "educação libertadora", afirma que o opressor também deve ser libertado. Então, no caso da educação, professores e alunos devem ser libertados e isso somente será possível com uma revolução na estrutura da instituição escolar.

A educação bancária também impossibilita que o professor aproveite o "conhecimento prévio" dos alunos. Esse conhecimento é aquele que o educando possui antes de entrar na escola para receber a educação científica formal. Freire produz uma educação prescritiva, é o que se pode concluir a partir de sua crítica ao sistema educacional tradicional que ele considera opressor e, portanto, ultrapassado. 

Apesar da proposta de uma "educação para a liberdade", lembra-se que sempre haverá regras a cumprir, por mais "livre" que possa ser qualquer outro sistema.

Fonte:
www.colunas.cbn.globoradio.globo.com
Por fim, a busca pela superação da dicotomia "opressores x oprimidos" é constante na obra freireana. Pelo lado do professor é importante que ele ouça seus alunos, perscrute o nível de compreensão dos mesmos e auxilie na construção das "pontes" entre o conhecimento científico e o dos educandos. De parte do aluno este deve perceber que sua voz pode ser ouvida no diálogo e que o ensinar e aprender é uma via de mão dupla, cuja dinâmica se dá pela práxis. Apesar dessa possibilidade, a crítica que se faz é que mesmo que houvesse uma reforma no currículo (avaliação, frequência, conteúdos), os alunos não teriam condições por si só de decidir o que aprender e como aprender uma vez que o professor tem mais anos de estudos que aqueles. Outra leitura é que, como o próprio Freire reconhece, sua prescrição é uma utopia, pois demandaria uma reforma total da sociedade (política, econômica, cultural) e o problema é que até hoje na história não se teve uma reforma realmente antiautoritária, pois nem mesmo a "Revolução Cultural" chinesa foi libertária, sendo tutelada pela batuta de outro sistema (contra o capitalismo 'que seria o opressor' naquele caso) chamado socialismo, aonde os "inimigos" do novo regime eram assassinados por motivos políticos e por serem tão críticos quanto eram os socialistas frente à monarquia dos Mandarins chineses! A pergunta continua soando ensurdecedoramente: qual "opressor" irá admitir por livre e espontânea vontade que oprime? Qual "oprimido", para superar sua condição como tal, não se tornará futuro opressor?