Google+ Badge

COMPARTILHE

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A HISTÓRIA QUE OS EUROPEUS SEMPRE QUISERAM!


Leandro de Freitas Pantoja
Graduando em História
Universidade Federal do Amapá
UNIFAP
leandrofreitas1349@gmail.com



"Havia a Europa e nisso se resumia a história"
Henri Moniot





Acadêmico Leandro de Freitas Pantoja
A epígrafe, segundo Moniot (MONIOT, Henri. A história dos povos sem história. In: LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. História: Novos Problemas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976. P. 99-112), caracteriza sistematicamente a ideia eurocêntrica de mundo ou civilização e a concepção herdada da modernidade.

A ciência europeia, o conhecimento e o progresso tornaram o velho mundo o "paradigma exemplar" de sociedade e civilidade, detentor da lógica e de todas as faculdades humanas evoluídas. Detentor do projeto cientificista europeu Positivista iniciado no século XIX, das recém-constituídas ciências do homem apresentando o modelo metódico para compreensão dos problemas demandados das contradições, dos conflitos, das instabilidades e das crises presentes e passadas da sociedade.

A História científica (consagrando a paternidade a Leolpold V. Ranke, historiador alemão) surgirá neste clima, com métodos e objetos próprios para a reconstituição dos eventos factuais históricos tendo a Europa como berço histórico.

O significado histórico das relações coloniais a partir dos primórdios da mundialização da economia europeia e de seu modelo social nos séculos XV-XVII, relegou, a posteriori, a forte tradição do paradigma eurocêntrico como atributo comparativo das formas diversas do "outro" (alteridade); dos meios tecnológicos; das constituições culturais (cristianismo) e da sociedade em geral concebida sempre em vias de um sentido único de civilização – a do Velho Mundo.

Esse dilema histórico ou a forte imposição eurocêntrica no mundo ocidental e oriental, postulou aos "povos inferiores na escala sócio evolutiva" (africanos e ameríndios, principalmente). Um relegar de seu passado na medida em que emergem "social e historicamente" em razão do contato messiânico do europeu.

Essa "dádiva" sairia caro, manifestando-se emblematicamente no grande "etnocídio" (Termo que designa não somente a extinção física de povo ou grupo como também de sua cultura. Apud: BRITO, Cecília M. C. Índios das "Corporações": trabalho compulsório no Grão-Pará no Século XVIII. In: ACEVEDO, Rosa E. M. A Escrita da História Paraense. Belém: UFPA, 1998, p. 115-137) sofrido pelos sujeitos até então a-históricos, compreendidos tradicionalmente numa lógica maniqueísta (do ponto de vista historiográfico ocidental) em seu passado e devir histórico, mas ainda sim sujeitos de suas escolhas.

Os povos "descobertos" pelo europeu, situados além dos limites geográficos da Europa e a forma como se relacionaram, produziu uma experiência singular no cerne do emergente mundo moderno e suas instituições. É inegável a força teológica cristã manifestada nos espaços coloniais do ocidente e sua legitimidade justificadora de ações de natureza impositiva e segregativa. Todo esse processo, não passivamente aceito, mas em "relativa desvantagem", transformou sujeitos africanos e ameríndios não expropriados de suas escolhas, mas apáticos a elas, reféns de uma história/realidade compartilhada, induzida e a luz de princípios e postulados alheios aos seus.

O olhar análogo etnocêntrico trazido da Europa carregou consigo a bagagem histórica de séculos de progresso gradativo e linear que justificava seu "grau" de sociedade/civilização e superioridade política/cultural em relação às outras organizações sociais. Nesse processo a ideia de categorização dos grupos humanos em estágios – selvageria, barbárie, estado de natureza – solidificava cada vez mais o "fardo do homem branco"; sua responsabilidade para com o "mundo em atraso" e com o forjar de um homem "equiparado" (a sua condição) mesmo reduzindo-o à condição de cativo e alienado da evolução social humana (Darwinismo Social – Herbert Spencer 1820-1903), suprassumo do projeto ideológico neocolonial oitocentista.

Herbert Spencer
Tanto no mundo colonial americano quanto africano é persistente a lógica "sangue, religião, escravidão" como força propulsora da conduta política, religiosa e social e das relações de trabalho nos espaços subjugados. A escravidão é um fenômeno marcante para a afirmação da autoridade econômica e principalmente para hierarquização e exclusão social na colônia americana ibérica. Na dimensão dos gentios da América portuguesa, "inconstantes por natureza", tem-se uma necessidade inicial: incorporá-los no âmbito da atividade mercantil (escravizá-los) e logo em seguida cooptá-los à tutela do poder religioso mediante a catequese.

O negro africano rigorosamente enquadrado na estrutura escravocrata é peça fundamental para o "sucesso" econômico da colônia e manutenção do prestígio e poder de uma elite colonial (e talvez pós-colonial brasileira) religiosamente consagrada, quando então submissa às aspirações pró-patriarcal.

O aspecto religioso é o meio legitimador de "certas" condições humanas no contexto colonial: esse momento legitima a escravidão de uns e em outro delega a conversão e salvação. Nisso pode se antever bases notórias do racismo moderno. A negação do convívio medieval entre as três religiões cristã, judaica e muçulmana, com vista a uma uniformidade religiosa (conversão compulsória) marca esse processo e expõe os estigmas aos judeus, ameríndios, negros etc., como seres à margem sociocultural do império ibérico.

Por fim, na mesma medida em que possui importância frente ao Estado Português, a instituição religiosa relativamente se omite no que diz respeito à constituição social hierárquica dos sujeitos na colônia portuguesa. Parece ausentar-se de tal processo sem contrapor argumentos redefinidos sobre a questão da segregação e marginalização social dos agentes coloniais.






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO: UM QUESTIONAMENTO SOBRE O SENTIDO DO HOMEM



Fernanda Pinto Ávila
Marco Aurélio Alves de Oliveira
Sandrine Gonçalves Barros

Artigo produzido na disciplina  de Estudos Filosóficos I
Orientador:
Prof. Gerson N. L Schulz


 No conjunto dos vários problemas diante dos quais a filosofia se situa, a educação surge como uma questão básica. Assim, pensamos que ela se trata do processo que tem por objetivo integrar o "eu individual" no "eu coletivo" como membro consciente e crítico. Então, a educação condiciona todas as facetas daquilo que chamamos de existência propriamente humana.

É um postulado, por conseguinte, que o homem se torna humano graças à educação. Nesse processo, surge a Filosofia da Educação que se constitui um questionamento radical, uma procura das mesmas razões e consequências do sentido da educação.

Educação: preocupação de todos os povos.
Qual a imagem do homem que a sociedade tem para si como ideal? Ora, a resposta a essa pergunta indica-nos a finalidade para a qual o homem deve ser educado, na visão daquela sociedade.

De tal forma, a Filosofia da Educação almeja levar à compreensão do processo educativo como tal para que a escolha dos objetivos e meios seja a mais coerente com as necessidades fundamentais para educar o homem. Ela não aceita automaticamente as concepções de homem que se tem, pois antes disso deve interpretá-las e criticá-las, mostrando os propósitos e as consequências da sua aceitação.

Porque visa à educação como processo que inclui o homem como um todo, a Filosofia da Educação engloba outras questões que interessam à Filosofia como a questão moral; a questão da finalidade da vida humana: individual e coletiva; a questão da justiça, por ser a educação um processo eminentemente voltado para a coletividade e por ela incentivado; a questão do sentido do eu e do outro e do mundo dos quais depende o desempenho de todo o processo educativo, o que exige a mais estreita reciprocidade entre teoria e prática, entre exigências e possibilidades, entre realização e desafio.

Por fim, é por aí que se busca definir o sentido do homem ao definir-se que relação há entre esse sentido e a realidade. Então, antes de se saber o que se quer do homem, é preciso formar o homem e é esse o papel da Filosofia da Educação.