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sábado, 9 de julho de 2011

O QUE É PSICOPEDAGOGIA?

Gerson Nei Lemos Schulz



Essa semana o Blog entrevistou a Psicopedagoga Alessandra Caldeira da Costa, Mestranda em Educação, Especialista em Aspectos Legais e Metodológicos, em Didática do Ensino Superior e Consultora educacional. Acompanhe.

Blog: Do que se trata a Psicopedagogia e porque a senhora escolheu esta profissão?

A Psicopedagogia trabalha não só com síndromes, sintomas e dificuldades de aprendizagem, e sim, tem um enfoque preventivo, principalmente no segmento institucional abordando as práticas educativas que buscam trabalhar o educando antes que o sintoma apresentado vire síndrome, isto é, atuar com técnicas que auxiliam a criança ou adolescente a superar as barreiras que o estão impedindo de aprender, como também, orientar a prática do professor. No aspecto clínico, busca tornar viável a aprendizagem, seja ela qual for, respeitando o limite do educando e desenvolvendo as habilidades necessárias para vida social / escolar. Eu escolhi esta profissão porque tenho interesse e busco entender e auxiliar no mecanismo da aprendizagem, como ocorre frente aos limites e desafios da saúde e do comportamento.

Profa. Psicopedagoga Alessandra Caldeira, diretora da Educ+
em Bagé - RS
Blog: A senhora é natural de Bagé/RS, mas morou em Fortaleza/CE durante bastante tempo trabalhando na área educacional. Poderia comentar um pouco sobre essa experiência?

Trabalhar na área educacional em Fortaleza me trouxe uma bagagem profissional surpreendente. Fui muito bem recebida na minha área e reconhecida pelo trabalho desenvolvido. Quando cheguei à cidade fui procurar escola para meus filhos e para minha felicidade já fui convidada a fazer parte da equipe como Psicopedagoga Institucional, logo encontrei escola para os filhos, emprego, amigos e oportunidades. Com o trabalho desenvolvido nesta escola, me convidaram a atender clinicamente no Instituto Gestalt do Ceará e também, no assessoramento pedagógico da Editora FTD, desenvolvendo projetos, palestras e oficinas. Após, alguns anos nestas instituições, passei a fazer parte do quadro pedagógico do Colégio Farias Brito e da EducMais Consultoria e Treinamento, sendo que esta última dirijo uma filial em Bagé, RS. Como pude relatar foram anos de sucesso e reconhecimento profissional que, hoje, estão na minha história, pessoas e instituições que cultivo com amizade e parcerias.

Blog: Atualmente o Brasil ainda apresenta baixos índices de aproveitamento escolar. Nesse sentido, qual é o papel do pedagogo e do psicopedagogo frente ao processo de ensino-aprendizagem?

Podemos dizer que o que move a educação atualmente são os índices. Na década passada o enfoque do ensino era a metodologia, nesta, o enfoque é a avaliação. Mas, tanto os professores como os psicopedagogos, ou ainda qualquer atuação da área, precisam entender em seu papel de atuação é que não podemos ver como dois sistemas separados (metodologia e avaliação), pois um é consequência do outro. O trabalho pedagógico e psicopedagógico deve se dá com um “olhar inovador e coerente”, adequando em suas práticas tendências educacionais e não esquecendo as bases que movem esse entendimento que deve ser “a relação professor/aluno” e a “ética nas interrelações”. Não tem como colocar uma receita milagrosa, pois contamos com uma diversidade de realidades que somente uma prática com comprometimento, pesquisa e um pouco de ousadia, nos direcionará para uma melhor qualidade, retenção de alunos e bons resultados.

Blog: A senhora, além de professora e psicopedagoga, também é Consultora Educacional, o que faz o consultor em educação e em quais setores atua?

O Consultor de Educação pode atuar em pesquisas, palestras, oficinas, cursos e projetos; no setor educacional, social, cultural e ambiental. E onde sua criatividade, competência e imaginação permitirem.

Blog: Hoje em dia muito se fala em ética na educação, mas também se sabe que o Brasil, em geral, ainda paga mal seus professores do ensino básico; sendo assim, a senhora pensa que é possível o poder público exigir do professor que forme um cidadão ético e compromissado com o bem estar social enquanto, em alguns municípios há docentes recebendo R$ 50,00 de salário?

Infelizmente a realidade para muitos é cruel, mas tenho que ser mais racional do que emocional para responder, pois não podemos firmar nossa ética e nossas atitudes na atuação errada de terceiros (poder público). Embora essa situação, precisamos manter nossa postura de profissionais da educação e buscarmos mais e o melhor, não nos acomodarmos e exigir reconhecimento pelo trabalho realizado. Esta situação é tão antiga quanto a profissão, mas não temos que ter vergonha e sair do conformismo.

Blog: Com base em sua experiência poderia fazer, rapidamente, um comparativo entre a situação educacional do nordeste e da região sul do Brasil?

Os princípios educacionais são os mesmos em todo país, o que muda são as regionalizações de alguns assuntos e ações educativas, a busca por melhorias de qualidade e qualificação é algo em comum. Muitas vezes é o olhar das pessoas que trazem certa diferença, colocando rótulos e discriminações. As verbas públicas estão presentes, em algumas regiões mais outras menos, que eu considero uma falta de gestão para melhor administrá-las e buscá-las. No sul e no nordeste existem diferenças culturais, mas, a meu ver, jamais de condições de ensino, pois os dois extremos têm o lado da miséria e o lado da abundância; a valorização e o descrédito, o comprometimento e a expressão “vamos ver no que vai dar”... Então, antes de comparar, devemos é atuar com eficiência dentro da realidade de cada região.

Blog: Na atualidade os Parâmetros Curriculares nacionais (PCN’s), orientam a escola à formação de alunos “críticos” sem definir o que seja “crítico”. O que é um aluno crítico para a Pedagogia e a Psicopedagogia?

Na Pedagogia o aluno crítico deve ir além do que está escrito no PPP e não praticado, e sim, um aluno que não se conforme com “pouco caso” no ensino, que atue realmente em prol de sua aprendizagem, seu bem estar e do lugar onde vive. A Psicopedagogia, pega gancho nesse conceito, mas acrescento que seja um aluno que reconheça suas limitações, aceite o desafio de transpô-las e não admita ser “colocado” em qualquer escola somente para dizer que está “incluso”. Claro que, na prática, esse discurso tem falhas, mas precisamos sonhar, ousar e sempre buscar o melhor.