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terça-feira, 2 de junho de 2015

A PONTE

ESSA "BOSTA" QUE AÍ ESTÁ...



Versão em áudio para cegos
e também para quem não gosta de ler
(outro tipo de cegueira?) 

video

Márcio Nascimento
(15 de abril de 2015)

Pós-doutor em Matemática
Prof. universitário em Belém do Pará - PA








Vivemos no Brasil a era da "ditadura do politicamente correto". O que seria essa "ditadura"?

As redes sociais, blogs e a grande imprensa têm incentivado reações e revoltas de todos os tipos contra pessoas que simplesmente dizem o que pensam. Não estou falando aqui em depoimentos que usam a injúria, a calúnia e a difamação ou outra atividade ilegal. Não me interpretem mal (senão as reações podem ser imprevisíveis!). 

Os humoristas da chamada "Stand Up Comedy" (comédia em pé), já estão reclamando disso há muitos anos, dentre eles o grande ator e humorista Gregório Duvivier. Você pode discordar de tudo o que ele fala e achá-lo um verdadeiro idiota (é um direito seu), porém os argumentos agressivos, numa reação em cadeia,  levam as pessoas a desconsiderar tudo o que o indivíduo tem de valor e se fixar naquilo que os está atingindo. Quem viu alguma peça de teatro do Gregório, provavelmente concorda que o seu talento é enorme. 

Eu, por exemplo, acho ridícula a atitude do grande músico e compositor Lobão na sua saga contra a esquerda e o seu trajeto em direção à "Veja", mas não deixo de me sentir feliz ao ouvir "chove lá fora e aqui tá tanto frio...", ou seja, separo o joio do trigo; como falava Brizola - não misturo alhos com bugalhos. Também me lembro da polêmica declaração do garboso galã Caio Castro, que disse - no programa da elegantíssima Marília Gabriela - que não gostava de teatro. Ora bolas, ele não gostava e falou a verdade. Ele deveria mentir para ser querido pelos seus colegas amantes de teatro? Pode ser que quando ele amadurecer como ator, acabe fazendo teatro. A excelente atriz Regina Duarte, se não me engano, não faz teatro (e têm opiniões bem controvertidas). 

A grande imprensa também costuma cavocar a única opinião "imbecil para a maioria" (Clementina de Jesus adorava essa palavra, eu acho),  e a expor nas suas chamadas de reportagens.



Às vezes a manchete é uma mentira deslavada e no centro da reportagem relativiza-se os fatos aproximando-os da "verdade" (que provavelmente nunca será atingida). Sei que todo jornalista tem que formatar uma pauta que interesse ao seu leitor (e a mais alguém que não se sabe bem quem é...), porém os exageros são frequentes! E isso acaba incentivando essa reação em cadeia.

Mas essa discussão talvez interesse à filosofia, pois me remete ao livro de Sartre, chamado "A Náusea", publicado em 1938. Uma obra clássica do século XX.  Li algumas vezes para começar a entender, e com ajuda de alguns mestres consegui melhorar nesse best seller (?).


O autor de: "A Náusea".
O professor Clóvis de Barros disse em uma de suas aulas disponíveis no youtube (um vídeo com o mesmo título do livro), que a Náusea é a ressignificação sartreana do conceito heideggeriano de angústia. Ou ainda, que a náusea sartreana é a constatação de que poderia não haver nada no lugar do que há. Ou ainda, "essa bosta que aí está" poderia muito bem não estar, e o nada seria mais interessante do que isso. Desculpem-me pela palavra "bosta", mas até o Chico Buarque a usou. Portanto, não estou sendo politicamente incorreto para os que adoram o Chico e o contrário para quem o detesta (existe alguém?).

Será que essa angústia pelo que estamos vendo nas redes sociais vai se tornar uma náusea? Será que muitos, de fato, sentirão a náusea física? Acharão que a existência é um azar? Que a vida não vale a pena ser vivida? Que sua existência é uma existência que não vale a pena existir? Hein..., estou sendo coerente ou imbecil, Professor Clóvis?