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sábado, 15 de fevereiro de 2014

O PROFESSOR DE MATEMÁTICA E O MITO DA CAVERNA


Márcio Lima

Prof. Adjunto da Universidade Federal do Pará
UFPA


Pós-doutor em Matemática - Universidade de São Paulo

USP 


Prof. Dr. Márcio Lima - UFPA.
Muitos já disseram sobre o "Mito da Caverna" de Platão: aquelas pessoas presas na caverna, sem poder virar suas cabeças, olhando apenas para uma parede, onde passam sombras de outras pessoas que trabalham por cima dessas, ainda dentro da caverna. Fora da caverna, "o mundo real" com suas maravilhas: o sol, as flores, o conhecimento, a vida de liberdade.


Uma dessas pessoas, o José, é solta e pode subir e observar tudo por dentro da caverna e depois fora dela, com direito ao banho de sol. Ele percebe o quanto era irreal aquele mundo das sombras em que ele vivia e sente pena dos seus amigos que ainda estão presos e vendo apenas sombras.


Quando o José é colocado de volta no seu lugar anterior dentro da caverna, ele tenta convencer seus amigos de que o que eles veem não é a realidade, que é apenas uma pequena parte da realidade, muito restrita e que o mundo é muito mais do que aquilo, e melhor. Obviamente eles não acreditam nele, acham que quem está fantasiando é ele, o José. E agora José?


Penso que nós – professores de Matemática – sejamos o José, tentando convencer nossos alunos de que a realidade em que eles vivem não é real, que existe muito mais do que eles veem. Outros colegas nossos talvez sejam aqueles que fazem as sombras, tentando esconder ao máximo de seus alunos a realidade e a liberdade. Outros – talvez os piores – sejam aqueles que nem entram na caverna para discutir, sabem da sua existência e fazem questão de passar longe!


"A morte de Sócrates"
Assim acredito que devamos tentar ser o José, mas um pouco mais convincentes, para que os nossos amigos consigam uma maneira de se libertar da caverna e ver o sol nascer e depois se por.


 Por fim, será que com isso eles serão mais livres? Ou descobrirão uma caverna maior ainda? Ou uma casca de noz gigante que contenha todas as cavernas? Será que eles querem ser libertados?

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A PEDAGOGIA SOCIALISTA DE ANTONIO GRAMSCI

Autoras:

Danielle Souza
Francine Freitas
Louise Souza 
Michely Jaques
Vilma da Rosa

Acadêmicas do curso de Pedagogia
Universidade Federal do Rio Grande
FURG

Orientador:
Prof. Msc. Gerson N. L. Schulz


            
Ao pensarmos em pedagogia socialista e em conceitos como materialismo histórico e dialética, certamente logo os leitores que possuem uma ideia inicial sobre essa teses fundamentais da filosofia pensarão imediatamente em Karl Marx (1818-1883). Porém, nosso artigo versará sobre outro autor: Antonio Gramsci (1891-1937).

Sem dúvida, a contribuição de Marx para a educação foi a de defender que a mesma deveria ser pública e gratuita para todos. Marx, juntamente com Engels, no livro "O Manifesto Comunista" escrito entre 1847-1848, defende a inseparabilidade da educação e da política da totalidade social, e de articular tempo livre entre trabalho, estudo e lazer. Pelo fato de Marx, em sua obra, procurar realizar a inseparabilidade ente valores educacionais e concepções políticas, observaremos que ele não realizou uma análise sistemática de escola e de educação e o questionamento educativo foi condicionado de modo ocasional. A conclusão que chegamos por intermédio das obras marxianas é que seu objetivo principal era de conscientizar todos os indivíduos de que a educação não pode ser desassociada da conscientização política.


Dentro deste terreno de discussões, surgem as ideias de Antônio Gramsci, filosofo italiano que sistematiza, então, uma educação para essa sociedade citada por Marx (socialista). Gramsci pensa de uma forma mais clara e comprometida de escola. Ele pretendia, por meio da escola, emancipar as massas, dar a todos o acesso a uma mesma educação, o que pela reforma de Giovanni Gentile, Ministro da educação de Benito Mussolini, era impossível já que a educação das classes dominantes baseava-se em um ensino tradicional e a das casses pobres, na Itália dos anos 1930, no ensino profissional.

Para Gramsci, o modelo de escola italiano designava muito bem os papel de cada indivíduo na sociedade, dando uma continuidade e estabilidade pra que se mantivesse o status quoGramsci, para superar a escola tradicional burguesa, pensou uma escola chamada Unitária. Ela pretendia transmitir a cultura em geral e um ensino que fosse para além do saber, para o "saber fazer com", ou seja, não só aprender a operar objetos, mas compreender sua função e seu entorno (ensino profissional desvinculado da ideia de produzir por produzir), sem reflexão.




Gramsci
Nessa perspectiva, ele acreditava que o currículo deveria embasar-se em dois eixos: instrumental (que seriam os conteúdos elementares) e deveriam ser aplicados pelo menos nos primeiros anos (ler, escrever, contar, conceitos científicos); e cidadania, que dizia respeito aos deveres e direitos dos cidadãos.


Por fim, a conciliação entre as duas propostas que regiam a época e a unificação, difundindo em um mesmo ensino não garantiria que todos se tornassem "iguais", pois na sua compreensão todos teriam um potencial, mas nem todos os desenvolveriam de uma mesma forma, para uma mesma função. Seu objetivo então era a igualdade de oportunidades, pulsando para uma tendência democrática. A partir dessas ideias de educação e cidadania como indissociáveis, Gramsci foi considerado "pedagogo da emancipação das massas".