Google+ Badge

COMPARTILHE

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

TEORIA "QUEER", HOMOAFETIVIDADE E ANDROGINIA

Gerson Nei Lemos Schulz






 

Judith Butler

O tema do artigo de hoje é pedido especial de um leitor e é um assunto polêmico. Polêmico porque, de acordo com Tomaz Tadeu da Silva, (In: Documentos de Identidade, 1999) a palavra "queer", traduzida do inglês significa "bicha". Por outro lado, "queer" também pode ser "ridículo", "estranho", "esdrúxulo" ou "extraordinário". Para Guacira Louro (In: O corpo estranho, 2004) esse termo é uma tentativa de amenizar o preconceito existente contra os homossexuais ao longo da história. Já Judith Butler (In: Criticamente subversiva, 2002) atualmente ser "queer" é uma forma de vida. Daí, ela conclui que a homossexualidade não é doença, mas opção ou orientação sexual de uma pessoa. Segundo o texto da edição 207 de 2004 da Revista Superinteressante, desde 1973 a Associação Americana de Psiquiatria eliminou a palavra homossexual da lista de transtornos mentais e essa decisão influenciou também todas as entidades de psicologia e psiquiatria no mundo.

Já para Leandro Colling do Centro de Estudos Multiculturais ligado à Universidade Federal da Bahia, há discordâncias entre ser "queer" e ser "gay". Pois, segundo ele, "queer" é a teoria da desconstrução que estava na moda no pós-estruturalismo de Michel Foucault nos anos 1960. Para Colling os movimentos "gay" usam um termo anterior à proposta pós-estruturalista que é o conceito de "normalidade". Assim a pergunta que podemos fazer daí é: o que é ser normal? Em seu artigo publicado na página do Grupo de Estudos Culturais da UFBA (Conceitos em Trânsito, p. 2) Colling cita o exemplo das tentativas do Grupo Gay da Bahia (GGB) em processar a Rede Globo de Televisão e seus autores de novelas devido aos personagens "gays" de suas tramas pelo fato de, na visão dos associados, os personagens serem sempre estereotipados, denotando "anormalidade".
  
Colling vê nisso um preconceito por parte dos próprios homossexuais e contrariedade com os "queer" que desejam denunciar a normalidade, ou seja, a teoria "queer" não quer que o "gay" seja visto como "normal" até porque para eles não existe modo seguro de classificar alguém como "normal", pois, segundo eles, o que entendemos por normal é construído culturalmente e, o que é normal aqui em nossa cultura, poderá ser absurdo em outra. Por conseguinte, para os "queer", os "gays" erram ao reclamar por inclusão e reconhecimento como aparentemente desfrutam os "heterossexuais" na sociedade porque a cultura, historicamente instituída, ensinou que ser "heterossexual" é "normal", mas para os "queer" ser "normal" é apenas mera convenção também e, consequentemente, não é verdade absoluta, então não tem sentido "protestar" pelo "direito de ser normal". A autora Susan Sontag (In: Notas sobre o Camp, 1987), diz que há outro conceito, que ela chama de "camp", que quer dizer "sensibilidade". Isto é, uma pessoa pode nascer homem, mas ter traços físicos do outro sexo sem ser necessariamente homossexual.
Michel Foucault

Por fim, conclui Sontag, o homossexual é alguém que sendo homem, tem genitais masculinos ou sendo mulher possui genitais femininos, entretanto seu "camp" (sensibilidade) leva-o para a androginia (como se tivesse no mesmo corpo os dois sexos). Isso lembra a filosofia de Sartre quando diz que a "existência precede a essência". Ao aplicar esse conceito ao homossexualismo, ouso afirmar que o fato de uma mulher/homem ser atraída(o) sexualmente por outra(o), mostra que não é o sexo que determina a mente, mas a mente que determina a sexualidade.