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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ORDEM E PROGRESSO?



Prof. Gerson N. L. Schulz

Com os acadêmicos:

Andressa Queiroz

Caroline Moura

Julie Costa

Liany Mattozo

Ludmila Acosta


Melina Santos

UNIVERSIDADE FEDERAL
DO RIO GRANDE - FURG



AUGUSTO COMTE
A expressão "ordem e progresso" surgiu do Positivismo. Essas ideias fazem parte de uma doutrina filosófica de mesmo nome ocorrida na França no século XIX, cujo principal idealizador foi Augusto Comte (1798-1857). O Positivismo pretendia realizar uma reforma social. Ao afirmar que a única ciência capaz de transformar a sociedade era a física-social, que era a ciência positiva dos fatos reais, o Positivismo almejava estabelecer também o domínio completo das ciências empírico-formais.

Comte queria destruir a metafísica, pois ele não acreditava e nem aceitava algo se desse via dedução. Sendo assim, dava preferência às ciências experimentais, ou seja, confiava no conhecimento dos fatos reais e não as especulações teológicas ou filosóficas.

Na prática, o Positivismo é considerado, sociologicamente falando, uma teoria a favor das classes burguesas, porque – segundo Comte – a pobreza e a riqueza são características naturais da sociedade e, sendo assim, o controle do desenvolvimento deve estar nas mãos dos ricos porque possuem poder suficiente para manter todo o conjunto social em constante avanço.

O positivismo de Comte teve grande influência no Brasil, tanto que na constituição de 1891 a bandeira brasileira passou a ostentar o lema "ordem e progresso" extraído da formula máxima do positivismo: "o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim." Esse "amor" no lema positivista teve origem na paixão platônica de Comte por uma mulher casada, a escritora Clotilde de Voux. Sua paixão o fez perceber que o sentimento de amor era o princípio entre as relações de mãe e filho, pois ele acreditava que se o filho fosse amoroso com a sua mãe, ele também seria amoroso ao inserir-se na sociedade e isso traria a paz entre as pessoas e a harmonia social.



A ordem para Comte tinha como finalidade a reprodução do discurso vigente e a manutenção da hierarquia e da obediência. Para Comte a sociedade só podia ser regida por pessoas práticas, técnicas, como engenheiros, matemáticos e até conhecedoras de outras ciências, mas que fossem capazes de comprovar sua compreensão de mundo de forma científica. Além disso, a ordem estabeleceria um maior controle da sociedade, evitando revoluções, consideradas "anômalas".

O progresso, para Comte, é uma consequência da ordem, pois no pensamento positivista "a pior ordem é sempre melhor que desordem". Ou seja, ao manter a ordem vigente, mantendo a sociedade doutrinada, o progresso estaria garantido. E isso só poderá ocorrer por meio do sistema capitalista que – para Comte – é o único capaz de manter o desenvolvimento e o progresso da tecnologia e da ciência.

Por fim, o positivismo ainda tem grande influência no Brasil principalmente no Direito (defensor da propriedade privada e na própria estrutura hierárquica da justiça brasileira), no Exército, Marinha e Aeronáutica (instituições altamente hierarquizadas) e nas polícias militares (também hierarquizadas) que são instituições onde a ordem, o comando e a obediência são condição sine qua non para que o próprio aparelho do Estado se mantenha. Resta, porém, a pergunta: no caso do Brasil a "ordem" vigente desde a proclamação da República tem levado toda sociedade ao progresso técnico-científico?


Referências


GADOTTI, Moacir. História das Ideias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 2005.

JÚNIOR, João Ribeiro. O que é Positivismo. São Paulo: Brasiliense, 1995.