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segunda-feira, 1 de julho de 2013

SOMOS PÓS-MODERNOS?

OPINIÃO ESPECIALIZADA


Josiane Garcia Cabaldi Albanaz
Licenciada em Letras Português e Espanhol e Respectivas Literaturas pela Universidade Federal do Pampa- UNIPAMPA.

Luciane de Andrade Duarte
Licenciada em Pedagogia na Universidade Federal do Pampa- UNIPAMPA.

Pós-graduandas do Curso de Especialização em Culturas, Cidades e Fronteiras- UNIPAMPA. 

Orientador:
Prof. Msc. Gerson N. L. Schulz

Quando se parte do princípio de que a vida em sociedade é padronizada e que somos constantemente julgados por um sistema de valores, se faz necessário pensar sobre o período em que vivemos, denominado Pós-modernidade. 

Dr. Zygmunt Bauman,
autor polaco e um dos teóricos
da Pós-modernidade.
Para tanto é essencial, primeiramente, definir e diferenciar este período do seu antecessor, a Modernidade. Na modernidade o pensamento predominante era o de que o ser humano tinha uma essência, uma história, que era passada de geração para geração como algo que construía sua identidade, regida por um sistema de valores e regras que deveriam ser seguidos à risca. Já os pensadores pós-modernistas contestam tudo isso. Para eles o ser humano é circunstancial, a-histórico e se proclama a mortalidade de regras e da imposição de valores.

Porém, se pensarmos que não temos uma essência, ou seja, não se pode definir o ser humano de uma maneira universal, temos que pensar também até que ponto vai o liberalismo da pós-modernidade. Considerando que vivemos em um sistema que, de certa maneira, a educação religiosa, a ética, o ensino, a política, tudo isso regula comportamentos e apregoa a moral e os bons costumes universalmente, não podemos afirmar que estamos em um período pós-moderno que nega totalmente essas imposições.

O amor pós-moderno
seria "líquido". Zygmunt Bauman.
Também acreditamos que vivemos em uma sociedade em que o papel da escola é o de formar mão-de-obra para o mercado de trabalho e que a educação não se preocupa mais com o humanismo, embora se pregue o contrário, e em que a igreja ainda dita o que é certo e o que é errado, universalmente, e onde somos regulados por leis universais. 

Por isso, pensamos ser inadmissível em plena era considerada pós-moderna a sociedade ficar condicionada a notícias referentes, por exemplo, a renúncia de um papa e à escolha de um novo, como se este tipo de acontecimento fosse de interesse de todos ou algo que mudaria a humanidade. Esse tipo de notícia seria de suma importância para nosso dia-a-dia se vivêssemos em uma era medieval na qual todo o poder estava nas mãos da igreja católica. Porém, hoje tal fato ser manchete em todos os meios de comunicação, com tanta ênfase, é algo simplesmente sem razão de ser, já que estamos vivendo teoricamente em um período de desconstrução de comportamentos como esse.

Sabemos que nossa sociedade hoje é constituída por pessoas de crenças diferentes e que várias não possuem nenhum tipo de crença religiosa, chegando a ser até uma afronta para as demais religiões essa exaltação por parte da mídia sobre os acontecimentos que envolvem as questões da igreja católica.

Assim sendo, terminamos este texto com a mesma dúvida que tínhamos ao iniciá-lo: a pós-modernidade existe ou é uma utopia? O exemplo da religião foi apenas um que citamos, pois existem muitos outros aspectos em nosso tempo que nos remete a esta mesma pergunta.

Cabe salientar que o fato de a pós-modernidade ser marcada por desconstruir certos valores e tirar das mãos de algumas instituições o poder, faz com que exista um movimento com o objetivo de não aceitá-la. Compete-nos, enquanto sujeitos atuantes da sociedade, decidir qual a sociedade que queremos, se estamos conformados a viver sob algumas regras, costumes e valores medievais ou se queremos viver em uma sociedade onde todos possuem os mesmos direitos e deveres.   

Para Bauman
a Pós-modernidade acarreta
um "mal-estar" nos conceitos de
identidade, cultura, moral,
ética, razão porque os
torna relativos.
Caso queiramos nos encarar como pessoas pós-modernas é preciso fazer uma crítica à ética tradicional e revisar profundamente os preceitos, que regulam como devemos viver. Podemos afirmar, sim, que estamos em um tempo de reflexão, renovação para uma possível modificação do pensamento moderno, o que ainda pode perdurar por longa data. No entanto, não podemos viver só de vontades, esperanças, temos que lutar para que a transição para a pós-modernidade ganhe de fato um tempo e um espaço.