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sexta-feira, 2 de julho de 2010

A VIOLÊNCIA VAI À ESCOLA


Gerson Nei Lemos Schulz


Já falei aqui neste espaço algumas vezes sobre a violência. A violência que ocupa os noticiários de TV, que amedronta o cidadão de bem, que assusta cada vez mais nossas crianças e jovens. É nesse sentido que peço licença para hoje apresentar alguns elementos norteadores da discussão sobre o assunto. Para isso, cito o artigo "A violência escolar na região amazônica", de autoria do historiador e especialista em Metodologia do Ensino Superior, professor Matias Ferreira do Nascimento que recentemente escreveu monografia sobre o assunto, cujo tema é o penúltimo artigo do livro "Educação na Amazônia", organizado por mim.





Para Nascimento a violência é uma transgressão ética que acarreta violação dos direitos humanos (direito à liberdade de expressão, à saúde, ao trabalho e à participação no processo político), direitos estes que devem ser universalmente protegidos. Em relação à cidade de Macapá, a violência é explícita, segundo ele, pois este quadro é visível por meio dos diversos jornais impressos que circulam na cidade. Uma das notícias mais consistentes, publicadas entre abril de 2006 e setembro de 2007, foi a de 26 de abril de 2006 no Jornal Diário do Amapá. Segundo o artigo, a manchete estampava: "Agressão a professor causa tumulto". O texto narrava que após ser agredido fisicamente pelo filho da diretora da escola municipal Padre Dário, o professor e coordenador da Comissão de Melhorias da escola convocou a comunidade escolar em assembléia geral a fim de exigir a presença do Secretário de Educação na escola. O professor foi agredido por protestar contra a direção da escola. Em outra reportagem do jornal Diário do Amapá a escola citada é a Cecília Pinto onde vândalos, em setembro de 2007, estavam pulando os muros para ameaçar os estudantes com facas.



Além disso, na mesma reportagem é dito que lá existia, na ocasião, "ameaças e agressões de alunos contra professores, violência sexual entre alunos e alunas, uso de armas, consumo de drogas, roubos, furtos, assaltos e violência contra o patrimônio". Para Nascimento, citando Melman (O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço, 2003, p. 69), "a violência aparece a partir do momento em que aquele que fala não é mais reconhecido”. Nascimento diz que a violência nos meios escolares aparece quando o aluno não acredita na escola e na família violentando a si próprio, bem como as pessoas que fazem parte de seu grupo social. O professor defende a tese de que a violência tem influência social, isto é, foge dos muros da escola e é trazida, provavelmente, por alunos já envolvidos com vícios e armas.



Nascimento conclui que alunos violentos não se formam no interior da escola porque, com algumas exceções, não existe tempo nem ambiente propício para isso, levando-se em conta que a maioria dos membros das escolas pesquisadas são pessoas pacíficas. Tomando a fala da gestora da escola Cecília Pinto, ele ressalta que o motivo pelo qual os jovens se tornam alvo dos criminosos é a falta de acompanhamento da família aliada à presença efetiva do Estado. Sem isso os jovens, ficam à deriva. Para Nascimento também as escolas são vítimas da violência estrutural e da falta de investimentos e qualificação dos professores por parte do Estado.