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sábado, 15 de março de 2014

A FAVOR DE UM ENSINO ENGAJADO



Alex Bruno L. Rodrigues
Denner W. de Macêdo
Fabrizzio Carvalho
Glauber R. Rabelo
Jonatas F. de Oliveira
Tatiane Suelem
Vicente dos S. Martins

Acadêmicos do curso de Pós-graduação
em Docência do Ensino Superior
pelo Instituto de Ensino Superior
do Amapá - IESAP

Orientadora:

Maria Aparecida Nascimento da Silva
Dra. em Educação
Mestre em Educação
Mestre em Planejamento e
Políticas Públicas
Pedagoga
Bacharel em Direito




A ideia de ensinar está concentrada em apresentar o conteúdo. Nessa visão de ensino, o professor tem o papel apenas de falar e explicar o conteúdo, cabendo ao aluno anotar e memorizar. Dessa forma, têm-se a ideia de que uma boa aula é aquela em que o professor domina o assunto e os alunos memorizam tudo. Porém, se a sociedade quiser alunos bem preparados, conscientes, críticos, engajados com os problemas sociais, transformadores da realidade social, deve pretender interligar as diferentes partes e aspectos do ser humano que não apenas os conteúdos específicos das disciplinas. Deverá abordar, também, o desenvolvimento social, físico e emocional dos alunos, pois, se essas necessidades forem ignoradas, será difícil conseguir excelência ou cidadãos politicamente independentes.
                
Nesse sentido é que surgem novas formas de atuação do binômio professor-aluno. Ambos construindo ativamente o conhecimento, numa parceria deliberada, gerando novas capacidades, habilidades, convicções e autonomia para entender sua realidade e abstrair novos significados.

O ensino é uma prática complexa entre professor e aluno, envolvendo os processos de ensino e aprendizagem, em uma construção gradual e contínua. Devemos pensar o processo de ensinagem, como algo que possibilite um pensar mais crítico das situações reais de que cada aluno, e que este possa elaborar novas ideias e soluções para os problemas que se lhe impõe. Problemas e soluções que deverão estar ligados aos conteúdos da disciplina.  Fazer aflorar os aspectos que condicionam uma reflexão mais desalienada e comprometida com a solução questões sociais, numa ação construída entre professor e o aluno.

Dentro deste novo olhar, de uma nova educação, cada um tem sua responsabilidade. O professor deve trabalhar com o aluno, trazendo-lhe sentido e clareza que serão trabalhadas em diversas situações especificas da realidade. Dessa forma o aluno deve quebrar a simples memorização e refletir a partir da compreensão e apreensão de uma nova síntese qualitativamente superior. Um novo conhecimento que lhe dá a oportunidade de se apropriar do quadro teórico-prático orientado pelo professor em relação à realidade no processo de ensino do aluno.

No entanto, ressaltamos que a metodologia tradicional no processo de ensino, era acompanhada da anotação e memorização: a estratégia predominante era a da aula expositiva tradicional. Dessa forma, revela a idéia de que o processo de ensino deveria se estruturar em passos a serem seguidos para que o aluno estudante tivesse a direção de suas ações, para que se garantisse a aprendizagem, por meio do símbolo a ser abstraído. Isso vem trazendo, na proposta atual do processo de ensinagem, que a ação de ensinar está diretamente relacionada à ação de apreender, tendo como meta a apropriação tanto do conteúdo quanto do processo que serão construídos pelo sujeito ativamente.

Compreendemos que as teorias sobre o processo de ensino-aprendizagem estão em plena maturidade, mas não conseguiram transpor o mundo das ideias para o mundo real. Fala-se muito sobre o processo do pensamento dialético, sobre como a visão do docente deve mudar, como funciona determinada estratégia, mas para a maioria dos professores isso ainda são apenas palavras vazias. Por que isso acontece? Por que os avanços filosóficos chegam tão lentamente à sociedade?

A história condiciona os valores, crenças, ideais. Quem ganhou, e se tornou forte e poderoso, domina o vencido, o leigo, o pobre. O dono de propriedades e do capital passa seu poderio para suas gerações descendentes e o pobre se mantém igualmente pobre por gerações. Com este ciclo ininterrupto, cria-se a ideia que as coisas são assim porque sempre foram assim. Os pobres são ensinados a trabalhar e os ricos a terem lazer e tempo para coisas mais elevadas como a aquisição do saber. Saber que os donos do capital usam como poder para perpetuar seu império, numa sociedade de classes.



Esse é o retrato da sociedade brasileira há muitos séculos. Com a queda das barreiras alfandegárias e a expansão do livre comércio, os donos de propriedades e capitais do mundo inteiro se uniram. Eles se reúnem e ditam regras e ideologias que avançam rapidamente por todo o globo. E a única resistência a esse avanço do capital, ou neoliberalismo, são aqueles cidadãos pobres, mas politizados que conseguiram, com muita dificuldade, ascender intelectualmente.

Dizemos intelectualmente porque não lhes é dado acesso ao clube dos ricos, às rodas de conversas daqueles que estão no poder há séculos. Estes cidadãos podem ganhar fortunas, mas não serão admitidos no grupo seleto que decide o destino de uma nação.

Constatamos, assim, que durante a história das nações os movimentos sociais são capazes de mudar a agenda maniqueísta e imperialista dos poderosos do capital. Por isso a importância de uma educação democrática de qualidade, libertadora, desalienadora, engajada e articulada com os movimentos sociais das classes pobres.

Os processos de ensinagem na universidade revelam que a educação pode possibilitar para o aluno a aprendizagem de uma nova visão. Que a visão sincrética superficial trazida pelo aluno, pode ser superada e reelaborada para um novo entendimento, qualitativamente superior para fins de conhecimento crítico sobre o mundo por meio de uma metodologia dialética, com estratégias didáticas contratuais estabelecidas entre professores e alunos.

Devemos considerar que as operações do pensamento carregam uma complexidade variada e crescente no currículo proposto e efetivado em qualquer processo de aprendizagem. Entender esses processos mentais possibilita a seleção de uma estratégia didática adequada para cada campo do conhecimento.

Já ouvimos várias vezes que o caminho se faz caminhando. Nessa perspectiva, traçar um método seguro para este processo de ensinagem é um desafio trilhado por muitos estudiosos. Ousamos, aqui, propor um possível caminho que poderá facilitar esta descoberta por parte do aluno. Chamaremos de ferramentas para a aquisição do conhecimento. São elas:

A mobilização para o conhecimento, que tem por objetivo provocar, acordar, vincular, sensibilizar, despertar e "incomodar" o aluno, no sentido de poder saborear esse conhecimento de maneira prazerosa e significativa. Para tanto se faz necessário que seja desafiado, estimulado para que tome consciência da realidade do objeto.

A próxima ferramenta será a construção do conhecimento. É aqui que se operacionalizará todos as atividades na prática do aluno, em sua vivência diária, na escola e na vida. Esta construção trará consigo uma atitude motora e reflexiva, utilizando-se dos mecanismos que ajudarão neste processo como: os estudos de textos, vídeos, pesquisas individualizadas ou em grupos, debates de trabalho, seminários, exercícios, entre outros; sempre buscando analisar o conhecimento.

Assim, teremos a elaboração do conhecimento, em que ocorre a sistematização, a expressão do entendimento do aluno dos objetos que foram aprendidos, sempre de forma provisória para que se possa elabora mais adiante, novas ideias, superando as antigas.

Enveredar por caminhos novos ou percorrer o mesmo caminho com um olhar diferenciado é o desafio de todo educador. Pode-se encontrar tantas formas ousadas de caminhar rumo à aprendizagem significante, contudo, se não suscitar-se para o prazer do caminhar, os passos ficarão trôpegos, os olhares murchos e a alegria frustrada.

A execução de um processo de ensinagem perpassa pelos elementos fundamentais da visão de conhecimento para superar posicionamento de inquestionabilidade na busca de compreensão e reconstrução de conhecimento, que possam conter limites e possibilidades dos sujeitos atuantes e capazes de alterar os rumos de suas escolas. Podem, assim, considerar o posicionamento consciente e contratual entre pares, isto é, professor entre si e professor e aluno, direção da superação da alienação na responsabilidade, na competência, na ética profissional, principalmente na construção do profissionalismo advindo da universidade.

Nesse contexto é necessário construir uma metodologia dialética como forma de pensar na criação concreta, ou seja, a síntese elaborada e consolidada para o domínio do instrumento oferecido pelas áreas especificas para o enfrentamento da realidade. Por isso, buscam-se percursos dos conteúdos curriculares para as ações crescentes e de evolutiva complexidade, na construção dos cursos de graduação e para formação profissional contínua dos sujeitos envolvidos para compor ações de responsabilidade pessoal e institucional necessárias aos desafios da realidade atual.


Por fim, estamos, aqui, diante de um desafio: nos posicionarmos para a conquista de um novo modo de ver o conhecimento, desenvolver uma real solidariedade entre professores e alunos para que se efetive uma aprendizagem crítica, com base nas leis e princípios essenciais dos programas pedagógicos e dessa forma conquistar uma ação docente continuada, inovadora e comprometida.

domingo, 9 de março de 2014

O FETICHISMO NA MÚSICA



Alessandro Ronan da Silva Magalhães

Bacharel e Licenciado em Música 
pela Universidade Federal do Pará – UFPA
e pela Universidade do Estado do Pará – UEPA





Gostaria de analisar hoje, nessa primeira oportunidade de vir a público, o gosto musical. O gosto está em constante mudança, fruto do próprio instinto humano. Assim, parto da tese de que na medida em que a paz musical do ser humano se encontra perturbada existe a decadência do gosto pela música.

Penso que nos tempos atuais todos tendem a obedecer cegamente à "moda musical". O indivíduo já não consegue ter liberdade para opinar frente ao que lhe é apresentado, uma vez que tudo parece tão semelhante. As artes autônomas não são mais valorizadas levando em consideração seu valor intrínseco, ou seja, sua essência; seu valor não existe mais na mente da massa.

A música, nesse contexto, tem por objetivo, unicamente, o entretenimento. É a única que comanda o mercado, dessa forma a morte da linguagem clássica como expressão e a incapacidade de comunicação são consequências óbvias desse processo. As pessoas, tomadas pela indústria da música de mercado, aprenderam a ouvir qualquer coisa.

Platão na obra "A República" (séc. IV a.C.)  já expunha a noção de música de entretenimento e música de apreciação. Mas hoje o prazer do momento e a multiplicidade de variedades se transformam em pretexto para desobrigar o ouvinte a pensar a realidade criticamente, cuja existência está incluída na audição adequada. Sem grandes opções, o ouvinte se converte em simples comprador e consumidor passivo.

Penso que a consciência musical das massas se define pela rejeição do prazer no próprio prazer. Tamanho é o problema da apreciação musical que se se toca uma canção de sucesso de "brega" e uma música de "Schöenberg", essa última não será desfrutada. Isso ocorre em função de que existe um verdadeiro estado de "não escutar". Dessa forma nenhuma música será entendida segundo sua estética, forma e sentido.

Representação da figura do
Filósofo Platão.
Hoje ouvir música é se submeter à lei do consumo, pelo preço do seu conteúdo; ouvir uma música é como consumir uma determinada mercadoria. Esse processo dá origem à seguinte conclusão: "o mais conhecido é o mais famoso, e tem mais sucesso".  Nesse prisma, ter boa voz e ser cantor muitas vezes é significado de vulgarização da apreciação materialista da música. Não existe mais a preocupação com o domínio técnico da voz, apenas exigi-se que se tenha potência e seja aguda para legitimar o renome do seu dono.

Com o advento das tecnologias (programas, instrumentos) estes fazem com que qualquer pessoa possa produzir música e colocá-la à disposição de todos na internet. Chegamos à era onde teclados, saxes, guitarras podem ser executados por meio do Iphone, tabletes, etc.

Um mestre nessa arte atualmente chama-se Jordan Rudess que em muitas apresentações em vez de tocar em teclados convencionais os substitui por um "Tablets". O indivíduo que está na favela produzindo música e o estúdio mais conceituado utilizam o mesmo programa de gravação, ou seja, os recursos estão à disposição de todos. Por efeito, a quantidade de música lançada no mercado é absurda! O diferencial é saber como harmonizar a monstruosa gama de recursos tecnológicos de maneira a produzir algo interessante.

Assim, hoje, para produzir música não se precisa ser músico, basta colocar uma batida de matéria no fundo e fazer algumas rimas e pronto! Você pode fazer sucesso! Isso é bom, pois a música é utilizada como meio de expressão de muitas pessoas, por outro lado é negativo, pois o ouvinte tem um universo muito vasto para escolher o que deseja ouvir, não tendo condições de apreciar com precisão e aprofundamento estético o que deseja. De qualquer forma estamos diante de uma nova forma de produzir música, mas será que se Mozart e Beethoven tivessem acesso a toda essa tecnologia teriam composto suas obras?

Conforme Adorno (1903-1969) – repensando Marx (1818-1883) – a modificação da função da música atinge os próprios fundamentos da relação entre arte e sociedade. Quanto mais inexoravelmente o princípio do valor de troca subtrai aos homens os valores de uso, tanto mais impenetravelmente se mascara o próprio valor de troca como objeto de prazer. O processo de coisificação radical produz a sua própria aparência de imediatidade e intimidade. Os momentos de encantamento dos sentidos, que resultam das unidades isoladas e decompostas, são em si mesmos, pelo fato de serem apenas momentos separados do conjunto, demasiadamente fracos para produzir o encantamento dos sentidos que deles se exige, e para cumprir os requisitos publicitários que lhe são impostos.

Temos a ilusão de conhecer muitas músicas. Todas elas, de todas as épocas, de todos os gêneros e todas as culturas estão ao alcance das mãos em "mp3". O ouvinte se tornou então uma espécie de colecionador que conhece não a música, mas fragmentos dela. É capaz de assobiar uma melodia que escutou no rádio, se encantar com um trecho de canção ao passar por uma loja, mas cada vez menos tem tempo e iniciativa de realizar uma escuta atenta e imersiva.

Além disso, deixa de fazer um exercício essencial para a compreensão de qualquer produto cultural: o exercício da contextualização. Nossa escuta aos poucos vai perdendo a referência de que cada música é produto de uma determinada época, de um determinado conhecimento, de um determinado contexto. Já não sabemos aonde ou em que época foi criado aquilo que ouvimos, já que a proliferação da diversidade pasteuriza as diferenças intrínsecas de estilos, composições e práticas musicais. As músicas dos povos e culturas mais diferentes são colocadas lado a lado sob rótulos como world music.


Para concluir, ouve-se a música conforme preceitos estabelecidos, pois, como é óbvio, a "depravação" da música não seria possível se houvesse resistência por parte do público. Tanto na música quanto nas demais áreas, a distância entre substância e fenômeno, entre essência e aparência agigantou-se em tal proporção que já é inteiramente impossível que a aparência chegue  a ser um testemunho do valor da essência.