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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O ENSINO QUE NADA ENSINA

DANIEL SILVA
DELTA BRITO
DIEGO DINIZ
EDUARDO SEABRA
NÁDIA MOURA
RAMON DIAS
TIAGO IDELFONSO

Pós-Graduandos do Curso de 
Docência no Ensino superior 
do Instituto de Ensino
Superior do Amapá - IESAP

Orientadora:

PROFA. DRA. MARIA APARECIDA NASCIMENTO DA SILVA





Para os teóricos da pedagogia moderna, a ideia de ensino é diferente da ideia de aprendizagem. Como esses teóricos formulam que a ênfase da educação seja o aluno, e não mais o professor, o léxico "ensino" vira sinônimo de um método ultrapassado, "jesuítico", aquele método tradicional onde o professor dividia a aula em três: exposição, espaço para tirar dúvidas e exercícios de fixação – sem preocupar-se com o estudante enquanto ser social.

Por outro lado, "aprendizagem" seria uma perspectiva humanista de educação, em que o aluno é o grande referencial da aula, cuja forma se assentaria sob as ideias de construção, liberdade, mudança, cooperação.

Ao largo desse "fla-flu" de teorias pedagógicas, o ensino moderno, em geral, compõe-se de uma conciliação (muitas vezes distorcida) desses antagonismos.

Atualmente não há, dentro das universidades, obrigação nenhuma do professor cobrar resultados dos seus alunos, cabendo a estes a responsabilidade de procurar apreender o conteúdo, fazendo isso por esforço próprio. Nessa perspectiva, sabendo-se de antemão que o aluno escolheu previamente a área de seu maior interesse, o professor não precisa se preocupar em passar exercícios de memorização, bastando repassar o conteúdo para que o interessado o assimile.

O filósofo grego Sócrates
Contudo, analisamos que é muito temerário jogar toda a responsabilidade de êxito no aluno e focar-se tão somente no ato de ensinar. Pensamos que é preciso articular o ensino com uma motivação ao comprometimento. Para tanto é necessário, antes de qualquer coisa, fazer o aluno reconhecer o que ele realmente está fazendo em sala de aula – e para isso deve-se recorrer ao socrático "conhece-te a ti mesmo", valendo-se de métodos práticos de redação, diálogos e orientações para ajudar o aluno a empreender um projeto para si.

De posse de um conhecimento mais aprofundado de si mesmo, o aluno que por ventura esteja desmotivado em relação ao curso passa a ter uma noção mais clara do que ele quer conquistar. Assim, se ele optar em continuar no curso, certamente que ele terá uma motivação muito mais séria e contundente para estar ali, logo aquilo fará parte do seu projeto de vida. Talvez seja necessária essa intervenção do professor para identificar o projeto em seu aluno – e isso só é possível de ser feito mediante interação, mediante o reconhecimento do outro, e não somente com a mera exposição de um conteúdo programático.


Por fim, não consideramos salutar o abandono geral do método tradicional no ensino clássico devido à pesquisa feita em 1986 pelo pesquisador Guido de Almeida quando descobriu um erro muito comum no magistério: o de considerar que tão somente a relação fraterna entre professor e aluno constrói o saber. Caso fosse assim, de modo irresponsável como assegurou Guido, qualquer um poderia ser professor.