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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

PAIDEIA BRASILEIRA

SEÇÃO
PRIMEIRA PESSOA


Cristiane Capozzi Pavani
Maria Ester Duarte da Rosa da Silva
Millaine Carvalho
Santiago Bretanha
Acadêmicos da Universidade Federal do Pampa 
UNIPAMPA 
Campus Jaguarão
Orientador:
Gerson Nei Lemos Schulz

Muito se ouve sobre o assunto "educação", mas o que é educação no Brasil? A educação é apenas ensinar e aprender?
www.atica.com.br
Pensamos que educar é dar motivos e razões para a busca do conhecimento e de sua perpetuação. É o bem mais importante para o a formação do homem e a adequação de um indivíduo à sociedade, porém não sem criticá-la.
Nesse sentido, quando falamos de educação ideal, uma palavra nos vem à mente: "Paidéia". É a descrição dos gregos antigos para cultura e visava à formação plena do homem. A disciplina, os ensinamentos rígidos diários serviam de base para a formação humana e ensinava o cidadão tanto para governar quanto para ser governado. É verdade que a escola era para as elites mas ela perpetuava a cultura do povo grego valorizando a experiência dos anciãos, a ética e a filosofia. Segundo Platão, Paidéia é "a essência de toda a verdadeira educação e dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento".

Platão, 427 a.C.

E no Brasil, hoje, como é a educação para a cultura? Pensamos que não se dá o devido valor ao estudo, à leitura e ao aprendizado sobre os grandes pensadores. Ainda há escolas que induzem alunos a somente "decorar" o conteúdo sem que haja o verdadeiro conhecimento e a compreensão do mundo por meio da cultura. Acreditamos que a falta de interesse dos alunos às vezes se dá também pela ausência de investimentos em uma educação de qualidade em que a formação apele para a construção de um modelo de cidadão que saiba dialogar, expor suas ideias de forma coerente.
Nossa escola parece sufocar a formação no estilo de uma "Paideia" quando obriga o cidadão a sair dela sem uma identidade crítica ou pronto para liderar e ser liderado mediante o senso de justiça e coletividade. Da mesma forma acreditamos que a maioria dos investimentos em educação apenas visa formar mão de obra puramente técnica e não a humanidade dentro dos homens. E parece que tem sido assim desde a Revolução Industrial, onde o operário era "educado" para tornar-se um cidadão disciplinado e produtor de mercadorias, apenas, como afirma Karl Marx (1818-1883), já que a burguesia, proprietária dos meios de produção, exigia apenas o mínimo de instrução para a massa desfavorecida economicamente e nunca se interessou na construção da autonomia desta.

Portanto, a concepção de ensino chamada "Paidéia" possui a missão de formar o homem como um ser que dialoga com o mundo. Por isso acreditamos que o sucesso que essa filosofia da educação tinha no mundo antigo continuaria se, atualmente, com a valorização e investimento por parte dos governos em educação, se valorizasse uma "Paideia brasileira", ou seja, uma cultura que não fosse alienada, que repudiasse o modelo de aluno que se comporta como máquina, sem autonomia. Talvez com a educação crítica sendo estimulada nas escolas, surgisse uma verdadeira "Paideia brasileira".