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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

DINIZ, Débora. A ética e o ethos da comunicação científica. In: SCHUKLENK, Udo. (Org.). Ética em pesquisa: experiência de treinamento em países sul-africanos. 2. ed. Letras Livres: Editora UnB, 2005.



SEÇÃO

RESUMO CRÍTICO

Leandro de Freitas Pantoja

Formando em Pedagogia pela Universidade 
do Estado do Amapá - UEAP

Colaborador


                                                                                         
 Débora Diniz é antropóloga, pesquisadora e professora do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília e atua também frente ao  Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.

Antropóloga da UNB
Débora Diniz
O artigo da professora Diniz compõe a coletânea de textos organizados por influentes pesquisadores cujo problema irradiador centra-se na questão da ética em pesquisa e comunicação científica. Seguindo a lógica temática, a autora elabora seus argumentos no trabalho intitulado: A ética e o ethos da comunicação científica.

O objetivo da autora é discutir (ainda que brevemente) as regras fundamentais da comunicação científica com enfoque em duas delas: o reconhecimento da autoria e o registro das fontes. Para ela toda produção científica deve estar compulsoriamente regida por estes princípios (o ethos da comunicação científica) e a sua inobservância constitui-se em plágio e falsidade argumentativa.

No decorrer dos argumentos, afirma que a comunicação científica é um fato notório e fundamental no seio da comunidade de pesquisadores em geral mundo afora, e que o conhecimento e observação dos elementos éticos e normativos da pesquisa e comunicabilidade do contexto científico é um fator decisivo e impactante na ciência e na sociedade.

Considerando o próprio caráter comum de mudanças e rupturas no meio científico e sua consequente implicação para o sistema de regras, Diniz observa e defende a tese acerca da importância e manutenção de algumas normas para a "garantia da eficácia e legitimidade da comunicação". Centra seus argumentos nas duas regras sobreditas que para ela fazem parte do que chama de interditos da comunicação científica.

A autora considera a existência de vários interditos científicos, porém reforça que o reconhecimento da autoria e o registro das fontes são basilares e inerentes a todos os campos do conhecimento e que jamais devem ser violados; todo trabalho de pesquisa deve reconhecer e creditar as fontes e ideias alheias, bem como "utilizar e citar somente o que de fato (grifo da autora) foi analisado" (DINIZ, p. 172).

Outro aspecto destacado e de íntima conexão com suas reflexões assenta-se no ato das publicações científicas. "É em torno da publicação escrita que o respeito aos interditos será mais rigoroso". O fato de as publicações exporem ideias ou novas concepções e a promoção de novos conhecimentos, que terão desdobramentos diversos na sociedade, é que o seu uso e aplicabilidade deve ser respeitado. Ainda afirma: "conhecê-las é relativamente fácil, o desafio é incorporá-las como fundamento ético de nossa expressão no mundo acadêmico" (DINIZ, p. 173-174).

Na mesma medida o ethos científico é um fundamento categórico no discurso científico e ratifica seriamente sua relevância: [...] "ele tem suas próprias regras, é preciso conhecê-las e utiliza-las com rigor para ser aceito como um pesquisador sério". Este princípio, consideramos, é primordial na vida acadêmica que se inicia. A apropriação do conjunto normativo se processa gradativamente até o momento em que se torna natural sua observância.

Sistematicamente o ethos científico proposto na discussão da autoria visa reconhecer que toda pesquisa ou produção científica deve respeitar o que outrora construiu-se ou constituiu-se cientificamente. É [...] "reconhecer a anterioridade e a autoria das ideias" (DINIZ, p. 176).

Neste âmbito e como consequência de negligenciação dos elementos éticos e normativos na pesquisa científica têm-se o plágio. Segundo a autora é preciso dar conta de um crime (a prática de citar fontes que não foram lidas ou analisadas, isto é falsidade de argumentos) que apesar de muito comum pouca atenção lhe conferem.

O texto da professora Débora Diniz apesar de breve, abre um leque enorme de reflexão em relação ao ofício do pesquisador, sua conduta, condição e viabilidade em termos científicos, atualmente. Sua intenção está concretamente direcionada as perplexidades científicas atuais onde a âmbição por prestígio e status acadêmicos e outros interesses se mesclam.

Enfim, sua leitura é clara e objetiva sem arrojos tautológicos dando condições de comunicação a diferentes níveis cognitivos para compreendê-la. Para além do exposto, sente-se a necessidade de casos concretos ou exemplificações que possam realçar ainda mais a defesa dos argumentos propostos. Nota-se a ausência de uma problematização ou crítica mesmo que parcial sobre os meios comunicativos de massa (internet principalmente) sobre o qual difundem-se ideias aos montes sem um "controle" autoral. Como presunção pessoal o acesso às notas no final do texto torna-se comprometedor em razão do retorno ao fim do artigo. No mais, fica a sua indicação a todos que compõem o universo acadêmico, principalmente aos inciantes.