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domingo, 11 de dezembro de 2011

ENTREVISTA COM A PROFESSORA RENATA ALMEIDA GOMES

Por Gerson Nei Lemos Schulz


Você conhece a cidade de Santana no Amapá? Não? Pois então conhecerá a partir de agora um pouco dessa cidade com 102.860 habitantes (De acordo com o Senso IBGE 2010) e parte de sua realidade educacional. Por isso o Blog Filosofia do Marco Zero divulga a entrevista com a ilustre Professora, Pedagoga e Especialista em Gestão de Sistemas Educacionais pela PUC-Minas, Renata Almeida Gomes que é Coordenadora Pedagógica da Escola Estadual de Ensino Médio Augusto Antunes, localizada no Bairro "Nova Brasília" naquele município. A professora e a escola vêm se destacando pela iniciativa em projetos de cunho social.

 
BLOG: Profa. a Escola "Augusto Antunes" tem se destacado em organizar diversos projetos de cunho social; poderia falar um pouco sobre alguns desses projetos?

Profa. Renata Almeida Gomes
Bem, um dos projetos chama-se "Educação e Sociedade Inclusiva", e trata sobre as relações de respeito na escola. Ele foi desenvolvido por professores de várias áreas do conhecimento, sendo que cada turma escolheu um tema. A apresentação desses projetos foi em forma de seminários. No segundo bimestre desenvolvemos os projetos "Protagonismo Juvenil Interagindo com o Meio Ambiente", apresentado por meio de oficinas e das técnicas pedagógicas "standard" e "diário de bordo". E no terceiro bimestre o projeto organizado foi "Formação Política e a Transformação da Realidade". Cada turma envolvida construiu um jornal e apresentou-o em forma de "mesa redonda".

BLOG: Professora, percebe-se que todos os temas são de interesse da comunidade escolar; como surgiu essa idéia de desenvolver projetos na escola Estadual Augusto Antunes?

Mapa do estado do Amapá. Fonte: www.viajarmilhas.com


A idéia de desenvolver projetos surgiu a partir das reuniões pedagógicas realizadas na própria escola e também em função dos temas geradores que os professores trabalharam em cada bimestre. Estes projetos foram amplamente discutidos na Coordenação de Área, na Coordenação de Área Integrada e na reunião pedagógica realizada no início de cada ano. Então se pode dizer que a idéia também partiu dos professores.

BLOG: Professora Renata, como foi a receptividade por parte dos alunos quanto à execução destes projetos?

Ah, os alunos receberam a idéia dos projetos de forma bem entusiasmada porque cada bimestre tem um projeto diferente, então eles têm a oportunidade de mostrar o seu potencial; por exemplo: como construir um jornal; como apresentar uma experiência com chuva ácida; como participar de uma mobilização social. Todos esses temas são de interesse das pessoas e eles ficaram satisfeitos, na minha opinião, em mostrar para a comunidade escolar o resultado de suas próprias pesquisas.

BLOG: Professora Renata, a comunidade de pais foi convidada a participar desses projetos ou eles ficaram apenas no âmbito da escola?

Nós convidamos a comunidade a participar, sim. Pais, mestres, não alunos da escola etc. Por exemplo, no primeiro projeto, que foi sobre o meio ambiente, a comunidade foi convidada a prestigiar a culminância do mesmo por meio de "standards". Porém, nem no primeiro bimestre e nem no terceiro foi possível essa participação devido à falta de espaço físico na escola já que a nossa escola encontra-se em reformas.

BLOG: É sabido que no estado do Amapá as escolas, de forma geral, enfrentam muitos problemas com a violência e as drogas. Houve algum projeto cujo tema tenha sido esse? E, se houve, acarretou alguma mudança nesse aspecto na escola?

Aspecto da cidade de Santana-Amapá. Fonte:www.culturamix.com
Nós tivemos, no primeiro bimestre, a abordagem de temas como "drogas", "sexualidade", "crack", "gravidez na adolescência". E estes temas foram abordados em forma de seminários e os alunos pesquisaram e apresentaram para as diferentes turmas estes assuntos. No decorrer dessa apresentação os alunos tiveram a oportunidade de expor seus trabalhos e, inclusive, convidar algumas instituições de Macapá e Santana a se fazerem presentes, e houve certa repercussão, sim. Agora, é claro que quando se aborda o assunto "drogas", por exemplo, sabemos que não se pode resolver o problema. Isso porque este assunto é de enfrentamento permanente. Não é só um trabalho que resolve o problema. E também, quero destacar que contamos com parceiros importantes como a "Vara da Infância", o "Juizado Especial da Infância e da Adolescência". No segundo bimestre contamos com a "Secretaria Municipal do Meio Ambiente" e o "Batalhão Ambiental".

BLOG: Em relação aos índices de gravidez na adolescência na escola Augusto Antunes, professora, como estão estes patamares?

Hoje eu posso afirmar que o índice não é alto. Mas existe gravidez na adolescência, sim. É uma situação que acontece na escola. Entre os nossos projetos foi abordada esta temática, entretanto, sabemos que é preciso dar continuidade a este trabalho. É por isso que nós estudamos uma forma de, nos próximos anos, intensificar o trabalho para que este não fique apenas em um ou dois bimestres, mas que seja levado adiante.


Escola Estadual Augusto Antunes. Fonte da imagem: http://letras5.blogspot
BLOG: Para finalizar, professora, a senhorita comentou sobre a produção de um "jornal" por parte dos alunos. Como foi essa experiência? Quais foram os principais temas das matérias desse jornal?  A escola pretende encaminhá-lo para publicação ou é apenas de âmbito interno da instituição?

Bem, nós trabalhamos o tema gerador "Formação Política e Transformação da Realidade". Assim, as matérias estavam relacionadas à política nas diferentes faces: política social, política pública e política partidária. Com esses assuntos nosso objetivo foi justamente esclarecer o que é a "política"; o que é o "ser político". "Eu enquanto cidadão, como posso ter uma postura política diante da problemática que a sociedade enfrenta?" Então, o trabalho, é claro, não teve como preocupação a política partidária de "A" ou "B". O objetivo era construir o jornal, socializar o que foi construído e, em cima dessa socialização, nós planejamos uma publicação. Interessante é destacar que cada turma produziu um jornal e estabeleceu-se um debate porque cada turma mostrou para a outra a sua produção escrita. E, considerando que as discussões foram muito produtivas, a intenção é levar para a comunidade fora do espaço da escola esse jornal para que os pais possam ter acesso ao que seus filhos escreveram neste trabalho, ao que eles pensam sobre a realidade que todos: pais, filhos, professores, professoras, técnicos da escola, gestores e demais funcionários estão construindo para a sociedade.