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domingo, 28 de março de 2010

PLATÃO E O CONHECIMENTO


 Gerson Nei Lemos Schulz



Até hoje, em filosofia, a forma do conhecimento ainda é um problema a ser investigado. Várias são as sinédoques desenvolvidas ao longo dos séculos pelos pensadores ocidentais para explicá-lo. Isto é, como o homem pode conhecer? Como se dá esse processo?


Para Platão (427-347 a.C.) o mundo material é imperfeito. Em outras palavras, Platão queria a garantia última de que aquilo que sabemos é a verdade. Para ele não é possível haver conhecimento falso, pois senão não é conhecimento. Nesse sentido ele concebe a idéia da anamnese (recordação).


Platão admite a existência em todos os homens da alma (psiché) que, em sua doutrina, além de centro de toda inteligência humana, é imortal. Outro pressuposto é que em algum momento remoto da história, antes da criação do homem (pois há um mito da criação também entre os gregos antigos), todas as almas coabitavam entre os deuses, mas quando estas quiseram se tornar como eles, foram condenadas a encarnar em corpos frágeis e mortais.


Respondendo às perguntas da introdução se pode dizer que sua doutrina do conhecimento está disposta na obra Menon. Neste diálogo há uma passagem onde Platão interroga um escravo que nunca estudara matemática e, por meio do método maiêutico, faz com que o escravo conclua a fórmula do teorema de Pitágoras. Interpretando esse fato à luz de sua crença na imortalidade da alma, ele conclui que o conhecimento que o escravo demonstrou só podia estar em um lugar: na alma; e esta, assim como a de todos os homens, já contemplou a verdade junto aos deuses. Então, ao encarnar, a alma passa pelo "rio do esquecimento", logo, saber é recordar, pois o homem já sabe mas precisa do professor para auxiliá-lo a recordar o que contemplou junto aos deuses. É por isso que para Platão o mundo físico é inferior ao mundo das idéias ou essências, pois o mundo material é apenas cópia da idéia.


Um exemplo para se compreender isto é citar o trabalho de um carpinteiro. Para construir uma mesa o carpinteiro precisa antes ter a idéia de mesa e pensar em seus detalhes, depois ele corta a madeira e lhe dá forma de mesa. Mas a mesa material não é perfeita como a mesa que o carpinteiro pensou, pois sua superfície, por mais polida que seja, nunca é totalmente lisa, as formas, por mais trabalhadas, jamais são perfeitas. Conclui Platão que a matéria é inferior ao mundo das idéias.


Assim, para o filósofo há duas grandes formas de conhecimento. A doxa (opinião), que ele atribui ao homem comum que vive como que "embriagado" pelos sentidos que embaçam a razão e contribuem para que ele não tenha clareza perfeita das coisas (senso comum). Este conhecimento é baseado na eikasia (imaginação) e na pistis (crença). E o conhecimento filosófico que envolve a matemática (episteme) e o conhecimento noético (essência). Este último somente o filósofo pode obter por meio da intelecção.


Por fim, para Platão, o filósofo deve fugir do mundo dos sentidos, das sombras da realidade e buscar a ciência. Ele deve subir de degrau em degrau até alcançar a idéia suprema pelo procedimento sinóptico. Assim poderá distinguir as idéias últimas (universais) que são as idéias que não possuem idéias anteriores. Esse conhecimento último é eterno e imutável para Platão.

4 comentários :

  1. interessante a maneira como você expõe seus trabalhos,pois de imediato ele tansmite ao leitor clareza,o que por sua vez faz ser possível úm rápido entendimento sobre o assunto abordado.

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  2. Obrigado por comentar o trabalho.

    Considero o leitor(a) o elemento mais importante para quem escreve. Assim, procuro fazer com que o leitor(a) se interesse pelos textos escrevendo-os de forma clara e objetiva sem perder as características humanizantes nos textos. Aguardo outros comentários seus e agradeço por acessar meu blog.
    Também estou aberto a sugestões sobre outros assuntos a escrever.
    Um abraço.

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  3. A forma clara e eloqüente como aborda os temas, gera-nos o que Freire denonima de "curiosidade epistemológica".. Parabéns!

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  4. Agradeço a você, anônimo, pelo elogio. Gostaria de dizer que também sou admirador de Paulo Freire.
    Obrigado
    Prof. Gerson Schulz

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