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sábado, 18 de junho de 2016

A (DES)VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA


Orientador: Dr. Gerson N. L. Schulz


Autores:


Camila Rubira

Charles Bandeira

Daniela de Almeida

Douglas Pinho

Lucia Furlanetto

Matheus Perazo

Melissa Castro

Pedro Acosta

______________________

Acadêmicos do curso de 

Educação Física

da Fundação Universidade Federal do Rio Grande

FURG

Este é o artigo de número 200 aqui no blog!




Na contemporaneidade, discussões sobre a Educação Física e o campo de atuação deste educador estão cada vez mais recorrentes. Devido à falta de uma identidade mais específica da área, alguns discursos têm preconizado uma visão distorcida desta e tem se voltado, especialmente, a propagar que a Educação Física se restringe aos esportes, apenas, e à formação de atletas de alto rendimento.

Além disso, na escola, a Educação Física é vista por gestores, professores e estudantes apenas como um suporte para atividades esportivas, sendo uma disciplina facilmente dispensável. Entretanto, o seu sentido é muito mais amplo, pois abrange a formação do ser humano como um todo.

Nesse sentido, a desvalorização da Educação Física no Brasil pode ser explicada a partir das concepções da ciência clássica, a qual exerceu forte influência dominando nossa cultura. Nessa concepção, o homem é visto como um ser unicamente racional, com o corpo e a mente separados em campos antagônicos. Além disso, os estudos sobre as ciências exatas sobrepunham os das ciências sociais. Dessa forma, a Educação Física foi se constituindo como uma disciplina com pouca importância, perdendo o seu verdadeiro sentido.






Por outro lado, atualmente, sabe-se da importância da Educação Física especialmente porque ela não se preocupa apenas com a formação de atletas de alto rendimento (tampouco com a atividade de pessoas que – muitas vezes – utilizam drogas para conseguir vencer competições e acumular lucro e prestígio), mas porque ela se volta para o desenvolvimento do bem-estar, da saúde física e mental de mulheres e homens.


Sendo assim, pensamos que para que a educação de fato contribua para isso, é necessário refletir com Santin (2003) sobre a nossa formação e prática pedagógica, lutando pela legitimação e valorização da Educação Física na sociedade. Caso contrário, estaremos fadados à reprodução, manutenção e conservação do sistema educacional vigente que tem forte cunho positivista.


Saiba mais sobre o que é o mundo moderno e pós-moderno em:
http://filosofiadomarcozero.blogspot.com.br/2014/09/meu-proximo-e-ninguem.html


Saiba mais sobre o que é o Positivismo em:
http://filosofiadomarcozero.blogspot.com.br/2011/05/o-que-e-positivismo.html

Saiba mais sobre as visões de mundo da filosofia em:
http://filosofiadomarcozero.blogspot.com.br/2015/11/quadro-de-cosmovisoes-da-filosofia.html

Saiba mais sobre o mecanicismo em:
http://filosofiadomarcozero.blogspot.com.br/2010/08/o-racionalismo-cartesiano.html

Ao falar em Positivismo é necessário dizer que no mundo moderno, com o surgimento do pensamento científico e suas transformações culturais na sociedade (com o advento do materialismo, do mecanicismo, do cientificismo, por exemplo), a capacidade humana da sensibilidade foi totalmente desvalorizada, sufocada. Assim, qualquer discurso de intervenção da sensibilidade no contexto racionalista moderno criaria frutos distantes dos princípios matemáticos (já que a matemática e a física eram os modelos científicos do mundo moderno par excellence), portanto exatos, definidos e supostamente inabaláveis. Por isso, o sepultamento das emoções humanas era condição sine qua non e inversamente proporcional à concretização do pensamento científico positivista advindo dessa visão de mundo.

Como contraponto à visão de mundo positivista acima descrita, pensamos que é importante "resgatar" a sensibilidade novamente para o escopo do conhecimento e da ciência e, para isso, fazer valer os conceitos e preceitos antropológicos e filosóficos na Educação Física. Princípios estes que atendam aos anseios humanos em sua amplitude, isto é, que busquem um equilíbrio entre razão e sensibilidade.

É por isso que se faz necessário desmistificar esse aspecto cientificista da ciência moderna que separou o homem em "alma" e "corpo" porque entendemos que o homem é um ser que se move e que sente desde a mais tenra idade, é um ser que interage com o mundo por meio de sua corporeidade, aprendendo isso desde criança quando brinca e ganha experiência de vida. Entendemos, assim, que tais capacidades devem ser estimuladas sempre por pais e/ou responsáveis no seio da família e dentro da escola.

Assim, todos os agentes responsáveis pelo desenvolvimento da criança e do adolescente devem estar atentos para a necessidade de um resgate da sensibilidade como elemento primordial no trabalho com o corpo. Para isso, em primeiro lugar é preciso conhecer muito bem onde o profissional atuará, a realidade do local, os costumes e as necessidades dos alunos. Concordamos assim, a partir daí, com Santin (2003) que essa é uma forma de resgate de identidade. E esse "resgate" se dará se o professor propor um trabalho de meditação, de silêncio, de observação e de percepção. E para isso, nada mais importante que o contato com a natureza porque é um excelente recurso para este fim.

É claro que esse caminho não é fácil. Não há dúvida de que tal tarefa é tortuosa, pois significa tomar um rumo inverso ao da corrente, enfrentando-se muita resistência, muitos interesses alicerçados em bases conservadoras fortes, em especial às imposições mercadológicas.


Mesmo assim, acreditamos que vale a pena apostar na valorização da sensibilidade, pois somente assim a Educação Física alcançará o status de uma disciplina importante frente às demais nas matrizes curriculares, ganhando o respeito que merece, pois será reconhecida como imprescindível na formação de um ser humano completo que pensa e, além de tudo, sente e principalmente se expressa de forma plena, alcançando a verdadeira cidadania ao conquistar a saúde do corpo e da mente que é o objetivo maior da escola. Sendo assim, dificilmente a escola terá sucesso nessa empreitada sem o auxílio do profissional da Educação Física que é o agente que detêm a formação, o estudo e a habilitação necessários para trabalhar as questões voltadas à área da corporeidade.

Por fim, é importante destacar que o trabalho do educador físico também gira em torno não somente do corpo humano em si (seus aspectos biológicos), mas também estuda as relações do corpo humano com o meio. Daí a importância de ressaltarmos que, quando se fala em Educação Física, consideramos também os aspectos culturais, sociais e biológicos.



Referências



SANTIN, Silvino. Uma abordagem filosófica da corporeidade. Ijuí: Unijui, 2003.