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domingo, 3 de abril de 2011

Cogumelo da morte

Por Gerson Nei Lemos Schulz




Fukushima. Um orgulho da física moderna! Um produto da alta tecnologia do século XX. Atualmente o flagelo do Japão.
Como se já não fosse suficiente os dois ataques nucleares sofridos em 1945 pela, hoje, nação amiga (E.U.A), quando foram lançadas duas bombas atômicas de vinte mil quiilotons cada, ou seja, cada arsenal equivalia a vinte mil toneladas de dinamite, em março de 2011 os japoneses voltaram a ter um pesadelo semelhante com a usina nuclear de Fukushima no Nordeste do país que foi gravemente atingida após um terremoto marinho seguido de um tsunami que devastou parte da nação.

Usina Nuclear japonesa em Fukushima
Fonte: http://www.50emais.com.br/

O Japão tem cerca de 377.864 quilômetros quadrados, seu território corresponde ao da Alemanha, Finlândia ou Vietnã. Sua população chega perto de 210 milhões de habitantes. Como é uma ilha separada do continente asiático depende imensamente de importações de matérias primas, principalmente petróleo, para suas indústrias de plásticos e eletrônicos, metais, papel, celulose e alimentos. Mas, como é a terceira maior economia do mundo e como toda nação desenvolvida, padece de um problema: a falta de energia elétrica para alimentar seu mega parque industrial e manter a população abrigada das intempéries da ilha. A solução encontrada foi aquela amplamente vendida pelos Estados Unidos e os países europeus, a energia nuclear, a grande vedete do século XX.
Desde Chernobil em 1986, o mundo se questiona sobre os malefícios da ciência moderna e seus produtos tecnológicos, especialmente sobre o quesito energias nucleares. Este artigo não trata de condenar a ciência, ao contrário, reconhece que ela é importante e que sem ela não se poderia viver tanto quanto se vive hoje, mas de questionar o endeusamento da mesma e a fé que certos cientistas têm nas máquinas que constroem ou técnicas que desenvolvem.
No caso de Chernobil o Regime soviético tratou de esconder com propaganda contrária os horrores daquele episódio que até hoje deixou sequelas em homens, mulheres e crianças. No caso do Japão, por ser uma nação mais democrática e também, atualmente, pela força e presença da mídia, é possível saber um pouco mais sobre a real situação que vive o Japão, mas não se trata apenas do Japão, pois como já foi noticiado, a radiação chegou a Tóquio, na Europa e nos Estados Unidos. Quando chegará ao Brasil?
Mas certamente resquícios virão para o país tropical que também apostou em uma usina que foi construída em um paraíso ecológico, Angra dos Reis.
A intenção desta reflexão não é, como já se disse, condenar a ciência, mas fazer pensar no tipo de ciência que se pratica hoje. Que a ciência não é infalível, já é amplamente aceito, mas o que trata agora é discutir a questão deixada de lado pela maioria dos cientistas e até tratada com preconceito, ou seja, a ética na ciência.
Depois de Fukushima deixar de lado a ética, desvinculá-la da ciência contemporânea é erro que poderá extinguir a raça humana. Fukushima faz pensar que antes de pensar em lucros, em criar tecnologia deve-se perguntar: para quê tudo isso e se vale realmente a pena.