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terça-feira, 24 de junho de 2014

A EDUCAÇÃO INCLUSIVA INFANTIL NO BRASIL



Sibele Saraiva Cardoso

Professora da rede municipal
de Arroio Grande - RS
Pedagoga pela
Universidade Federal de Pelotas – UFPEL
Especialista em Psicopedagogia
Especialista em Gestão Educacional




Ao longo da história pode-se constatar que a sociedade quase sempre se apresentou preconceituosa e com práticas discriminatórias. As mulheres, os negros, os idosos, as pessoas com algum tipo de deficiência psicológica ou física em geral. Todos têm sofrido com o preconceito. As periferias das cidades também são exemplos claros de um tipo de exclusão social. Porém, quanto mais pessoas são excluídas, mais se fala em inclusão, entretanto apenas mencionar o fato não adianta muito para mudar esta realidade. É preciso agir, fazer valer os direitos de cada cidadão.


Mas será que a inclusão, cada vez mais citada, é uma preocupação real das autoridades  ou é simplesmente um meio eleiçoeiro e demagógico para "dar educação" aos excluídos? Ou é mais fácil colocar todos os alunos dentro de uma sala de aula e dizer que é educação inclusiva? Deve-se capacitar os professores para essa atividade ou os cursos de graduação em Pedagogia têm essa tarefa?


Para responder a essas perguntas eu – como pesquisadora – tenho realizado alguns trabalhos sobre o tema: "educação inclusiva na educação infantil". E vejo que, infelizmente, ainda há poucas pesquisas sobre a inclusão na educação infantil, por isso tem sido difícil encontrar materiais sobre o assunto.


Por isso, para nossa discussão – por exemplo – cito o artigo "Educação Inclusiva em Escolas Municipais: análise inicial de um caso", de Mônica Carvalho Magalhães Kassar (et. al). Ali percebi com claridade o quão difícil é para o professor ter em sua sala de aula um aluno com algum tipo de necessidade especial. Não que o professor não tenha interesse pelo aluno, mas sim pelo despreparo que ele possui para trabalhar com estas crianças visto que os cursos de graduação, em sua maioria em nosso país não oferecem essa condição. Os recursos na escola também são escassos, precários. Isso faz com que o professor acabe não sabendo o que e quem atender primeiro: se o aluno com necessidades especiais ou se o restante da turma.


O mesmo se dá por parte da escola. Quando chega à escola um aluno "portador" de alguma necessidade especial, todos ficam "um pouco perdidos", e sem saber como trabalhar com esse aluno. Não que a escola não o queira, ou não o aceite, mas por não ter certeza se esta trabalhando de forma adequada, se está atingindo os objetivos, etc. E isso se dá pela inexperiência dos professores em geral e dos demais técnicos. Geralmente os professores têm boa vontade, paciência, porém, falta a capacitação aos mesmos.


Como também – nos últimos anos – aumentou a presença de crianças com necessidades especiais em classes regulares de ensino, principalmente devido a campanhas por meio do rádio e televisão – onde se enfatiza muito o tema da "inclusão" – e por meio das quais as pessoas estão mais a par de seus direitos já que, anteriormente, os pais costumavam deixar seus filhos que tem algum tipo de deficiência em casa, anulando qualquer possibilidade dessas pessoas terem uma vida social, um convívio com outros seres humanos que não são de seu grupo familiar e o acesso à aprendizagem, a situação vem se agravando!


Por isso o preparo do professor, do técnico e do aparelho escolar em geral é fundamental, pois sem preparo adequado os professores pensam que o aluno com necessidades especiais não precisa ou não deve frequentar a escola. A parir disso defendo a tese de que quanto mais cedo os alunos dessa natureza frequentarem as salas de aula, melhor será o desenvolvimento deles. A criança com necessidades especiais que está inserida num ambiente escolar está integrada, socializada com o grupo, o que propicia o desenvolvimento psíquico e motor. Assim, a educação inclusiva na educação infantil é muito importante, pois dá a criança o direito de  conviver com crianças da sua idade.


Até mesmo para melhorar o convívio familiar com pais e irmãos de alunos com necessidades especiais é que é importante que os alunos dessa natureza comecem cedo a ter contato com outras pessoas. A partir da troca de experiências, do diálogo entre familiares e professores na escola, os pais saberão como proceder em determinadas situações e têm um apoio a mais, caso necessitem, já que a escola é um fator determinante da inclusão.


A leitura de revistas com o tema "educação inclusiva" reforça a minha tese de que a inclusão das crianças se faz necessária desde a mais tenra idade e que geralmente é o professor quem é o ator principal no desenvolvimento desses alunos. Pois inúmeras vezes é o próprio professor quem descobre  que o aluno possui algum tipo de deficiência ou necessidade especial.


Por fim, entendo que um professor capacitado por meio de seus estudos terá condições de se empenhar para construir aulas que envolvam os alunos com atividades específicas para suas necessidades. Daí a importância de serem ofertados aos professores cursos de especialização e aperfeiçoamento ou de capacitação pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, a fim de que o trabalho docente tenha mais qualidade e que possa trazer efetivo progresso ao aluno com deficiência e, de fato, promover a inclusão. Mas e a inclusão é uma preocupação real das autoridades ou meio eleiçoeiro e demagógico para os "excluídos? É mais fácil colocar todos os alunos dentro de uma sala de aula e dizer que é educação inclusiva? – Com a palavra: os professores.