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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

EDITH STEIN E A FENOMENOLOGIA DE EDMUND HUSSERL


Moisés Prazeres Bezerra

Professor de
Filosofia da Rede Pública
do Estado do Amapá




Prof. Moisés Prazeres Bezerra
Edith Stein nasceu em Breslávia, (Alemanha, hoje Wroclau, Polônia) de pais judeus a 12 de outubro de 1891, benjamina dos onze filhos de uma família de judeus que comercializava madeira. Quatro de seus irmãos e irmãs morreram na infância. Seu pai morreu repentinamente quando ela tinha apenas um ano de idade.
Desde sua infância Edith Stein buscava apaixonadamente a verdade. Não qualquer verdade, mas sim aquela que pode ser demonstrada.
O desejo de conhecer a verdade levou-a a encontrar-se com uma figura marcante da historia da filosofia contemporânea, Edmund Husserl.
Husserl nasceu em Proznits, Tchecoslováquia, em 8 de abril de 1859. Estudou em Berlim e em Viena, seguindo os passos de Brentano, dedicando-se primeiramente à matemática e, logo após, aos estudos de Filosofia.
Husserl propôs uma nova reflexão sobre a fundamentação científica da Filosofia, sendo não somente de caráter especulativo, mas prático, inaugurando com isso o método fenomenológico.

Edith Stein
1891-1942
Segundo esse método é necessário que se tenha uma fundamentação da Filosofia de uma forma rigorosa (científica) garantindo a veracidade da mesma. E ainda, o conhecimento das coisas começa com a experiência que se tem delas. As essências são modos típicos do aparecer dos fenômenos à consciência, pois a fenomenologia pretende ser a Filosofia fundamentada no dinamismo de uma consciência sempre aberta. A fenomenologia é, portanto, a ciência das essências. Eis o duplo papel da fenomenologia, o de dar uma fundamentação objetiva à Filosofia e o de fazer uma análise da objetividade da consciência.
Foi justamente ao ler "Pesquisas Filosóficas", que Stein sentiu-se profundamente marcada pela doutrina de Husserl tanto que, em 1913, decide deixar sua cidade natal para escrever-se no curso de fenomenologia ministrado por Husserl em Göttingen.
Em agosto de 1916, Edith Stein torna-se assistente particular de Husserl e absorve com rapidez todas as suas orientações. O método herdado de Husserl em muito contribuiu para o desenvolvimento do pensamento de Edith Stein, pois por meio desse método pode aprofundar seus estudos a respeito do método da empatia.
Por empatia (Einfüblung), entende-se a valorização da reflexão sobre o "espírito" em todas as suas manifestações, relacionando-se também com o tema do outro, da intersubjectividade, da comunicação existencial. Trata-se da capacidade de experimentar o outro em mim, de manter uma relação entre sujeito e objeto, de uma forma intencional, um conhecimento profundo, mais do que simples constatação.
Por meio da fenomenologia e, principalmente a partir de suas observações das realidades existentes por meio do método empático, Stein chega à verdade da fé e, consequentemente, a Deus. Nisso Stein supera seu mestre, pois para Husserl a realidade metafísico/religiosa não combina com a proposta da filosofia científica por apresentarem premissas que não são verificáveis.

Edmund Husserl
1859-1938
Na obra "A fenomenologia de Husserl e a filosofia de santo Tomás de Aquino", a pensadora faz uma reflexão a respeito do paralelo entre experiência de fé e pesquisa filosófica. Para ela há uma distinção muito clara entre conhecimento de realidades divinas que são totais em si, e o conhecimento das realidades humanas que ainda são limitadas.

Por fim, para Stein, apesar do esforço e competência da razão, ela não pode mostrar a verdade completa. Somente a fé associada à razão chega à contemplação da verdade, que é Deus. Estas realidades para Edith Stein, no início foram percebidas de uma maneira bastante obscura. Em seguida elas amadureceram e se estabilizaram tanto como experiência de fé, quanto com o auxilio da razão.

domingo, 18 de agosto de 2013

CONSCIÊNCIA DO INFINITO

Por:

David Rodrigues
Licenciado em Filosofia - IESAP - Amapá - Brasil



Estabelecer algo cuja existência é inalcançável é uma contradição. Em outras palavras, como posso dizer que determinadas coisas existem sem ter a capacidade de conhecê-las? No entanto, é comum falarmos em nosso cotidiano de algo infinito como se esse algo, sendo infinito, nos mostrasse seu alcance, o que seria absurdo. Caso isso fosse possível, o infinito deixaria de ter seus atributos intermináveis para que possamos, pois, conhecê-lo.
Prof. David Rodrigues
Repare que acabei de mencionar a frase "atributos intermináveis". Analisando seu significados a palavra interminável quer dizer: duradouro, eterno, infindável, interminável e etc. Nos basear pela lógica e aplicando-a na linguagem vemos, portanto, que as diversas coisas que descrevemos estão "fora de lógica" como é o caso da consciência do infinito. Vejamos um exemplo: no "Tao Te Ching" (o livro que revela Deus), escrito por Lao-Tsé, filósofo chinês do ano VI a.C., cuja obra é composta de oitenta e um poemas, ele nos diz que: "o infinito é um eterno fugitivo".



Entendo que isso quer dizer que ele é um fugitivo e que, como tal, corre sempre adiante de nós. Todavia, ainda assim, mesmo antecipado a nós, indagamos o que é o infinito.
O filósofo de Königsberg:
Immanuel Kant.
Immanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão que foi bastante rigoroso ao analisar o conhecimento em sua principal obra "Crítica da Razão Pura" de 1781, escreveu que nós não podemos conhecer a "coisa em si". Isso acontece porque existe um limite inerente à nossa capacidade de conhecer. Mas somos mesmo limitados em nossa capacidade de conhecer? Será que nós, ao dizermos que temos limites, não estamos nos contradizendo mais uma vez?
Quando alguém diz que tem noção de que temos limites não é ter a ilusão de que o absoluto alguma vez foi alcançado? Ou melhor, se falamos que temos limites, não parece que alguém foi além dessa limitação e disse a nós que ainda nem chegamos perto de conhecer a totalidade das coisas?
Embora Kant admita que não sejamos capazes de conhecer a "coisa em-si", ele mesmo diz algo sobre a "coisa-em-si": que ela é inatingível. Mas como assim: Kant teria ultrapassado o limite e demonstrado que a "coisa-em-si" não pode ser atingida?


Atualmente, tomando por base a "Teoria da Relatividade Geral" de Einstein (1879-1955) que estabelece que o tempo não é absoluto – contrariando as ideias de Newton (1643-1727) – constata-se o erro de Kant quando afirmou que o tempo e o espaço (baseado na física newtoniana) eram absolutos. Para Einstein e para a matemática contemporânea essa premissa é falsa. O tempo também
O cientista
Albert Einstein
sofre modificações devido à força da gravidade exercida entre os corpos no espaço. O tempo muda, é inconstante. É o caso do planeta Júpiter, por exemplo, onde o intervalo (espaço) de um ano dura 11,86 anos terrestre! Hoje o tempo, que desde a Antiguidade era considerado algo imutável, não é absoluto, segundo Einstein.
Talvez o filósofo que mais se aproxima da resolução do problema seja Arthur Schopenhauer (1788-1860). A "coisa em-si" para Schopenhauer é a vontade cega que existe em todas as coisas no mundo. Em seres orgânicos ou inorgânicos existe, segundo o filósofo, uma vontade cega que nos conduz à vida. Todos nós temos nossas vontades na vida, mesmo quando não se deseja viver; dessa forma a vontade seria oposta em estar vivo. Um impulso cego, isto é, um impulso que não tem rumo, nem aspirações nos conduz em nossa vida. Sendo a vontade cega, a essência da vida, o mundo passa a ser uma representação dessas nossas vontades.

Por fim, se para Kant somos limitados; para Schopenhauer temos todas as coisas no mundo representadas por nós e o limite de conhecer é uma concepção fundamentada porque ainda não somos capazes de prever futuros.