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sábado, 19 de fevereiro de 2011

VOCÊ CONHECE O AMAZONAS?

Reportagem de Gerson N. L. Schulz
Publicada originalmente no Jornal Tribuna Amapaense de Macapá - Amapá


O Amazonas em números





Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a partir de julho de 2008 o rio Amazonas é não só o maior rio do mundo em volume de água, mas também o maior em termos de extensão. Assim o Amazonas supera até mesmo o Nilo, no Egito. O INPE confirmou, após 16 anos de pesquisas, que o Amazonas, que nasce na Cordilheira dos Andes no Peru, tem 6.992 Km e não 6.400 como ainda ensina a maioria dos livros de Geografia no Brasil e no mundo. Conforme também boa parte do material didático que circula no país, o Rio Nilo é o maior com 6.852 Km. Essa informação, para o INPE, é equívoca.

Aspecto do rio Amazonas visto da orla da cidade de Macapá - Amapá
Créditos da Foto: Gerson N. L. Schulz - arquivo pessoal do autor

Outra curiosidade sobre o Amazonas é que os cientistas descobriram que a profundidade máxima do rio pode chegar a cem metros, e sua vasão para o mar é da ordem de duzentos mil metros cúbicos por segundo.
Em contraponto, o estudo nada revelou sobre os índices de poluição que assolam o rio, por isso esse é o assunto da editoria de hoje, pois não há cidade de Macapá sem o Amazonas que é rota comercial e principal fonte de captação de água e alimentos para todos.

A poluição no maior rio do planeta em estudos acadêmicos do NAEA



De acordo com os pesquisadores Norbert Fenzl e Armin Mathias no livro: "Problemática do uso local e global da água da Amazônia", editado em Belém do Pará pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) em 2003, apesar da população amazônica ter baixa densidade demográfica, são aproximadamente 6.700.000 habitantes (IBGE, 1996), o que corresponde a 4,3% da população brasileira. Apesar disso, há poluição na região por contaminação com mercúrio ou, mais especificamente, multimercúrio que aparece devido à mineração de ouro, queimadas e concentração natural em rios e lagos. Pesticidas e detergentes utilizados em meios domésticos, sanitários ou agrícolas e o arsênio (proveniente da mineração) também estão presentes.
Segundo os autores, o arsênio é um elemento encontrado na natureza, mas no caso da Amazônia, nos últimos anos, tem aumentado o índice de partículas em suspensão nas águas dos rios e suas cabeceiras, o que pode estar além da simples concentração geológica, visto que as atividades humanas de garimpagem têm aumentado na floresta e o perigo está nas chuvas, pois em função do regime pluvial específico da região, ocorre o aumento da vasão de águas para dentro do rio, espalhando quantidades significativas de metais pesados em seu leito, algo que pode influenciar na qualidade da água captada para beber.

Macapá e Santana: agentes poluidores




Orla Sul da Cidade de Macapá
Créditos: Gerson N. L. Schulz - arquivo pessoal do autor

Em 2008 o Ministério Público Federal (MPF) realizou estudo conjunto com o Ministério da Saúde e descobriu alto índice de poluição no rio Amazonas no entorno de Macapá e Santana. De acordo com esse estudo, a principal causa do problema é o esgoto sem tratamento que é despejado nos rio pelas duas cidades. No mesmo estudo é relatado que os coliformes fecais ultrapassam em cem vezes os níveis máximos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente. Em alguns pontos de coleta de amostras foram até mesmo encontrados cem mil coliformes fecais a cada 100 ml de água, sendo que o limite tolerado é de até mil coliformes para a mesma quantidade de água. Outros elementos como nitrogênio amoniacal e fósforo, provenientes do uso de detergentes e de resíduos industriais de abatedouros e frigoríficos também foram achados em escala alarmante.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em todo o estado do Amapá há apenas 1,4% de redes de esgoto, já em Macapá 7% das residências são atendidas por rede de captação.



Lixo e despreocupação com o ambiente




Bares, hotéis, residências:
Aonde será que cai o esgoto?
Créditos da foto: Gerson N. L. Schulz
É impossível para qualquer transeunte, ao passar pelo centro da cidade e, ao deparar-se com o canal da Mendonça Júnior, não se preocupar com o destino das águas que circulam ali. O canal transporta esgoto primário, lixo e mau cheiro, material que invade diretamente o rio Amazonas de onde sai a água que a cidade bebe. É essa a contradição das cidades modernas, despejar seu lixo líquido nos mananciais de água doce. Algo que soa irracional e problema que em São Paulo já "assassinou" o rio Tietê há décadas.
No caso de Macapá é importante ter-se em mente que o Amazonas não é qualquer rio, é simplesmente o maior rio do mundo, que banha a Amazônia e do qual ela depende.
Outro fato é a orla do bairro do Araxá, na capital. Quem se senta certas noites em qualquer ponto dos quiosques ali instalados, tem que procurar uma mesa que não esteja contra o vento, pois o cheiro de esgoto é intenso, causando afastamento de turistas. O mesmo se dá para quem pratica esportes no entorno da Fortaleza de São José, o odor, em certas horas por ali, é desconcertante.

O que fazer?



Por fim, é esta uma triste realidade. O esgoto não é somente problema de Macapá, mas é preciso fazer algo para impedir que detritos de toda espécie tomem as águas do rio. O futuro da própria cidade depende de uma grande conscientização de autoridades e cidadãos sobre a importância da potabilidade das águas e da saúde do Amazonas. Os seres humanos e todo o ecossistema envolvido dependem diretamente disso. Quem joga lixo no rio não percebe que o plástico estará lá daqui a séculos poluindo. Não é mais fácil prevenir doenças instalando esgoto do que tratá-las? É impossível construir uma estação de esgoto em Macapá? É tão difícil promover campanhas para conscientizar a população desse problema? Façamos votos para que a foto que ilustra esta matéria continue fiel à realidade.