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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Avaliação da aprendizagem na região Amazônica

Gerson N. L. Schulz


Ampliando a discussão sobre o livro "Educação na Amazônia", lançado na UEAP no último dia 17 de junho, gostaria de comentar hoje o artigo "Avaliação da Aprendizagem na Região Amazônica: um estudo de caso" de autoria da Pedagoga, Mestre em Planejamento e Políticas Públicas, Mestre em Educação e doutoranda em Educação, professora Maria Aparecida Nascimento da Silva.



Profa. Msc. em Educação Maria Aparecida
Nascimento da Silva.
A doutoranda Maria Aparecida realizou investigação envolvendo a realidade da Escola Municipal Raimundo de Oliveira Alencar no bairro Laurindo Banha. Sua tese no artigo é que no Amapá existe avaliação quali-quantitativa. O que chamou a atenção da pesquisadora é que ao fim dos anos de 2003 e 2004 esta escola alcançou, nas turmas dos primeiros e segundo anos, índices de aprovação de 92% e 95%, respectivamente.



A metodologia foi a do estudo de caso e se desenvolveu por meio de análise qualitativa e quantitativa de documentos, observação, aplicação de questionários junto aos setores administrativo, técnico e docente, e entrevistas com os alunos, pais ou responsáveis. Assim sendo, a pesquisadora considerou uma população constituída por 1 diretor; 1 diretor adjunto; 1 secretário escolar; 1 responsável pela TV-escola; 2 supervisores escolares; 7 professores, sendo 4 de primeiro ano e 3 de segundo ano; 245 alunos, 136 nos primeiros anos e 109 nos segundos anos; 245 responsáveis por cada criança, que se denominou família. Assim, a população total foi de 503 pessoas. Nesse contexto, atingiu-se 100% do quantitativo descrito.



Por meio de olhar afinado, ela captou e compreendeu que na escola pesquisada a avaliação aplicada era do tipo "mediadora", tal como é descrita pela professora Jussara Hoffmann (em "O jogo contrário de avaliação, 2005). Hoffmann elege alguns princípios para classificar esse tipo de avaliação como 1) o processo de enviar e receber mensagens entre educadores e educandos. 2) o princípio da reflexão prospectiva (avaliar como processo que embasa em leituras positivas as manifestações das aprendizagens dos alunos, olhares férteis em indagações, buscando ver além de expectativas fixas: quem o aluno é, como sente e vive as situações, o que pensa, como aprende, com quem aprende?). 3) o princípio da reflexão na ação que se trata de avaliar como processo mediador que se constrói na prática. Assim, de acordo com a mestre Maria Aparecida, o professor aprende a aprender sobre os alunos na dinâmica própria da aprendizagem, ajustando constantemente sua intervenção a partir do diálogo com eles.



Por fim, para Silva, esse tipo de avaliação praticada na escola pesquisada fortalece o acompanhamento da peculiaridade de cada educando e visa ao seu progresso constante que possibilita tais índices de aprovação. Ela advoga que a avaliação tradicional, de cunho positivista, é antidemocrática e excludente, pois a maioria dos alunos, sem um acompanhamento adequado para sanar suas dificuldades, acaba evadindo da escola. Por isso a pesquisadora recomenda que esse modelo de avaliação seja expandido para outras escolas, já que valoriza o educando no processo, desenvolvendo suas potencialidades.