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quinta-feira, 13 de junho de 2013

JAGUARÃO, RIO GRANDE DO SUL: A IMPORTÂNCIA DE SEU PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO PARA O TURISMO



OPINIÃO ESPECIALIZADA




Rodrigo da Costa Segovia

Viviane Hasfilde

Especialistas em 
Cidades, Culturas e Fronteiras
UNIPAMPA  - Jaguarão - RS

Orientador:
Prof. Gerson N. L. Schulz


Ponte Mauá - Jaguarão - RS
Foto de
Lino Marques Cardoso
Jaguarão surge de um acampamento militar às margens de um rio, comandado pelo português Manoel de Souza, no ano de 1802. O nome é o mesmo do rio que delimita as duas cidades (Jaguarão e Rio Branco, no Uruguai), mas a lenda conta que seu nome origina-se da existência de um peixe que tinha sua metade jaguar, que devorava aqueles que iam buscar água às margens do rio Jaguarão, esse monstro tinha o nome de Jagua-ru, que na linguagem indígena significa Jaguar.

Segundo Sérgio da Costa Franco, "Pouco tempo se passava desde a Guerra da Cisplatina, quando o Conselho Geral da Província de São Pedro do Rio Grande resolveu propor ao governo do Rio de Janeiro a formação do município de Jaguarão. E o decreto veio, a 6 de julho de 1832" (In: Origens de Jaguarão: 1790 – 1833, 2007). Atualmente, Jaguarão tem uma população de 27.931 habitantes, possuindo uma área de unidade territorial de 2.054,392 km² e faz limite com a cidade de Rio Branco no Uruguay.

Não vamos colocar em discussão a questão de ser uma cidade de fronteira, mas sim a importância de seu tombamento para as questões relacionadas ao turismo, sabendo que a atividade turística no Brasil vem crescendo ano a ano e neste caso específico, na cidade de Jaguarão, buscou-se discutir se o tombamento da cidade propicia o aumento da procura turística ou não.

Segundo texto do IPHAN, "O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou na terça-feira, em Brasília, as propostas de tombamento do conjunto histórico e paisagístico de Jaguarão e da Ponte Internacional Mauá, no mesmo município, como bens do patrimônio cultural do país. A área urbana sobre a qual recairá a proteção proposta guarda um acervo considerável de bens culturais, com edificações coloniais, ecléticas, art déco e modernistas, que variam em tipologias, formas de implantação e acabamentos, e constituem um conjunto ainda extremamente bem preservado e íntegro. O traçado viário da cidade, demasiadamente retilíneo se comparado ao das cidades coloniais brasileiras, decorre possivelmente da forte influência espanhola em seu desenvolvimento" (Site do IPHAN, 3/05/2012).

Neste contexto, compreendemos a importância da preservação e do tombamento arquitetônico de Jaguarão, entretanto, aparece implicitamente que as questões voltadas ao turismo continuam influenciadas devido à questão do turismo de compras, visto que na cidade visinha de Rio Branco, no Uruguay existem os free shops, alvo de procura dos turistas que ora chegam a Jaguarão.

Importante ressaltar que o reconhecimento do patrimônio edificado de Jaguarão teve início na década de 1980 com os trabalhos desenvolvidos por profissionais e acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas, culminando com a produção do Programa de Revitalização Integrada de Jaguarão, PRIJ.

Ponte Mauá - Jaguarão - RS
Foto de
Lino Marques Cardoso
A professora Maria de Fátima Bento Ribeiro expõe no artigo "Cidade, Memória e Política: Jaguarão RS/ Patrimônio Histórico e Artístico Nacional" a importância de "reconhecer o patrimônio, criar e qualificar atrativos turísticos com atenção também para a diminuição das nossas desigualdades sócio territoriais, e isto inclui a atenção de projetos a itens relacionados à infraestrutura do entorno dos bens patrimoniais, e também aos usos e a denominada sustentabilidade dos mesmos".

Por fim, consideramos que as questões relacionadas ao tombamento propiciam desenvolver objetivos, ações e metas orientadas para o poder público, setor privado e sociedade civil organizada, seja, normatizando o acesso às verbas ou às medidas de preservação. Não podemos deixar de problematizar que o tombamento de Jaguarão foi imposto à sociedade sem um devido plebiscito para sabermos se esse era o consenso ou não para entrar em vigor tal tombamento, e que, mesmo protegendo o referido patrimônio e propiciar acesso a tais verbas, muitos integrantes da sociedade jaguarense desconhecem o termo "cidade histórica" ou "plano de ação" para cidades históricas. Ao relacionar o conceito de tombamento com o de turismo, notamos que a população vem diminuindo, assim parece que se criam novas problemáticas perpassando as questões: emprego, cultura, educação, saúde e qualidade do trade turístico.