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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

EVASÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: O CASO DA UNIPAMPA PÓS-GREVE



Andre Silvério Moraes Ferreira

Felipe Alberto

Geraldo Messias Cornélio Junior

Manoel Sena Junior

Marcos Juarez Fernandes Gomes

Artigo produzido na disciplina de Estudos Filosóficos em Educação

Orientador:

Prof. Gerson N. L. Schulz


É fato que o Brasil vem aumentando o número de vagas na educação superior ano a ano, seja com a criação de novas faculdades, campi ou ainda a criação e disponibilidade de cursos na modalidade a distância (EAD). Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, o total de instituições de educação superior passou de 1.391, em 2001, para 2.378 em 2010. Também, segundo o INEP, a disponibilidade de vagas quase triplicou de 1991 com 1.565.056 para 4.880.381 inscritos em 2007.
O fantasma da "evasão" escolar.
           Fonte: www.uol.com.br.
Por outro lado, com o aumento do número de vagas também cresceram os números da evasão escolar no ensino superior. Dados do censo mostram que de 2008 para 2009, um total de 896.455 estudantes abandonaram as universidades, o que representa uma média de 20,9% do universo de alunos. Nas instituições públicas, 114.173 estudantes (10,5%) largaram os cursos. Já nas particulares um total de 782.282 alunos (24,5% dos estudantes), evadiu-se.
Os custos também são alarmantes, pois cada estudante custa em média R$ 15.000,00 (quinze mil reais aos cofres públicos) ao ano na universidade federal e, em média R$ 9.000,00 (nove mil reais/ano) para a instituição privada. Nesse sentido, as perdas financeiras com a evasão no ensino superior em 2009 chegam a cerca de R$ 9 bilhões, segundo cálculos do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia, com base nos números do Censo do Ensino Superior divulgados pelo Ministério da Educação em dezembro 2008.

De acordo com o estudo sobre a evasão escolar no ensino superior brasileiro, realizado pelo Instituto Lobo (www.loboeassociados.com.br), mais de metade delas têm origem real no primeiro ano do curso e as razões são de ordem financeira por parte dos alunos, sendo o principal motivo dos evadidos. 
O arrependimento na escolha do curso, o excesso de exigências de estudos (quando é acima do esperado) para quem busca somente um diploma e as transferências para outras instituições são razões que se destacam. 
Vamos analisar agora o caso da Universidade  Federal do Pampa - Unipampa, Campus  Jaguarão, que não está fora dessa realidade. Para isso citaremos dados empíricos do curso de Licenciatura em Letras que, no primeiro semestre do ano letivo de 2012, possuía 54 (cinquenta e quatro) alunos efetivos e, nos seis meses subsequentes, as desistências subtraíram dos cadernos de frequência dos professores 17 (dezessete) alunos que evadiram, construindo um resultado negativo, pois o índice de evasão ficou, somente na turma do noturno, na casa dos 31,48%, quase três vezes mais que a média nacional.
Assim sendo, pergunta-se: que fator ou fatores acarretaram tal evasão? Pensa-se aqui que a greve dos professores pode ser considerada um indicador importante na evasão escolar do Curso de Licenciatura em Letras.
Certamente há outros motivos e, segundo a Secretaria Acadêmica do campus Jaguarão, não há indicadores mapeados sobre a evasão e seus motivos, mas no caso da turma do noturno, as desistências iniciaram-se por parte dos alunos após a greve da faculdade, entre junho e outubro de 2012.
Portanto, conclui-se que a greve dos docentes (que na prática nada trouxe de significativo para os professores e alunos) é a responsável pelo atraso nos estudos discentes e pela evasão escolar na fronteira sul do Rio Grande do Sul, especialmente na Unipampa campus Jaguarão.