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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Certo ou errado matar?

Gerson Nei Lemos Schulz


Na semana que passou as redes de televisão mostraram abundantemente as cenas finais da vida de um homem de 25 anos que ameaçava explodir uma granada em uma calçada no Rio de Janeiro. Ele não apenas chantageava explodir o artefato, mas tirar a vida de uma mulher inocente.

Especulando, é possível que o rapaz tenha tido uma infância difícil e se formado na escola do crime. Afro-descendente, pobre. Será que optou por essa vida por estar desempregado?

Marxianamente se poderia dizer que ele representa uma grande parcela de oprimidos da sociedade (proletariado) que é explorada pelos mega-capitalistas. É bom lembrar aí que em Marx o dono da padaria da esquina, da farmácia, do boteco, etc., não é mega-capitalista, mas pequeno burguês, assim como todos aqueles que não trabalham diretamente nos meios da indústria fabril. Então, até o professor é um pequeno burguês para Marx, já que desfruta de um salário que não é o mínimo (embora em alguns lugares ganhe menos de R$ 465,00). Mas isso não serve para afirmar que a polícia agiu como braço opressor do Estado e eliminou um indivíduo que se "rebelou" contra o sistema que o excluiu, o capitalismo. Caso diferente de quando a polícia paraense atirou com metralhadoras contra homens, mulheres e crianças desarmados no Carajás em 1996. Aquela ação sim foi antiética, imoral e ilegal.

Quanto à análise de classe social pode-se afirmar que o assaltante era aburguesado, inclusive porque não consegue comprar uma granada quem não tem boa quantia de dinheiro ou não negocia com traficantes que estão mais para mega-burgueses que proletários.

E se fosse branco e morasse num apto em Copacabana? Teriam atirado? Em São Paulo não atiraram no namorado da Eloá que era pobre, mas branco, porque era jovem, disse o comandante da operação. A resposta correta é: deveriam ter atirado, independentemente, pois a cor da pele não absolve ninguém.

Mas a pergunta persiste. Imagine que fosse sua filha que estivesse nas mãos do assaltante e você pudesse dar ou não a ordem para atirarem, o que faria?

O que é mais ético: deixar morrer, no mínimo, os dois policiais negociadores, a refém e o assaltante que estava cometendo um crime e sendo ao mesmo tempo imoral e antiético; ou atirar nele de forma certeira como foi feito pela polícia para impedir a morte de inocentes?

No caso discutido a ética e a moral autorizariam a ação porque seria antiético, imoral e injusto deixá-lo matar inocentes numa situação sem fundamento, inválida, portanto e considerada errada – o crime. Então a polícia acertou ao matá-lo.

Agora, se ocorrer outro caso igual e o protagonista for de classe social mais "alta" ou "não-afrodescendente" e por isso os policiais não atirarem, aí sim, será imoral e antiética e a justiça ficará para depois.

Portanto, a polícia agiu corretamente já que juridicamente tinha esse poder e foi moral e ética porque cumpriu seu papel representando o Estado, defendendo o cidadão comum da violência, mantendo a segurança pública e protegendo aqueles que não saem por aí assaltando, atirando com fuzil ou detonando granadas contra pessoas de bem.

11 de setembro em Macapá

Gerson N. L. Schulz




Escolhi este título para o artigo para lembrar a destruição do World Trade Center de New York e para refletir sobre algumas palavras que ouvi nessa data ao passar em frente a certa igreja cristã no centro. Era um verdadeiro terrorismo psicológico, eis as palavras do pastor: "Quem não paga o dízimo aqui é ladrão." (sic) – dizia apontando o dedo para a multidão. "Porque quem não paga, rouba Deus!" (sic). E continuava: "Tu que não paga o dízimo vai ardê no inferno porque Deus 'tá vendo tudo o que tu faz." (sic). Tal fato me leva hoje a refletir sobre a filosofia da linguagem dos sacerdotes (padres, pastores, etc.) cristãos. Além das palavras supracitadas serem, do ponto de vista lógico, falácias de falsa causa e apelo à autoridade, soam teologicamente absurdas.



Considerando o pensamento filosófico, observo que a lógica dos pregadores funciona por persuasão pura e por apelo à ignorância das pessoas para convencê-las sobre o que desejam, resguardados pelo conceito "deus". E é por ser este conceito tão influente que é fácil controlar as pessoas carentes de senso crítico.



Assim, o discurso do sacerdote é um monólogo. Não permite discussão: "é assim e pronto!" Quem acredita, assiste a tudo passivo. É o discurso do "eu-tu-eu", conativo, pautado em textos anfibológicos (bíblia). A dialética (princípio de qualquer diálogo) é assassinada. Mata-se o tu, pois o sacerdote não obedece, manda. Ele fala para um auditório como se falasse para si mesmo. Fica num lugar mais alto que os demais para manter o status de autoridade. E é aí, no discurso monológico e malevolente que o poder se revela, pois o sacerdote repete somente frases já sacramentadas pela instituição. E isso funciona perfeitamente quando ele usa a pedagogia da catequese (repetição). Do discurso exclusivista: p. ex. "não há salvação fora da igreja".



Enquanto os discursos lúdicos ou polêmicos permitem um maior grau de polissemia, o discurso das igrejas em geral não permite leituras diferentes daquelas que suas "autoridades" (donos) desejam, expulsando do grupo aqueles que não concordam. Além disso, trata-se de um discurso que se funda sobre um mito (judaico-cristão) que não explica a origem do homem, apenas especula. Logo, só tem valor para quem acredita. Como diz Nietzsche em "O Anticristo", "[...] e se o 'deus' judaico-cristão não existir?" Os próprios teólogos católicos já admitem que a maior parte dos textos bíblicos é mitologia. E até agora, para a Arqueologia e a História, são fracas as evidências sobre a existência real de Jesus.



Enfim, o poder do sacerdote escancara sua face mais nefasta e perversa quando, a partir da persuasão, modifica endogenamente o indivíduo. É esse poder que faz com que um desempregado entregue seus recursos à igreja acreditando que ganhará alguma recompensa de "deus". Isso não é libertar, é oprimir! Mas cuidado, é também o indivíduo que, acreditando no sacerdote, aumenta seu poder, perpetuando sua tirania. Como disse um professor meu certa vez, (Dr. Osmar Schaefer), "se for à igreja tire o chapéu, mas não tire a cabeça."