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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

UM ESTUDO SOBRE A FILOSOFIA PEDAGÓGICO-POSITIVISTA NA PERSPECTIVA DE MOACIR GADOTTI



SEÇÃO TRABALHO CIENTÍFICO



Autor:
 
Filipe Botelho Soares Dutra Fernandes

 Orientador:

Gerson Nei Lemos Schulz

filosofodocotidiano@gmail.com

 
Palavras-chave: Educação. Positivismo pedagógico. Burguesia. Dürkheim. Whitehead.
 
1 INTRODUÇÃO
 
Prof. Moacir Gadotti
O presente trabalho tem por objetivo analisar os escritos de Moacir Gadotti em seu livro História das Ideias Pedagógicas; especificamente o capítulo oito, que trata das ideias de Émile Dürkheim e Alfred North Whitehead, e como o pensamento pedagógico positivista dos referidos autores, baseado no positivismo de Auguste Comte, funciona em sua aplicação na educação.
 
 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO
 
"O pensamento pedagógico positivista consolidou a concepção burguesa de educação. No interior do iluminismo e da sociedade burguesa duas forças antagônicas tomaram forma desde o final do século XVIII. De um lado, o movimento popular e socialista; de outro, o movimento elitista burguês. Essas duas correntes opostas chegam ao século XIX sob os nomes de marxismo e positivismo, representadas por seus dois expoentes máximos: AUGUSTO COMTE (1798-1857) E KARL MARX (1818-1883)" (GADOTTI, 2003).
 
Como aponta Schulz (2011), assim como na teoria evolucionista de Charles Darwin (embora Darwin nunca tenha se referido aos seres humanos dessa forma), o positivismo também acredita na ideia de que apenas as pessoas mais capazes merecem sobreviver na sociedade. E os mais capazes são aqueles que são mais inteligentes, mantêm o poder financeiro ou são mais saudáveis. O positivismo também acredita que tais pessoas nascem com essas capacidades de forma que quem não é inteligente, rico e saudável nunca o será, pois não é possível mudar a natureza de uma pessoa. Consolidar tal crença é, então, a função da pedagogia positivista que prega uma escola para ricos, outra para pobres. Nesse modelo cabe aos ricos serem educados para altas funções e aos pobres serem educados para o ensino braçal ou técnico (GADOTTI, 2003).
 
3 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
 
O presente artigo é fruto da disciplina de "Elementos Filosóficos da Educação" (ministrada pelo Prof. Dr. Gerson N. L. Schulz) e a partir de um projeto de ensino em que os acadêmicos produzem artigos jornalísticos para a publicação em um blog de filosofia. Assim, este trabalho tomou por base parte do capítulo de um livro do professor Moacir Gadotti, no qual este analisa as ideias de Dürkheim e Whitehead, adeptos do positivismo de Auguste Comte.
 
A partir da leitura do texto, buscamos analisar o que é o pensamento pedagógico-positivista e como este, embora reprodutor de ideias classificadas por muitos como preconceituosas, retrógradas, conservadoras e elitistas, ainda se faz presente no cotidiano das salas de aula.
 
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO
 
Nascido no cerne da burguesia francesa no século XIX, o pensamento positivista foi concebido para formar a nova sociedade. Mas foi na primeira metade do século XX que suas ideias foram aplicadas na educação por Dürkheim e Whitehead. Eles se encarregaram de tornar a educação responsável por constituir a formação científica da sociedade, seu projeto era destruir a subjetividade da religião e a metafísica da filosofia e substituí-las pelo poder da ciência. (GADOTTI, 2003).
Nesse modelo educacional as crianças deveriam ser "adestradas" para desenvolver suas capacidades naturais. A sociedade se dividia em estamentos sendo difundida a crença de que bastava manter-se a ordem social e se teria, necessariamente, o progresso técnico-científico. É por isso que Whitehead diz que toda educação deve ser útil. Assim, disciplinas ligadas às "humanidades" deveriam ser abolidas para dar lugar à formação científica e tecnológica.
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
A filosofia de Comte, Dürkheim e Whitehead, apesar de
Auguste Comte
meritocrática, elitista e questionável, teve enorme influência. Sua crença primordial está expressa no lema da bandeira brasileira; justificou a Ditadura Militar de 1964 ('ordem' x 'caos') e possibilitou a imposição da educação tecnicista de cunho utilitário como princípio de progresso. Na sala de aula o professor ainda é visto como único detentor do conhecimento e o aluno o "ignorante". Por fim, podemos afirmar que a escola ainda é positivista no Brasil, pois valoriza a burocracia, impõe os padrões sociais burgueses a todos, sem exceção, é conteudista, "treina" os indivíduos – desde a escola infantil até a secundária – para serem bem sucedidos em um teste nacionalmente padronizado chamado ENEM.
 
REFERÊNCIAS
 
GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 2003.
 
SCHULZ, Gerson Nei Lemos. O que é positivismo. Maio de 2011. Disponível em: <http://filosofiadomarcozero.blogspot.com.br/2011/05/o-que-e-positivismo.html>. Acesso em: 23 de jun. de 2016.

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