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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

SCHAAN, DENISE PAHL. MÚLTIPLAS VOZES, MEMÓRIA E HISTÓRIAS: POR UMA GESTÃO COMPARTILHADA DO PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO DA AMAZÔNIA. IN: REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, V. 33, P. 109-135, 2007



RESUMO INFORMATIVO


                                                                                      
Leandro de Freitas Pantoja[1]


Aspecto do interior da Floresta Amazônica
no Amapá

Esta foto pertence ao arquivo pessoal  do
professor Gerson Nei Lemos Schulz
Editor deste Blog
Múltiplas vozes, memória e histórias... é o título do artigo assinado pela professora (Ph.D. em Antropologia Social – Arqueologia – pela Universidade de Pittsburgh) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará – com áreas de concentração em Arqueologia, Antropologia Sócio-Cultural e Bioantropologia – Denise P. Schaan, publicado no 33º volume da Revista do Instituto Histórico e Artístico Nacional. É digno de atenção no ensejo que a pesquisadora detém larga experiência e conhecimento acerca do pomposo patrimônio arqueológico amazônico expresso em muitas de suas publicações e relatórios técnico-científicos.

Múltiplas vozes, memória e histórias nos sugere a noção de se compreender a(s) Amazônia(s) brasileira especialmente, no cerne de um “pressuposto” ou “conceito” abreviado pelo antropólogo Raymundo H. Maués, quando argumenta a favor da histórica heterogeneidade étnica constituinte do espaço amazônico. A isto denominou de sócio-diversidade[2].

Esse entendimento converge literalmente com as múltiplas histórias, vozes e memórias das distintas culturas humanas que materializaram sua presença na região historicamente por diversos meios, legando assim, e fundamentalmente, a complexidade organizacional de seus grupos, seus laços de sociabilidades/contatos e as formas de relação como o meio natural de onde provinham sofisticados significados culturais (simbólicos), bem como seu vital usufruto material.

É somente no século XX, expõe a pesquisadora, que as primeiras e sistemáticas pesquisas científicas ocupadas do registro e estudo de um grande número de sítios arqueológicos na Amazônia se concretizarão. E isso se dá especificamente no ano de 1948 com a vinda do casal de americanos Betty Meggers e Clifford Evans. Ainda que o passo inicial tenha sido dado quanto à investigação científico-arqueológica, destaca o fato de na ocasião não haver ainda uma política de caráter preservacionista, implicando na ocorrência de que, (...) “à medida que a comunidade científica começava a descobrir o passado, os objetos arqueológicos adquiriram ainda maior valor no mercado”. Tal processo acabou por impulsionar negativa e paradoxalmente a prática (cada vez mais recorrente) de mercantilização e tráfico de objetos culturais em âmbito internacional à proporção que sua “valorização era originada pela própria valoração imputada por antropólogos, arqueólogos e historiadores aos objetos produzidos e utilizados por populações do passado” (SCHAAN, p. 110), e cuja Amazônia seria também calamitosamente assolada.

É também por esse viés analítico que a autora tecerá sua argumentação ao objetivar pensar e discutir estratégias para com a proteção da herança arqueológica amazônica concomitante à redução do tráfico deste material em questão. Nesse sentido, chama atenção para o entendimento da especificidade do problema na região, dado salutar segundo ela, para se poder conceber e por em prática políticas públicas condizentes as demandas dessa realidade. (SCHAAN, p. 110).

Seguindo os pormenores do texto, a autora parte para conceituação de dois aspectos importante na linguagem arqueológica em vista do seu objetivo: Patrimônio e Sítio arqueológico. Para o primeiro, alude ser “um conjunto de bens culturais produzidos pelos seres humanos e que são em determinado momento histórico, considerados significativos, e cuja preservação e proteção são reivindicadas, pelo menos por parte da sociedade, como relevantes. Nesse sentido patrimônio arqueológico são tantos os vestígios materiais demandados de toda e qualquer atividade humana, bem como as modificações provocadas na paisagem em determinado local ou região. Cabe destacar a dimensão histórica e social que permeia este conceito. Em síntese, o segundo termo consoante Schann, pode se entendido como o “local onde se encontram vestígios arqueológicos (especialmente artefatos) (...) que pode ser facilmente delimitado pela identificação da área de dispersão dos mesmos vestígios”. Para este conceito alerta para a consideração do entorno deste “limite delimitado” pelo pesquisador, tão importante para o estudo e compreensão dos sítios, neste caso, os caminhos, as áreas de cultivos e pesca etc.. (SCHAAN, p. 111).

Diante de tais considerações é preciso ter claro o recorte geográfico alcançado pela análise da autora: “(...) neste trabalho nos ocuparemos principalmente da área de distribuição da floresta tropical e campos que apresentam problemas semelhantes de gerenciamento do patrimônio por causa das dificuldades de transporte e comunicação, carência de recursos humanos especializados (...)”. (SCHAAN, p. 112).

Região amazônica

Sendo a região Amazônia caracterizada por sua biodiversidade, é lógico transpor isso para os sítios arqueológicos em termos de suas especificidades e diversidades. Nesta perspectiva a professora, para melhor explorar e caracterizá-los, distribui-os tipologicamente considerando os aspectos físicos e os tipos de vestígios a eles identificados e os fatores de riscos que mais ameaçam sua integridade. Dessa forma vai caracterizando brevemente cada “tipo” de sítio (ressalvando que este pode pertencer a uma ou mais categoria), apresentado seus ambientes e formas, disposição no meio natural e riscos a sua integridade etc.. Este exame abarcou apresentar um total de oito sítios, os quais foram: sítios de registros rupestres, sambaquis, sítios cemitérios ou cerimoniais, sítios de terra preta, sítios monumentais, sítios coloniais ou de contato, sítios submersos e sítios de pouca visibilidade. Ao final da descrição de cada um deles respectivamente em sua singularidade, aponta para importância deste exercício de maneira que pode ajudar sobremaneira a pensar estratégias quanto a sua preservação. (SCHAAN, p. 117).

Diante disso parte em seguida para um problema recorrente: a prática do colecionismo de objetos arqueológicos. Isso vem acarretando (e não é de hoje) a busca e apropriação criminosa por pessoas que almejam enriquecimento rápido com a comercialização destas peças de “conteúdo [e valor] histórico e cultural”. Divaga ainda acerca das supostas (ou conotação de) “doações” que muitos museus acabam imputando aos objetos de procedência “duvidosa”, (aquisição das peças através da compra de terceiros ilicitamente) sem a devida averiguação de sua condição legal e o fato (ainda mais preocupante a nosso ver) de se comercializar material arqueológico (fragmentos, ou mesmo peças completas) livremente em mercados turísticos da Amazônia (SCHAAN, p. 118-119).

Há de se tomar nota da crítica que a autora dispensa ao “crime” (assim entendemos) causado ao patrimônio arqueológico pelo próprio poder público constituído na região quando evidencia os seguintes fatos: “a abertura de estradas federais cortando sítios arqueológicos, como no caso dos geoglifos do Acre; (...) construção de praça, com banheiros sobre sítios arqueológicos com verba da Câmara Federal, em Joanes, Ilha de Marajó, em 2004; vandalismo em sítios de arte rupestre dentro de parques estaduais e áreas de proteção ambiental, como consequência da propaganda turística de agências estatais”. Ao fim é temerária quando toca na prática do turismo arqueológico na região: "prevê-se que o turismo arqueológico será, nos próximos anos, uma das maiores causas da destruição do patrimônio arqueológico, caso não seja tomados providencias a respeito" (SCHAAN, p.119).

Mais a frente irá discutir uma realidade comum na Amazônia: a presença de comunidades ribeirinhas, afro-brasileiras (quilombolas) e indígenas, cujo território por elas habitado situam-se sobre sítios arqueológicos de tipos diversos. Esses grupos têm uma relação direta com o patrimônio arqueológico e, conforme expõem, o agridem sem saber às vezes ou por outras necessidades, do “crime” que estão incorrendo, pensamos. Neste caso os fatores que mais concorrem para a depredação das peças arqueológicas são geralmente as “construções de casas e a retirada de vasos de cerâmica arqueológica para uso doméstico”. Em alguns casos, alerta Schaan, a descoberta fortuita dos objetos arqueológicos por esses moradores provoca a cobiça de comerciantes que passam a procurá-los e remunerá-los para escavarem e retirarem as peças (SCHAAN, p.121).

Diante dessas problemáticas, presume a autora ser fundamental conceber ações identificadas com a Educação Patrimonial.  Esse é um trunfo ou estratégia importante diante dos problemas que assolam a preservação e impulsionam o tráfico da herança arqueológica local. Mas, é necessário ter em mente sua real e efetiva aplicabilidade mediante preparo teórico-prático (profissional) sólido de modo a possibilitar ganhos positivos e concretos. Assim, é oportuno destacar novamente o posicionamento crítico da autoria acerca de iniciativas que orbitam nessa perspectiva: “(...) dentre os programas de educação patrimonial em projetos de arqueologia de contrato já realizados ou em andamento, observa-se a falta de uma orientação e participação maior de arqueólogos, que deixam tantos os encontros com o público-alvo quanto à produção do material didático nas mãos de educadores com pouca ou nenhuma experiência em arqueologia”. Nesse contexto reclama a adesão e participação mais efetiva dos “arqueólogos em projetos que envolvam a divulgação de conceitos e práticas arqueológicas” (SCHAAN, p. 124) dando apoio imprescindível neste processo.

Aspecto do interior da Floresta Amazônica
no Amapá

Esta foto pertence ao arquivo pessoal  do

professor Gerson Nei Lemos Schulz
Editor deste Blog

Diante do exposto, as linhas finais do artigo se voltam a procurar e propor soluções frente a tais demandas. Nesse sentido, destaca a pesquisadora, é de sumária importância que a sociedade se envolva efetivamente no processo de concepção, gestão e execução de projetos de pesquisa arqueológica. E isso é uma realidade que se esboça na região quando recorre a exemplos de experiências ocorridas no Amapá (Reserva Indígena Uaça) e na Vila de Joanes na ilha de Marajó. Por fim a professora destaca uma série de medidas para a proteção e preservação do patrimônio arqueológico da Amazônia. Destaca a carência de arqueólogos na região e a amarga realidade da ausência de cursos superiores em arqueologia nos estados amazônicos. Nesse contexto é que se deve conceber a educação patrimonial como possibilidade junto à sociedade e principalmente frente às comunidades que mantém contato objetivo com os materiais arqueológicos de forma que se sintam responsáveis e zelem por tais bens culturais. Para ser exato a autora expõem 22 medidas que podem ser  executadas em nossa região diante do problema da destruição, preservação e tráfico dos bens arqueológicos. (SCHAAN, p.127).




[1] Acadêmico do curso de Especialização em História e Historiografia da Amazônia da UNIFAP.
[2] MAUÉS, R. H. Uma outra “invenção” da Amazônia. Belém: CEJUP, 1999.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

DEUS, UM DELÍRIO?


Seção
Primeira Pessoa



Tom Reis


Graduando em Ciências Sociais 
na Universidade Federal do Amapá - UNIFAP 
e em Psicologia pela SEAMA






"Podemos pensar sobre o que não conhecemos?". Retirei a divindade da religião e a crítica feroz sobre ela. Propus-me a desmistificar o pensamento teísta e deísta através de um texto em formato ensaístico com corpo, argumentação e percepção filosófica. Transformei o agente físico divino em conceito neutro e não o relaciono com nenhuma religião ou filosofia de caráter místico. Deixo claro que não refuto o deus cristão nem o deus hindu ou qualquer outro que impere mundo afora.



Deixo em segundo plano a necessidade do conhecimento científico para justificar meu discurso. O objetivo é esclarecer de forma simples, prática, e clara a incoerência do pensamento comum sobre as coisas e sobre o plano divino. Critico o aprisionamento do pensamento e sua formação preguiçosa e preconceituosa e a falta de perguntas sinceras que possam afrontar e confrontar os paradigmas e dogmas religiosos. Afirmo hoje e sempre: Não é proibido pensar! Faça-o por conta própria, instigue. Seja dono de si. O ceticismo é a principal ferramenta para alcançarmos a evolução e destruir as ilusões que criamos ao longo da existência e que nos impedem de sermos felizes por alguns milésimos.

O silogismo do título não é um artifício linguístico para chamar a atenção dos que leem de forma dinâmica e descompromissada, tampouco um anúncio de uma poesia de cunho reflexivo ou uma notícia sensacionalista. Não pretendo em minha literatura atrair aqueles que julgam o epílogo pelo prólogo. Não consegui em demorada reflexão nomear este texto com outras palavras a não ser com estas que se apresentam de forma singela, rápidas, porém impactantes. Ao fim deste texto será possível, somente banhado de racionalidade e sinceridade, compreender minuciosamente a afirmação que inicia esta leitura.


"DEUS, UM DELÍRIO?" Quase ridículo! Ao ler este ultraje aviso, subitamente brota de nossa consciência o interesse em solucionar esta sentença que beira a impossibilidade. Beira não! É impossível. E não tiro esta razão em pensar que todo pensamento é pensável. Pensar em qualquer complexidade, mesmo que jamais a solucione, é pensar sobre ela.

O delírio e a ideia inconcebível é "deus".


1 Exercício da formação do pensamento verossímil do pensamento irreal e o problema da propagação

É impossível acreditar em algo e não pensar sobre o mesmo. Quanto maior o interesse, aproximação e disposição em uma aspiração ou ideia, maior será a visualização figurativa dela. Por exemplo, alguém que acredita que algum dia irá conseguir o emprego dos sonhos não se abstém do exercício de pensar como seria tal realização.

Imaginemos um sujeito recém-formado em Direito que possui o sonho – conseguir um invejável emprego num renomado escritório de advocacia – é óbvio que o rapaz pode montar um cenário em sua cabeça que condiz parcialmente ou quiçá totalmente com a realidade. 

Pode, espontaneamente, imaginar o terno que irá usar no primeiro dia, a marca do carro que o irá apanhar no horário combinado, o escritório moderníssimo que o espera, a secretária lindíssima que irá desejar bom dia etc. Tal pensamento que pode beirar a realidade só é possível porque o tal sujeito está banhado por esta ideia, não lhe faltou tempo nem pesquisas, muito menos um ambiente propício para minuciosamente saber como seria o tal trabalho na realidade. Ou seja, quanto mais próximos estamos ou conhecemos sobre determinado assunto, maior é a possibilidade e facilidade em imaginar uma situação quase real. 

Pois bem, seguindo o mesmo exercício imaginemos um jogador de futebol de alto nível mundial, é bastante comum e prático o mesmo pensar e montar o cenário do seu próximo jogo. Dotado de experiência, o sujeito consegue imaginar o estádio, a vibração da torcida, o som das vaias da torcida adversária, o tom de voz da "bronca" do árbitro, o ruir do apito e até o sabor de uma gota de suor quando toca a língua. Este cenário pode ser montado em alguns minutos, quem sabe em poucos segundos. 

É incrível e admirável um pensamento se aproximar tanto da realidade quase lembrando um sonho do qual não sabemos diferenciar de uma cena real. Mas se a este atleta (para bem do exemplo, o sujeito desconhece qualquer informação científica) for imposto que imagine e descreva a sensação, ambiente ou qualquer casualidade de uma viagem para a lua, o mesmo fará uma descrição demasiada fictícia, obviamente por nunca ter tido contato com astronautas ou satélites. Quão verossímil é sua ideia sobre essa viagem? Nada, zero. Sua projeção não passa de uma ilusão (visão superficial) sobre o assunto que criou ao longo da vida por diversos fatores. Montou este ideário seguindo algumas histórias na cidadezinha rural em que nasceu, vendo alguns filmes pela madrugada de ficção científica (monstros, espíritos, aberrações etc.), vídeos e fotos adulteradas por canais sensacionalistas, nada nem próximo que realmente seja uma viagem lunar ou um ambiente similar. 

O jogador desconhece a realidade. Este atleta renomado pode aos quatro ventos dizer que a ideia que possui sobre a viagem a lua se aproxima da realidade? Pode este, por intransigência, ignorância e falta de sinceridade dizer aos incontáveis leigos que sua descrição pode e deve ser levada a sério?

Pode este defender esta ideia aos próprios astronautas a fim de convencê-los? Pode este dizer que sua opinião não pode ser contestada por quem quer que seja, nem pelos próprios conhecedores do assunto? Pode este acusar negativamente todo o conselho científico afirmando que os mesmos possuem amizade com monstros espaciais? A todas estas perguntas, respondo com um evasivo "não". Porém, mesmo que proibido pelo senso comum, o jogador, caso lhe for conveniente o fará sem pudores. 

Primeiramente, qualquer pessoa pode imaginar e conceber uma ideia verossímil, porém vimos que somente é possível dotada de experiência, habituada ao ambiente em questão, conhecedora do assunto ou situação que estar por vir etc. 


Não imaginamos o que não conhecemos de nenhuma forma. Vimos no segundo ato que caso estivermos fora de tais fundamentos descritos acima para que possamos exercitar o pensamento sensato, passaremos por loucos ou no mínimo demasiado idiotas. Eis o desfecho do exemplo do renomado jogador de futebol com o ideário de uma viagem à lua: O mesmo pode convencer com sua infame história quantos leigos achar necessário, não surpreendente, sabendo que esta gama de idiotas compartilha do mesmo pensamento que o nosso jogador de elite. Todos, assim como ele, formariam o mesmo pensamento e descrição, obviamente porque todos se ausentaram do conhecimento correto sobre o assunto e se afundaram em ilusões a respeito. 


Logo, não é difícil (ao contrário, extremamente fácil e plausível) que todos concordem sem pestanejar que o jogador de futebol fala a verdade e somente a verdade sobre a viagem. Milhares de leigos compartilhariam sua ideia mundo afora, esbaldar-se-iam num argumento falacioso; o Apelo a Autoridade. "Como poderia um renomado e brilhante jogador de futebol dizer asneiras?!", e outros tantos leigos-renomados se autoproclamariam detentores da verdade.

Tal situação estapafúrdia, em tempos remotos era corriqueira. Para exemplo e brevemente cito a mescla das mitologias que ao passar dos tempos se tornaram o cerne das religiões ocidentais. Cópias de cópias de tantas outras que é claro, apoiavam da mesma tola, ignorante e inocente história sobrenatural para qualquer fenômeno natural.


Ora, se desconheciam plenamente a matéria, como falando sobre metafísica poderiam estar certos sobre a origem da matéria? Repito: Quão verossímil seria o pensamento deles?


Nada, zero. Afirmo que em tempos distantes não seria de nenhuma dificuldade um tolo convencer vários tolos e estes por sua vez persuadir outros milhares com uma história sem nenhum embasamento ao passo que todos eram tolos. Porém, felizmente, não estamos em tempos remotos em que uma ideia sobrevive simplesmente por ser mencionada por várias pessoas do senso comum. Ou sobrevive?


O jogador renomado, mesmo que consagrado e tido como líder por milhares de pessoas, ainda sim seria um completo idiota perante o restante da sociedade que ao contrário dele, conseguiu por inúmeros fatores adquirir um básico conhecimento científico baseado na realidade e não em uma obra cinematográfica onde tudo é possível, inclusive a amizade entre astronautas e monstros.

Afirmo então que uma ideia elaborada por alguém que se ausenta do conhecimento ou prática sobre o assunto não passa de uma ideia irreal. Algo que pode ser propagado ao bel prazer no mundo ideal e ou no meio cinematográfico, porém desmascarado subitamente em praça pública no campo sensível e mundano. Logo, o idealizador do pensamento será visto como idiota e se caso sustentar o pensamento confrontando a realidade será considerado louco e logo internado.




Todo este exercício não foi montado ao acaso. Imaginemos esta situação de criação mental verossímil e de criação mental totalmente ilusória nas mais diversas situações multiplicadas ao infinito. Porém, é claro, que a cada segundo que evoluímos racionalmente, uma ideia vista como pertinente no segundo posterior poderá ser vista como absurdo. É de se perceber que o mundo caminha rumo ao fim de suas próprias ideias figurativas iniciais; ilusões. Exemplifico esta afirmação da seguinte forma: Já fomos em algum momento e tempo, jogadores de futebol renomados que falavam sobre viagens a lua. Ou ainda somos? 

Tendo este exercício em mente, continuo meu discurso. Retomarei este pensamento quando necessário.


2 Perguntas e argumentações básicas sobre o conceito da ideia de deus



Agora inicio meu discurso sobre a ideia de deus; o objetivo deste texto – o pensamento impensável. Tentarei ser prático e lacônico, não me aprofundarei em perguntas ou teorias filosóficas, mas esta é imprescindível.



2.1 O que é deus?


Uma força? Uma energia? Um espírito? Como posso responder essas três simples perguntas iniciais se não faço ideia do que as mesmas são em conceito? Quer dizer, nem tanto. E respondo categoricamente o porquê. A Força, mesmo que impalpável, invisível, intangível etc., como a conhecemos, é um dos conceitos fundamentais da física newtoniana. Capaz de vencer uma inércia de um corpo, resultado de uma massa multiplicada pela aceleração. Uma grandeza que pode ser mensurada e obviamente equacionada. Mas é desta Força que estamos falando? Ou estaríamos falando de uma força superior? Desta, que fiz questão de destacar, se trata apenas de uma palavra de conceito vago. Não há explicação natural para esta força a não ser a vaga ideia de que ela se parece com a força newtoniana. Algo que move, que cria, que se sente... Uma força.


Isaac Newton

Posiciono-me não somente como cético, porém como um ser racional. Como podemos entender o que é esta força se este conceito se ausenta de definição própria? Como posso conceber algo como existente se não sei do que se trata nem de lampejo? Não creio que seja possível. A definição desta força é apenas um conceito distorcido do que realmente é a força. Porém, conceituam metaforicamente para não caírem na realidade; a de que esta força nada mais é que uma invenção ao acaso.

A Energia, mesmo que impalpável, invisível, intangível, e dentre várias definições, devo citar algumas que conhecemos no meio acadêmico e prático. A energia potencial gravitacional, energia elétrica, energia elástica, energia nuclear, energia cinética, energia térmica, energia mecânica, energia solar, energia química etc.! O que entendemos por Energia? Em cada campo em que citei, a energia pode ser mensurada e obviamente equacionada. Porém é esta energia que define deus? Obviamente não. Se o conceito da força newtoniana é distorcido esdruxulamente para se adequar o que seria a força suprema, imaginemos subitamente o quão distorcido o conceito da Energia se tornou. E já devo alertar sobre o maior equívoco e distorção para o qual nossas mentes operam em prol do misticismo e da resposta mais curta; o plano sobrenatural.

Espera-se sentir a tal energia suprema. Podemos senti-la? Ora, sabemos que a Energia (cinética, gravitacional, solar etc.) de alguma forma física pode ser sentida. Porém a sentimos na matéria, por nossos sentidos. Já a energia suprema não pode ser sentida da mesma forma que a Energia que conhecemos. Espera-se senti-la por nossos sentimentos, o que é algo impossível. "Eu sinto a energia e força em meu coração". Desta forma se faz o equívoco. Um jogo de palavras entre sentido, sentir e sentimento (lembremos que o coração é apenas um órgão muscular que bombeia sangue, e é claro não guarda emoções ou sentimentos). Neste bojo de estudo e definição em que se encontra a Energia, o conceito da energia suprema são apenas duas palavras (energia + suprema) e nada além. Ou será possível alguém definir esta energia a não ser por metáforas aleatórias? Improvável.

Afirmo que se não podemos definir força e energia, como ousaríamos definir um espírito sabendo que o Espírito humano é demasiado subjetivo? Como podemos afirmar ou conceituar de forma racional uma ideia infundada? Não podemos. Um espírito é... algo sobrenatural? Algo que atua na matéria, porém que não é matéria? Se pode atuar, mudar, intervir no plano material, como em nada é matéria? É inconcebível a ideia de algo que é, mas ao mesmo tempo não é.

Aqui, faço das palavras de Voltaire, as minhas:

“Quando queremos conhecer grosseiramente um pedaço de metal, nós o colocamos ao fogo num cadinho. Mas dispomos de um cadinho para nele colocar a alma? "Ela é espírito", diz alguém. Mas o que é espírito? Certamente ninguém sabe nada a respeito; é uma palavra tão vazia de sentido que somos obrigados a dizer o que o espírito não é, visto que não podemos dizer o que é."

Força, energia e espírito são palavras de conceito vazio. Como podemos ter ideia do que são? Não podemos imaginar nada a respeito delas, não podemos figurá-las nem conceitua-las etc. Então, como ousamos definir deus com palavras que desconhecemos? Ousamos.


3 Refutação à subjetividade, concepção metafórica e características da ideia. Sobre a necessidade de antropomorfizar o conceito 



Voltaire
Porém deus não é definido apenas por essas três palavras, seria um disparate incalculável de minha parte dizer que sim. Mas sigo rigorosamente criticando qualquer característica que seja atribuída a ideia com a mesma falta de evidência, jogo de palavras ou de artifício metafórico. Mesmo sem sabermos o âmago de deus, atribuímos algumas características a essa ideia a fim de torna-la pensável. Será que conseguimos? Então, deus por analogia do filósofo e teólogo Tomás de Aquino é: Unidade – é indivisível (tanto em ato como em potência), não possui composição alguma. Unicidade – é único, não pode haver mais que um deus, a onipotência de um comprometeria a do outro. Suprema perfeição – "perfeito é aquilo que está totalmente feito".

Todas as perfeições das criaturas (efeitos) se encontram em deus de modo indiviso e em grau eminente (causa). Beleza suprema – é a suprema harmonia de todas as perfeições criadas e o seu conhecimento é a máxima felicidade possível. Simplicidade – não é composto por partes, o que implica que não tem corpo e nem partes de nenhuma espécie. Imensidade – não está sujeito a espaço, pode estar em todos os lugares sem estar circunscrito a eles. Infinidade – é infinito, tem todas as perfeições em grau máximo e ilimitado. Se pudesse ser aperfeiçoado não seria deus e sim aquele que lhas desse. 

Imutabilidade – não está sujeito a mudanças nem no seu ser nem nos seus desígnios. Eternidade – não teve princípio e não terá fim, sempre existiu e não deixará de existir. Onisciência – possui inteligência e entendimento ilimitados, tudo sabe e tudo conhece. Onipotência – a vontade de deus é onipotente, não tem limites, e é perfeitamente boa e justa. (...). Onipresença – tem a capacidade de ubiquidade, pode estar em todos os lugares e, mais do que estar num lugar, dá a existência ao próprio lugar. Suprema bondade– é a bondade infinita. Quanto mais perfeito é um ser tanto mais é desejável, é o mais desejável dos seres é o Bem Supremo. Sabedoria – é mais que sábio, é a própria Sabedoria ilimitada. Santidade – é infinitamente santo e belo e fonte de toda a beleza e santidade. Misericordioso – deus é todo misericórdia, perdoa tantas vezes quantas nos arrependemos. Transcendência – não se confunde com o mundo, está fora do mundo e acima da realidade material.

Agora, eis que exclamo: Como podemos conceber isso?! É impossível! Não há em nenhum momento deste pronunciamento algo que não seja subjetivo! Não vejo nada além de um péssimo jogo de palavras que tenta convencer a tolos. Metáforas aleatórias que dizem absolutamente nada. Assim como força, energia e espírito são em suma vagos, o mesmo é a ideia de algo atemporal, (a)espacial, intangível, imperceptível, invisível, impalpável, incalculável, incabível, imaterial, incolor, imensurável etc. Ainda me valendo das palavras anteriores de Voltaire, repito que temos e devemos que conceituar a ideia de deus com tudo o que ela não é, pois é impossível dizer o que é. Ou alguém consegue e se propõe a explicar minuciosamente, didaticamente e logicamente o que Tomás de Aquino quis dizer? Nem ele o fez. Seu belo discurso possui beleza somente pela literatura e pelo bom posicionamento das palavras e do ritmo lírico que elas levam a fim de se tornarem válidas, mas que em hipótese alguma serão no mundo sensível. Como filosofia, este discurso de Tomás de Aquino é uma bela poesia!

A distorção dos nossos signos parece ser elementar para a ideia de deus. E vimos que nada que faz parte de tal ideia, é realmente como entendemos na prática, ou seja, confundimo-nos ao extremo com as palavras ao relacioná-las ao plano superior; não sabemos o que realmente queremos dizer ao pronunciá-las.

Tomás de Aquino


Ao analisar o pensamento de Tomás de Aquino percebemos que o mesmo não se restringe apenas ao uso dos "in" (indivisível, imaterial, intangível, imutável etc.) atribuídos à ideia, porém vale-se principalmente de características humanas elevadas a grau imensurável. E neste ponto o jogo de subjetividade prevalece ao extremo e explico da seguinte forma.

Primeiro, alerto que não é objetivo central desse texto mostrar as razões científicas, psicológicas, sociais e práticas pelas quais projetamos nossas características ímpias, toscas e imperfeitas fora de nós; transferindo para outras pessoas ou coisas. É de conhecimento universal a projeção que nós humanos fazemos constantemente em cima de nossas inquietações, imperfeições e principalmente frustrações. A transferência de sentimentos exacerbados de um objeto ou causa frustrada para outro novo objeto ou causa qualquer que possa reviver nossa felicidade e retomar a “essência da vida” que acreditamos ser necessário, para é claro, viver. Fazemos isso constantemente e este hábito é o que torna o pensamento a maior e mais poderosa ferramenta que o homem possui. Criar e recriar sentido, propósito e razão, para o que não tem sentido nem propósito, muito menos razão. Em outras palavras; uma projeção. Tomás de Aquino, humano, esbaldou-se neste hábito com maestria e dotado de metáforas chamou de natureza divina.

Retomando o raciocínio. Mesmo não sendo o objetivo, tive que rapidamente lembrar o ato de projeção que fazemos cotidianamente, para que meus argumentos sejam entendidos de forma clara. E a ideia de deus nunca esteve aquém desta ação humana. Amor, felicidade, sabedoria, misericórdia, bondade, justiça, beleza são o quê? 

Ora, nada mais que virtudes humanas! Ou são de outra natureza a não ser da nossa? Ou animais silvestres possuem essas qualidades? Não possuem, é claro. Admitamos que uma pessoa que possua no mínimo três destas incontáveis virtudes é alguém admirável, reconhecida e querida em um grupo ou quiçá na sociedade. Porém, as virtudes não retiram as condições imperfeitas que humanos possuem por excelência. Ou seja, o sábio por vezes é ignorante, o belo pode ser visto como feio, o justo não pode ser simultaneamente misericordioso e a felicidade nada mais é que um estado temporário etc. Se o que entendemos como virtudes são na realidade imperfeições (não são completas e inteiras), como podemos ser de fato felizes?

Percebamos que a definição de deus por Tomás de Aquino é totalmente vaga. As características atribuídas ao ideário da divindade são, senão, projetadas; são características humanas em grau máximo. "Amor Supremo, Sabedoria Suprema, Justiça Suprema, Beleza Suprema etc.". Além do mais, virtudes são subjetivas. A beleza, justiça, misericórdia, felicidade, sabedoria são conceitos subjetivos. Não são de comum acordo nem por duas pessoas ou por um grupo, quiçá pela população mundial! Então como ousamos falar de uma beleza única, de um amor maior, de uma justiça superior, se jamais conseguimos em tempo algum de existência conciliar o pensamento sobre estas ideias? Ousamos. Nem mesmo Tomás de Aquino pôde explicar o que queria dizer com amor, sabedoria, felicidade ou qualquer outra virtude.

O discurso teológico e filosófico necessita da antropomorfização em uma ideia, haja vista que se em natureza deus é vago, não o pode ser em característica. Continuo minha refutação sobre essa necessidade. Primeiramente, alguém se põe a imaginar um espírito? Não há como, vimos que é impossível por sua falta de conceito e conhecimento sensível. Porém se darmos a este espírito a qualidade de "belo", subitamente ao pensarmos nele, imaginaremos algo belo ou saberemos que este espírito mesmo que desconhecido é belo. Ou seja, se atribuirmos qualquer qualidade, sentido, significado ou razão de um objeto real para um objeto vago, teremos também a vaga ideia do que ele é. Mas na prática, nada passa de uma falsa representação.

O mesmo funciona com a ideia de deus, é mais fácil pensar em justiça suprema (comparando com a injustiça humana) ao pensar em uma força. Logo, exclamam: Deus é justo! Ao ver assassinos não sendo punidos pela justiça humana e não "Deus é uma força!" Pois iríamos comparar com o quê? E que utilidade teria esta força incognoscível para saciar nosso desejo de justiça? Nenhuma.

Não há quem não imagine essas características humanas atribuídas à ideia que se entende por deus. Pensamos em um deus que é feliz da mesma forma como somos (um pai vendo um filho marcando um gol em um campeonato do colégio). Pensamos em um deus que ama da mesma forma que amamos nossos filhos, porém de forma infinita etc. Imaginamos um ser que é tão humano como nós, pois só assim podemos saber o que é ser perfeito. Ou alguém imagina que este deus é feliz e ama de outra forma? Se o fosse, não chamaríamos de "amor" e "felicidade", seriam palavras desconhecidas por humanos.

Mas como vimos, se não sabemos o que é deus (força, energia, espírito etc.), nem sabemos de fato o que são essas virtudes supremas e únicas (amor, sabedoria, felicidade, justiça etc.), ao dizer Deus é amor! Podemos muito bem exclamar: Nada é nada! Ou ainda: Desconheço o que falo!

4 Retomada dos conceitos e conclusão

Iniciei o primeiro capítulo com um exercício mental sobre o pensamento verossímil e o pensamento baseado em falsas histórias e distante da realidade. Relembro rapidamente o ato um.

Quanto mais próximos estamos, em todos os sentidos, de determinado assunto, mais nosso pensamento irá beirar a realidade. O aspirante e recém-formado em Direito pode imaginar o emprego dos sonhos de forma clara e objetiva, simplesmente por ser conhecedor desta ideia, mesmo que de outra forma. O mesmo processo pode ser feito por qualquer outra pessoa dentro desses aspectos e exemplifiquei com a personagem de um renomado jogador de futebol que com maestria é capaz de imaginar um cenário do seu próximo jogo. Logo após, induzido a um teste descritivo, o jogador de futebol se pôs a figurar uma viagem à lua, por ser totalmente leigo e distante ao extremo da realidade, o mesmo configurou a ideia de forma absurda, fictícia. Concluí mostrando sua extrema irracionalidade em propagar seu ultraje pensamento, e é claro, persuadindo uma gama de ignorantes que compartilhavam da mesma leiga visão sobre a viagem lunar.

Existe 'deus'?

Logo após mostrei que mesmo munido de seguidores e com nome reconhecido mundialmente, sua falha descrição sobre o exercício não podia ser levada a sério, haja vista que o restante e a maioria da sociedade possuíam determinado conhecimento científico e real sobre o assunto. Seria visto como idiota, ignorante ou louco. Moral da história: ao formularmos uma ideia baseado em suposições, em nada e jamais estaremos certos sobre a realidade. Afinal, para que serviu todo esse exercício?

Racionalmente, vejamos da seguinte forma. Se o jogador renomado possuía uma resvalada (baseada em filmes, novelas, histórias anônimas etc.) e errônea ideia sobre a viagem a lua (ausência do conhecimento necessário – astrologia), seguido por uns e visto pela maioria como louco, como podemos ser levados à sério quando falamos sobre deus?! Vimos que nem resvalada é nossa concepção. Como podemos aos quatro ventos afirmar sua existência se não sabemos de forma alguma o que é deus? Se de nenhuma forma a ideia de deus é concebível, como podemos propaga-la ao mundo? E respondo ironicamente desta vez. Podemos fazer isto da mesma forma que o renomado jogador de futebol o fez, convencendo uma gama de leigos. Quando falamos sobre um deus, somos leigos falando sobre a subjetividade e o vazio. Como Voltaire afirmou: Cegos que se perguntam "o que é a luz?".

O conceito de deus é o nada. Tudo o que não existe é a natureza de deus; todas as suas "ausências de" para tentarmos dizer o que é. É a projeção de nossas virtudes ao extremo, a correção de nossos medos e imperfeições e nossos sentimentos assegurados como significantes. Tudo o que define a ideia de deus não pode ser explicada, mensurada ou pensada. Um pensamento impensável! Ninguém pode por excelência imaginar o que é deus, pelo simples fato de que nunca em tempo algum conhecemos em milésimo e em milímetro algum sua existência. Pela terceira e última vez pergunto para justificar o título deste texto: Quão verossímil é nossa ideia sobre deus? Nada, zero! E jamais pode ser, ao ponto de que nunca soubemos! Não podemos acreditar em algo e não pensar sobre o que acreditamos. Acreditar por acreditar em algo que nunca mostrou qualquer evidência é irracionalidade ou falta de sinceridade. Digo, o mundo não é como queríamos que fosse.

Afirmam a existência de um agente físico que de físico jamais pode ser. Conceituam uma ideia de forma tão vazia que como ideia jamais pode ser. A racionalidade e discernimento se recusam a contemplar o vazio e dizê-lo que é deus! Prefiro, por honestidade, afirmar que o "vazio existe" e que posso me acostumar com ele. Porém se afirmo que essa concepção é tão inconcebível e esdrúxula, como poderiam tantos ainda acreditar na ideia de deus? Na verdade, ninguém acredita. Ninguém, afirmo. Ninguém acredita em deus!

Acreditam, seguem, pensam, matam e morrem ferozmente para as religiões. Para elas e para o que elas criaram sobre a existência humana e divina. Mais de oitocentas e outras milhares de filosofias por todo o globo criaram sua versão da ideia de deus, uma ideia totalmente humanizada e antropomorfizada em todos os sentidos. Onde prevalece a dicotomia do mundo (bem x mal) e outros tantos seres sobrenaturais que são colocados em comunhão com humanos e com o mundo material. É dado esbeltamente pelas religiões tudo o que o homem sempre sonhou em possuir; um sentido para viver. Não estamos neste mundo para morrer e deixar de ser. Toda respiração é necessária para que alcancemos a vida eterna; um lugar onde deixamos de sofrer por sermos humanos, meros humanos. Hoje se estima a existência de mais de três mil e setecentos deuses e demônios impregnados em culturas milenares e que teimam em controlar a sociedade e o pensamento ordinário.

Sejamos sinceros em admitir que esta ideia toda se resume, e é apenas uma palavra; deus. Nada mais! Não sejamos em nossa época hipócritas ou leigos sobre assuntos ilusórios. Peço encarecidamente que não cortemos nossos fios de racionalidade que nos tornam humanos admiráveis. Por fim é questão de lógica; se a distanciação da ideia do jogador de futebol para com a realidade o caracteriza como um verdadeiro louco, como podemos não ser loucos se ousamos propagar, contemplar e morrer por uma ideia que é o oposto da realidade? A realidade explica a realidade, a ilusão nos aprisiona. Sobra-me, ao fim deste texto, afirmar com toda minha força: "fora da religião deus é como um peixe fora d’água, algo que não demora a morrer".