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sábado, 29 de março de 2014

PENSAMENTO PEDAGÓGICO AFRICANO - AMILCAR CABRAL: POLÍTICO, REVOLUCIONÁRIO, EDUCADOR


Marcos Cesar Dias Silveira

Acadêmico do curso de Pedagogia
na Universidade Federal do Rio Grande
FURG

Orientador e editor:

Prof. Gerson Nei Lemos Schulz




Geralmente pouco de fala sobre o pensamento filosófico produzido nos países da África. Mas ele existe e é no livro "História das Ideias Pedagógicas" de Moacir Gadotti, cujo capítulo 14 intitula-se "Pensamento Pedagógico do Terceiro Mundo", que o autor situa a pedagogia nos países colonizados da América Latina e da África. Países que, segundo ele, construíram uma teoria pedagógica original no processo de luta por sua emancipação da metrópole portuguesa.

Com ênfase no Pensamento Pedagógico Africano, Gadotti destaca a educação como cultura por meio da visão de Amílcar Cabral (1924-1973) que nasceu na Guiné "portuguesa" onde viveu sua infância. Terminou brilhantemente o Liceu, conquistando o direito a uma bolsa de estudos universitários no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, e depois da conclusão do curso de Agronomia, voltou para a Guiné Bissau, onde ocupou o cargo de engenheiro agrônomo.

Amilcar Cabral durante os combates pela
independência da Guiné-Bissau contra tropas
de Portugal.
Amilcar Cabral foi assassinado em 20 de Janeiro de 1973 por agentes dos colonialistas portugueses que tinham a pretensão de controlar o povo para que não houvesse a revolução. Ao contrario do que supunham os organizadores o povo prosseguiu a luta iniciada por Cabral e conquistou sua liberdade em 24 de setembro de 1973.  Amilcar Cabral deixou obras que comportam vários domínios tais como: o político e o ideológico, a estratégia militar, o desenvolvimento social, o processo de formação nacional e as relações internacionais. Sua luta durante a vida toda foi pela independência da Guiné e das Ilhas de cabo verde. Suas principais obras são "A arma da teoria e "A Prática Revolucionaria".

Por meio da teoria e da prática do combate libertador em uma perspectiva revolucionaria de transformação global da sociedade, Amílcar Cabral deixou-nos uma grande e dinâmica contribuição para o aprofundamento dos debates ideológicos que caracterizam nossa época. Nesse sentido, podemos considerar o movimento de libertação como uma expressão política organizada a partir da cultura do povo em luta, independente de qual seja o seu nível de desenvolvimento econômico.


Guiné-Bissau


A história nos mostra que Amilcar Cabral era um homem de diálogo. Dizia que a luta de libertação é um ato de cultura. Na luta anticolonialista o colonizado liberta o colonizador. E isso não foi apenas uma simples frase porque na verdade teve consequências para a própria luta pela liberdade, pois o mais importante era libertar o povo e os seres humanos de todas as formas de opressão, que não se formavam apenas como resultado das relações sociais, mas como algo intrínseco à própria natureza humana, uma vez que num dos seus mais ambiciosos textos teóricos (A arma da teoria), Cabral postula que "o homem sobreviverá às classes e continuará a produzir e fazer história, porque não pode libertar-se do fardo, das suas mãos e do seu cérebro que estão na base do desenvolvimento das forças produtivas".

Nesse texto Cabral aborda longamente os trabalhos a serem desenvolvidos para melhorar a vida das populações nas zonas libertadas, abrangendo o trabalho dos comissários políticos, a organização das forças armadas e de segurança, o ensino por meio de "Escolas Piloto" para maior difusão da cultura e da educação do povo, da agricultura, do comércio (armazéns do povo), da assistência sanitária; em síntese: de todo um programa e trabalho que venha a abranger todos os setores essenciais das populações.


"...jurei a mim mesmo que tenho que dar a minha vida, 
toda a minha energia, toda a minha coragem, toda a capacidade 
que posso ter como homem, até ao dia em que morrer, 
ao serviço do meu povo, na Guiné e Cabo Verde. 
Ao serviço da causa da humanidade, para dar a minha contribuição, 
na medida do possível, para a vida do homem se tornar melhor no mundo. 
Este é que é o meu trabalho." Amilcar Cabral – 1969.

Por fim, penso que as influências das ideias de Amilcar Cabral, de fato, não foram interrompidas com a sua morte e continuam vivas e são subsídio para que se combata um mundo que tem tratado as diferenças de uma forma inaceitável, relegando às minorias, ou às vezes à maioria destituídas de poder, situações de marginalidade, não sendo respeitadas a multiculturalidade e a diversidade, e muito menos a liberdade cultural de uma civilização humana plural com suas identidades a serem respeitadas de forma ética e de maneira mais justa sem que para isso se tenha que pegar em armas. Acredito que é por meio da educação e do desenvolvimento intelectual que se dará a maior interação econômica, política, social e cultural entre os povos. Pode até parecer um sentimento utópico, mas vejo esse caminho como uma forma de seguirmos nos humanizando e evoluindo em prol da libertação, caso contrário, voltaremos ao abismo profundo da ignorância e da barbárie mundial.


Referências:

GADOTTI, Moacir. Histórias das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 2005.

Huttington, Samuel P. Who are we? America's great debate. Londres: Simon & Schuster, 2004.

LOPES, Carlos. O legado de Amílcar Cabral Face aos Desafios da Ética Contemporânea. Disponível em: <http://www.didinho.org/legado_de_amilcar_cabral_face_ao.htm>. 2014.

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