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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ÉTICA, CIÊNCIA E TECNOLOGIA



Felipe Werle Vogel


Graduando em Engenharia Bioquímica

Universidade Federal do Rio Grande – FURG

Orientador:

Prof. Msc. Gerson N. L. Schulz

FURG



Nossa sociedade vem evoluindo de forma constante e acelerada, principalmente em relação aos avanços científico-tecnológicos nas mais diversas áreas. A genética moderna, uma área que merece receber um grande destaque, tem contribuído significativamente para áreas necessárias à sobrevivência humana, como produção de alimentos, controle de pragas, sanidade animal, diagnóstico de doenças hereditárias ou não, produção de hormônios e, ainda em seu início, a terapia gênica. Sendo assim, imprescindível não pensar em todos os benefícios que esses avanços trouxeram para a sociedade. No entanto, até que ponto, o principal componente da sociedade, nós, temos acesso a essas informações públicas corretas sobre as pesquisas, suas finalidades e formas de aplicação, ou até mesmo a clareza quanto às consequências de curto prazo e os riscos de longo prazo?


Livro de David Suzuki e Peter Knudston
Segundo os cientistas David Suzuki e Peter Knudston, em uma obra intitulada GenÉtica – Conflitos entre engenharia genética e os valores humanos, "A Ciência e a tecnologia são o produto da curiosidade humana, o irrefreável impulso da mente para conhecer, explorar, mudar. E devemos alimentar essa qualidade a todo instante. Porém, também precisamos reconhecer que há a necessidade de um padrão moral em que a curiosidade científica possa exprimir-se sem expor as populações humanas e seus ambientes a riscos inaceitáveis e danos irreparáveis."
Dessa forma, podemos perceber que os estudos envolvendo ciência e tecnologia contemporâneas, deixaram de evidenciar a ideia de que a natureza é uma força que, obedecendo às suas próprias leis necessárias, resiste ao nosso poder. Pelo contrário, o saber científico-tecnológico está tendendo a dominar as forças naturais, seja por meio de intervenções que mudam o próprio curso da natureza, tendo como prioridade prezar todo o possível para desenvolver uma pesquisa e muitas vezes desconsiderar as consequências, e assim, cada vez menos, dar valor para o campo do necessário para desenvolver essa mesma pesquisa.
Devido a essa problemática atual, o crescente desenvolvimento de uma ciência diretamente ligada à vida, a genética, passou a ter implicações em relação aos valores éticos, muito significativos, instigando uma reflexão ética no intuito do poder fazer e dever fazer.
A ética pode ser compreendida como uma reflexão quanto à influência da moralidade e dos critérios sociais sobre o desenvolvimento da humanidade como um todo, fundamentado em critérios que estabeleça um padrão de vida digno a todos os integrantes de uma sociedade. A ética estabelece os critérios dos direitos humanos e deve zelar para que estes sejam preservados.

Enquanto que a ciência pode ser definida como um conjunto de conhecimentos sistematicamente organizados, com um objeto de estudo determinado. Este conhecimento, entretanto, não pode ser considerado como verdade absoluta. Tanto a Ciência como a Tecnologia se modificam a partir de imposições da própria sociedade, estando intimamente relacionadas à transformação desta mesma sociedade. A Ciência, enquanto tentativa de explicar a realidade, se caracteriza por ser uma atividade metódica.
Dentro dessa atual rivalidade, temos inúmeros problemas bioéticos relacionados à ciência, mais precisamente a genética, dos quais, podemos destacar a questão da mercantilizacão da produção tecnológica, a qual, pode se observar uma demanda muito grande do mercado por produção, somadas a uma necessidade de conseguir retorno financeiro por parte dos fabricantes. Isso resulta em um confronto com a ética quando o caráter comercial se torna prioridade.



A clonagem é outro assunto discutido por vários autores desde a década de 1970, abordando aspectos éticos envolvidos. Paul Ramsey, em 1970, propôs a importante discussão sobre a questão da possibilidade da clonagem substituir a reprodução pela duplicação. Esta possibilidade reduziria a diversidade entre os indivíduos, com o objetivo de selecionar características específicas de indivíduos já existentes. Isto teria como consequência a perda da individualidade, com a possível despersonalização destas pessoas.
Outro assunto muito discutido atualmente envolve a produção dos vegetais transgênicos, que são modificados geneticamente com a finalidade de se tornarem mais resistentes as pragas e demais problemas ambientais. Porém, como consequência o abandono da biodiversidade natural em proveito de espécies únicas pode se tornar uma realidade, levantando a hipótese de alterações ambientais que provoquem a extinção de várias dessas espécies únicas com efeitos gigantescos não somente sobre a vida humana (fome, miséria, doenças), mas sobre todo o planeta.


Você já viu este símbolo em alimentos nos
supermercados?
Todo alimento que contém este símbolo
é manipulado geneticamente,
FIQUE ATENTO!
Por fim, penso que, em última instância, de fato, cabe à sociedade como um todo discutir o enquadramento ético na ciência, dando mais ênfase para as manipulações biológicas que envolvem a genética moderna, sem restringir da liberdade científica, porém discutindo ampla e democraticamente todos os aspectos que lhe são inerentes, devendo os cientistas e as sociedades que os congregam esclarecerem os setores não científicos da sociedade e em conjunto apreciarem eticamente os objetivos a serem alcançados no benefício do cidadão e da própria sociedade.

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