terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Educação Rural X Educação do Campo: uma visão Ontológica




Geomar Fogassa

Pedagogo e acadêmico nos cursos de Direito e Letras no Amapá.





É notório que a educação no Brasil evoluiu em muitos aspectos, mas é inegável também que ela ainda padece com muitos problemas e que a zona rural é aquela que mais sofre com a desestruturação da escola pública. Tudo isso se torna ainda mais preocupante quando levamos em consideração a história da educação brasileira quando o país vivia o seu período eminentemente agrário em que o trabalho e a produção no espaço rural estavam em voga, mas também foi nesse período que o trabalhador rural ganhou a alcunha de "incapaz, atrasado, rupestre", estereótipos que perduraram até os dias atuais.
Fonte: www.quinariverde.com.br
Os primeiros ensaios para propiciar uma educação ao homem do campo surgiram também nessa época, principalmente com os esforços dos pioneiros da educação que vislumbraram um princípio de educação democrática no Brasil como também fizeram um ensaio de um sistema de educação em nosso país.
Em minha opinião as políticas públicas em educação gestadas nesse período eram totalmente incipientes para atender a demanda de trabalhadores e trabalhadoras do espaço urbano e rural, o que dificultava a realização de um trabalho pedagógico autônomo nas escolas do meio rural, que atualmente esta imerso num novo paradigma que o estado brasileiro persiste erroneamente em constituir uma escola rural, já o cidadão do campo luta por uma escola do campo.
Aí está o grande diferencial, primeiro esclarecemo-nos essas nomenclaturas de rural e campo, assim "rural" significa atraso, incapacidade, falta de perspectiva. A escola apenas do aprender a contar e a escrever o próprio nome, rupestre, um povo adicto do meio urbano e "campo" significa ressignificação, mudança, autonomia, valorização da cultura e dos saberes, esperança, cidadania, desenvolvimento.
Fonte:www.deere.com
Diante desses conceitos e das lutas de movimentos sociais e do povo do campo instaurou-se nesse cenário um novo paradigma, o da escola do campo e não escola rural. Miguel e Caldart nos chamam atenção para essas escolas dizendo que: a escola no campo (rural) é a escola pensada e executada pelo Governo Federal, constituindo-se numa escola urbanocêntrica com a imersão sistemática da cultura e dos saberes urbanos imutáveis no espaço do campo, temos uma escola com currículo, projeto político pedagógico (PPP), professores, material didático e saberes urbanos sem perspectiva e algumas vezes sem utilidade para o campesino ressignificar dentro do seu próprio espaço, temos uma educação para o sujeito do campo, é a velha história do aluno visto como tabula rasa que necessita ser preenchido e iluminado para sair da ignorância que é encontrada apenas nos sujeitos do espaço do campo, já a escola do campo é para os sujeitos do campo, sujeitos que pensam, tem cultura, produzem saberes e querem desenvolver-se plenamente dentro do seu espaço, o apodo já não lhes cabe, a escola do campo constrói saberes e ressignifica outros, é pensada, planejada, coordenada e gestada por seus próprios sujeitos, há valorização do sujeito e de sua cultura não como adequação ou adaptação como prega a legislação brasileira na lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), como também a construção democrática, coletiva do fazer pedagógico que é próprio dessa escola essencialmente do campo, mas que dialoga com que o meio urbano sem preconceito ou renegação. As novas concepções sócio-políticas apontam que a escola do campo deve promover uma educação do campo e não para o campo, constituída de elementos necessários para execução de propostas pedagógicas que valorizem o sujeito dentro de sua peculiaridade cultural e social.
A educação sempre foi apontada por muito estudiosos como o mecanismo mais eficaz para libertação como cunhou Paulo Freire, libertar o ser humano das ideologias dominantes e alienantes, libertar o ser humano da própria incapacidade de racionar, libertá-lo das amarras do social que os obrigam a viver à margem do que hoje convencionamos chamar de cidadania plena e em igualdades de condições. Acredito que quem educa um cidadão, educa uma nação, assim cabe aos nossos gestores propiciar educação aos que eles chamam de mal educados, ou seja o povo, que eles próprios não querem educar quando não garantem o direito à educação digna e de qualidade.
Portanto, o conceito de educação no campo precisa ser pensada e vivenciada por todos e não devemos ter pessoas que pensam e pessoas que executam a educação, acredito que todos são verdadeiramente capazes de construir seu próprio destino.

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns!
Amei o texto.

Anônimo disse...

Antes de sistematizar argumentos para análise sobre a Educação do Campo e No Campo, é necessário que se considerem aspectos essenciais que envolvem desde economia até ideologias determinantes e culturais, pois a população campesina sempre foi esteio para a vida das populações urbanas, através do fornecimento de matérias primas e alimentos, desta forma a função de campo e cidade se distinguem, e isso reflete na educação. Acredito que seu artigo se enriqueceria mais ainda se possibilitasse ao leitor uma leitura a respeito das Escolas Famílias Agrícolas, as quais trabalham com a pedagogia da alternância, e quando se propõe a fazer uma análise sobre educação das pessoas do campo é necessário que tenhamos em mente a contribuição que esta forma de ensino proporciona às populações rurais, aliando técnicas agrícolas às disciplinas de currículo comum.
A leitura é mais aprofundada, é relevante que se considere a diferenciação das populações do campo, o ensino é diferenciado no tocante aos objetivos e principalmente à maneira, ou seja, à metodologia e a estratégia de acessar o conhecimento.

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