sexta-feira, 11 de março de 2011

HANSENÍASE: PERIGO SILENCIOSO


Por Gerson Nei Lemos Schulz

Reportagem publicada originalmente no jornal Tribuna Amapaense de Macapá


Você já ouviu falar em hanseníase ou 'lepra'? Não? Então leia a matéria abaixo porque você pode ser a próxima vítima dessa terrível doença silenciosa e perigosa que infesta o Brasil e o Amapá há anos e que precisa ser erradicada de uma vez por todas.

Hanseníase: o que é?

Foto divulgação do Ministério da Saúde do Brasil.
A hanseníase ou "lepra" é uma das doenças mais antigas que se conhece. De acordo com o Ministério da Saúde, a hanseníase é uma doença crônica que se origina em infecções causadas pelo Mycobacterium Leprae. É um bacilo que tem capacidade para infectar grande número de indivíduos e a residência das pessoas é apontada como o principal espaço de transmissão da doença. O alto potencial incapacitante da hanseníase está diretamente relacionado ao poder imunogênico do bacilo. A literatura médica aponta para ocorrências dessa doença por volta de 600 a.C. na Ásia e África, locais que podem ser considerados o berço da doença. A melhoria das condições de vida e o avanço do conhecimento científico modificaram significativamente o quadro da hanseníase, que atualmente tem tratamento e cura. No Brasil, cerca de 47.000 novos casos são detectados a cada ano, sendo 8% deles em menores de 15 anos. O parasita ataca a pele e os nervos periféricos, mas pode afetar outros órgãos como fígado, testículos e olhos. Não é, portanto, hereditária, tem cura e a prevenção é o melhor remédio.

Como se manifesta a doença?


Geralmente essa doença se manifesta por meio de manchas dormentes, de cor avermelhada ou esbranquiçada, em qualquer região do corpo sendo mais comuns manchas próximas aos tornozelos, e antebraços. Placas, caroços, inchaço, fraqueza muscular e dor nas articulações podem ser outros sintomas. Como o período de incubação varia entre três e cinco anos, isso quer dizer que você pode entrar em contato com alguém contaminado hoje e que não esteja sendo tratado e sofrer os efeitos da doença daqui a alguns anos. Isso não significa que qualquer mancha na pele seja hanseníase, mas se a região onde se encontra a mancha apresentar falta de sensibilidade ao toque, ausência de suor, queda de pêlos, falta de sensibilidade ao frio e ao calor, então há forte indício de ser hanseníase. Em casos mais graves (pessoas contaminadas há muito tempo e sem tratamento) podem aparecer feridas e deformidades irreversíveis no nariz e dedos, e impedir determinados movimentos, como abrir e fechar as mãos nessas regiões.

Contágio, diagnóstico, tratamento


Essa doença contamina outras pessoas pelas vias respiratórias, caso o portador não esteja sendo tratado. Porém, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria das pessoas é resistente ao bacilo e não a desenvolve. Já o diagnóstico consiste, principalmente, na avaliação clínica: aplicação de testes de sensibilidade, força motora e apalpação dos nervos dos braços, pernas e olhos. Exames laboratoriais, como biópsia, também podem ser necessários.
Quanto ao tratamento aproximadamente 95% dos parasitas são eliminados na primeira dose do tratamento, já sendo incapaz de transmiti-los a outras pessoas. O tratamento pode durar até um ano e o paciente pode ser completamente curado, desde que siga corretamente os cuidados necessários como não beber e não fumar durante a administração dos medicamentos. Logo, buscar auxílio médico é a melhor forma de evitar a evolução da doença e a contaminação de outras pessoas.
Saiba que o tratamento e a distribuição de remédios são gratuitos no Brasil e, ao contrário do que muitos pensam, por causa da discriminação que sofrem ou já sofreram as pessoas contaminadas pela hanseníase, o paciente não deve ser isolado. Prática muito diferente daquela que vigorou até 1967 quando ainda existiam leprosários no Brasil e onde os hansenianos eram jogados à própria sorte por serem classificados como loucos e eram completamente isolados do resto do mundo.
Segundo a OMS, nosso país é líder mundial em prevalência da hanseníase. Em 1991, foi assinado pelo governo brasileiro um termo de compromisso mundial, se comprometendo a eliminar esta doença até 2010, mas, a cada ano, há mais de quarenta mil novos casos. Por isso, nos dias 24, 26 e 27 de janeiro são comemorados, respectivamente, o Dia do Hanseniano, o Dia Mundial de Combate à Hanseníase e o Dia Estadual de Combate à Hanseníase.

A hanseníase no Amapá


Segundo a III Carta de Eliminação da Hanseníase no Amapá, de janeiro de 2005, no estado, em dezembro de 2004, estava registrado um total de 534 casos de hanseníase, dos quais 135 se encontravam em curso de tratamento, e 87 já possuíam tempo de tratamento suficiente para receberem alta por cura e não estarem mais na prevalência. Em 307 (57,5%) registros a situação dos pacientes não era atualizada na base de dados Sinan-hanseníase há mais de 12 meses. Do total de registros, 0,6%, faltavam informações essenciais para a definição da situação dos pacientes. O coeficiente de prevalência do Amapá, em 2004, era de 9,65/10 mil habitantes, nove vezes a meta de 1/10 mil habitantes tendo como numerador o total de casos – registro ativo – 534.

Onde buscar ajuda em Macapá?

As pessoas que sentirem necessidade de auxílio médico devem buscar ajuda na rua Professor Tostes, número 2.200, no bairro Santa Rita. Ali funciona o Centro de Referência em Doenças Tropicais do Amapá – CRDT do Amapá. Esse centro é considerado, hoje, o melhor da região Norte do Brasil para diagnóstico e tratamento da doença. Portanto, se você tem alguma mancha no corpo avermelhada ou esbranquiçada, que apresentar perda de sensibilidade, não deixe para amanhã, vá hoje mesmo ao CRDT em Macapá para realizar um exame minucioso, lembre-se: essa atitude poderá salvar sua vida e de seus familiares e ajudar o Brasil a deixar de ocupar, de uma vez por todas, a posição de líder mundial dessa triste doença. Nos demais estados da Federação, procure os postos de saúde da rede pública.
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