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terça-feira, 8 de junho de 2010

Desenvolvimento sustentável e educação interdisciplinar na Amazônia

Gerson Nei Lemos Schulz



Na semana passada iniciamos a discussão sobre o livro "Educação na Amazônia" organizado por mim onde no primeiro capítulo faço a defesa da existência de uma filosofia da educação na Amazônia.

Esta semana abordamos o segundo capítulo intitulado "Desenvolvimento Sustentável e Educação Interdisciplinar na Amazônia: um estudo de caso na Reserva Extrativista Rio Cajari" da pedagoga e professora Dr. Maria Lúcia Teixeira Borges.

A doutora Lúcia Borges realiza uma investigação sobre a relação entre o desenvolvimento auto-sustentável e a educação na Amazônia. O cenário de sua pesquisa é a Unidade de Conservação (UC) do Rio Cajari, localizada no Amapá.

Por meio de olhar aguçado, ela capta contribuições implícitas no modo de vida simples do caboclo nortista para as preocupantes questões ambientais de hoje. Para ela a educação pode auxiliar a preservação ambiental se apontar para a perspectiva de exploração dos recursos naturais sem acarretar a destruição da floresta, garantindo o desenvolvimento econômico da região, isso porque (de acordo com a pesquisa) a própria comunidade vê a escola como possibilidade de acesso ao conhecimento científico capaz de melhorar a produção sem destruir a natureza.

A doutora Lúcia entende, conforme a ONU, que "desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro". E que, conforme Ivani Fazenda (Integração e Interdisciplinaridade no ensino, 1988) interdisciplinaridade "é o estudo do desenvolvimento de um processo dinâmico, integrador e dialógico." Assim, ela defende que as escolas das reservas adotem a educação interdisciplinar, pois isso acarretará troca de saberes entre especialistas, integração de disciplinas num mesmo projeto de pesquisa que beneficie o bem-estar da comunidade, estabelecerá relação de mutualidade ou um regime de co-propriedade, de interação, que possibilite o diálogo entre as pessoas por meio da escola como lugar de debate dos problemas sociais, harmonizando desenvolvimento econômico com preservação ambiental.

Para a pesquisadora, infelizmente, o Amapá, apesar de preservar suas florestas, não dispõe de políticas públicas eficientes para aliar desenvolvimento sustentável e preservação. Para ela, a perspectiva educacional a ser considerada nestes casos teria que promover condições técnicas e educativas e trabalharem no sentido da sustentabilidade, o que, certamente, pode assegurar direitos básicos como saúde, educação e moradia no campo.

Por fim, a autora faz um apelo às autoridades para que pensem políticas públicas a fim de fomentar a sustentabilidade nessas reservas. No caso do Rio Cajari há três entidades que discutem o melhor modo de comercializar a produção e de manter a natureza preservada. São elas: Cooperativa de Castanheiros do Amapá (COOCAP); Cooperativa de Produtores de Palmito (COOPP) e Associação dos Produtores Agroextrativistas do Médio-Baixo Cajari (APAEMBC) que realizam a discussão sem amparo do estado.

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