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sexta-feira, 28 de maio de 2010

VIOLÊNCIA ESCOLAR

Gerson Nei Lemos Schulz


A intenção desta coluna é fazer você leitor pensar sobre o certo e o errado e cobrar das autoridades as providencias necessárias. Por isso quero continuar a reflexão sobre a violência que iniciei na semana passada.



Segundo a pesquisa Mapa da Violência 4, promovida pela UNESCO, o Brasil ocupa a posição número 5 num ranking mundial composto de 67 países. Aqui é o quinto lugar do mundo onde mais ocorrem homicídios de jovens com idade entre 15 e 24 anos. De acordo com a mesma pesquisa, a maioria dos jovens assassinados é negro, pobre, as mortes acontecem aos finais de semana e um terço delas é por meio de arma de fogo.



Para o filósofo inglês do século XVII, Thomas Hobbes, o pior inimigo da espécie humana é seu semelhante. Para ele o ser humano traz em si o egoísmo que o leva ao conflito onde o homem não mede esforços para conseguir aquilo que quer, mesmo que para isso tenha que matar. Para combater este "estado de natureza", Hobbes propõe o "Leviatã", nome de um monstro bíblico, que em sua filosofia representa o Estado. Para Hobbes a única solução para o fim da violência é o "contrato social", e nesse contrato os homens renunciam à prática da violência e outorgam-na ao Estado, dando-lhe autoridade para punir os infratores do contrato.



Em 1996 a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a violência em três grandes grupos. O primeiro tipo é a violência auto-infligida que é a que o indivíduo pratica contra si mesmo. O segundo é a violência interpessoal onde alguém atenta física ou moralmente contra outro alguém. É o caso da criminalidade em geral. Em terceiro há a violência coletiva que é aquela praticada em presídios, escolas, asilos e em outras instituições.



Além disso há outro fenômeno comum nos dias de hoje, a glamorização da violência. Para o professor Yves de La Taille da USP, em entrevista à revista Carta Capital na Escola (2006), esse fenômeno se manifesta por meio das mídias em geral. A TV é o caso mais curioso porque há programas que se financiam a expensas das cenas de violência que mostram. Mesmo que tais programas ofendam a ética e a moral, é notório seu público fiel. Mas quando mostram vítimas dilaceradas (assassinadas, atropeladas e etc.), contribuem para que o público que assiste se condicione à idéia de que a violência é algo normal e tolerável. Chamo a atenção que a criança aprende por imitação do mundo dos adultos, e quando uma criança assiste cenas com cadáveres mutilados, fuzilados e etc. ela está introjetando em sua mente que aquilo é normal.



Lembrando o imenso poder de persuasão pela imagem que a TV tem em seu favor, há muitos adultos que acreditam em tudo que aparece em sua programação (certamente porque são ingênuos), o que dizer então das crianças cujos pais permitem, indiscriminadamente, assistir tais programas que dão à violência um tom teatral? E como todos os dias estes programas mostram histórias parecidas, essa triste realidade adquire a semelhança de uma novela.



Por fim, gostaria de alertar aos pais sobre a insensatez e o perigo que é permitir aos filhos assistirem programas com conteúdo violento, que mostram indiscriminadamente a morte porque isso, de uma forma ou outra, refletirá na mente do futuro adulto que você está criando.

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