Google+ Badge

COMPARTILHE

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A filosofia e a educação na Amazônia

Gerson Nei Lemos Schulz


A partir deste artigo, se me for permitido, gostaria de comentar o livro organizado por mim em parceria com mais seis autores da região Norte. Livro este que não foge ao tema da coluna, pois seu nome é "Educação na Amazônia".

A obra, a ser lançada no próximo mês, é uma coletânea de artigos científicos cujos títulos são: Por uma filosofia da educação Amazônica; Desenvolvimento sustentável e educação interdisciplinar na Amazônia; Formação docente e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; Habermas e a importância da linguagem; Avaliação da aprendizagem na região Amazônica; A violência escolar na Região Amazônica; e A prática pedagógica de professores ribeirinhos em classes multisseriadas. Todos serão discutidos e apresentados posteriormente nesta mesma coluna.

No título de abertura da obra (de minha autoria) defendo a tese de que há uma filosofia da educação tipicamente amazônica. Se se entender com Luckesi (1994) que "a filosofia se manifesta ao ser humano como uma forma de entendimento que propicia a compreensão de sua existência, em termos de significado, como lhe oferece um direcionamento para sua ação", pode-se inferir que a educação ribeirinha, indígena e toda interpretação de mundo que faça a relação sujeito-objeto se trate de uma cosmovisão, idéia básica para uma filosofia. Para Luckesi a filosofia "estabelece uma organização de mundo que permite a organização de valores". Ora, se filosofia é isso, então alguns valores não ocidentalizados das tribos indígenas da Amazônia podem ser considerados Filosofia.

Outro ponto a considerar é a relação dessas tribos, embora com culturas diferentes, com o mundo por meio do mito. Para o antropólogo Lévi Strauss, o mito difere do raciocínio lógico porque se assemelha a "bricolage", isto é, ele fragmenta uma visão do mundo e tenta dar-lhe ordem. Uma ordem diferente do pensamento Ocidental. Então, na explicação mítica como na "bricolage", há uma interpretação conotativa da realidade, isto é, o mito busca uma explicação empírica para os fatos. Assim, três são suas funções: explicativa (causa e efeito: onde o presente é causa de ações passadas dos homens); organizativa (cuja função é garantir a organização da sociedade, seu rompimento é o tabu) e a função compensatória (que garante que algum erro do passado foi pago promovendo estabilização e regularização da ordem entre natureza e sociedade).

Nesse sentido, se é fato que se vive na pós-modernidade onde, grosso modo, há tolerância entre formas de vida, sem que se tenha como na Modernidade um padrão rígido sobre o certo e não-certo, então por que não inferir a cosmovisão do mythos indígena como filosofia? E mais, filosofia esta que se encaixa na visão de mundo pós-moderna com sua proposta de direitos à diferença. Quero dizer com isso que o mito não deve ser marginalizado, pois a própria sociedade ocidental (lógica) também criou mitos, como criticam os pós-modernos, apenas para citar o cientificismo positivista.

Por fim, o artigo é uma "provocação", um diálogo entre a idéia de uma filosofia amazônica e o parâmetro pós-moderno de tolerância. Bem como um lampejo de esperança para fortalecer a identidade cultural amazônida.

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Obrigado por comentar os trabalhos dos autores publicados.